Mundo

Príncipe Ali, candidato a presidente da Fifa: “Se Blatter ficar, patrocinadores irão sair”

A eleição presidencial da Fifa já começou. O príncipe Ali Bin al-Hussein, presidência da Federação da Jordânia de Futebol e um dos vice-presidentes da Fifa, deu entrevista à agência de notícias AP e disse que a Fifa corre riscos se o atual presidente, Joseph Blatter, permanecer. Para o jordaniano, o suíço continuar à frente do órgão que gerencia o futebol mundial espantará patrocinadores. A afirmação pode ter fins eleitorais, mas não é um chute, e os últimos meses mostraram isso.

LEIA TAMBÉM:
– Ligas europeias cospem marimbondos contra Copa do Catar e Fifa reage com mais dinheiro aos clubes
– Figo pode não vencer a eleição, mas entende como funciona a política da Fifa
– Príncipe da Jordânia pode ser grande adversário de Blatter pela presidência da Fifa

Dos 14 patrocinadores da Fifa, cinco decidiram não renovar seus contratos e já não estarão no sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, em julho. Nenhum dos patrocinadores que deixaram a Fifa, incluindo nomes pesados como Sony e Emirates, declararam ter saído por conta dos escândalos. As justificativas foram muito mais protocolares. Mas este é só o começo, ao menos para o príncipe Ali Bin al-Hussein.

“O dano que está sendo causado em cima da marca Fifa tem implicações financeiras”, disse o príncipe Ali, em entrevista à AP. “Os patrocinadores começaram a votar com os seus pés. Se ações drásticas não forem tomadas urgentemente para reestabelecer a imagem do nosso órgão gestor, nós podemos esperar redução de receitas e, em retorno, o dinheiro para as associações nacionais também diminuiriam”, afirmou.

“Nós deveríamos ter uma situação em que os patrocinadores não apenas estão dispostos a voltar, mas nós deveríamos ter patrocinadores lutando para patrocinarem a Fifa”, afirmou ainda o jordaniano. “Obviamente, eu gostaria de ver os patrocinadores voltarem, mas eu também gostaria de ver outras opções também. É importante ter uma organização que tenha uma boa reputação e que os patrocinadores se sintam totalmente confiantes”, analisou o dirigente.

O lucro de US$ 2 bilhões em 2014, com US$ 1,523 bilhão só na Copa do Mundo, mostrou que a Fifa continua faturando muito alto. “A Fifa está aproveitando o sucesso da Copa do Mundo”, disse ainda o príncipe Ali. “Nós poderíamos ganhar muito mais se houvesse mais fé e mais confiança no modo como a Fifa é conduzida”, continuou o candidato à presidência da entidade.

A Football Association, da Inglaterra, já declarou apoio ao príncipe Ali, mas ainda não se sabe quanto ele tem de apoio em outras federações. “Eu acho que a maioria das federações nacionais acreditam que é crucial mudar neste momento pelo bem da Fifa e o futuro do futebol”, disse.

“Minha preocupação é que a Copa do Mundo seja usada para fazer promessas que não poderão ser cumpridas no futuro, mas que estão usando para fins eleitorais”, disse Ali. O jordaniano acredita que seria saudável ter um rodízio de continentes, como houve na escolha da África do Sul me 2010 e do Brasil em 2014. “É o esporte do mundo, deveria haver rotação [de continentes]”, comentou.

Um dos pontos tocados pelo príncipe Ali é a falta de transparência na Fifa. Ele questionou a venda de direitos televisivos da Copa do Mundo de 2026, feita por baixo dos panos. “É preciso que haja um processo de licitação adequada e minha grande preocupação é que as decisões foram tomadas por pessoas que provavelmente não farão parte da organização até 2026”, criticou. “E nós não estamos falando de pouco dinheiro”.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo