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Figo pode não vencer a eleição, mas entende como funciona a política da Fifa

Luis Figo é o rosto mais conhecido e talvez seja o personagem de mais credibilidade entre os três adversários de Joseph Blatter na próxima eleição presidencial da Fifa. Pelas propostas que apresentou à imprensa nesta quinta-feira, também parece ser o que melhor entende a política interna da entidade.

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Figo fez duas propostas sugestivas: distribuir U$ 1 bilhão do caixa de U$ 1,5 bilhão da Fifa entre as 209 federações nacionais e aumentar a Copa do Mundo para 40 ou 48 países. Os times adicionais seriam de “nações não-europeias” e o torneio teria três ou quatro dias a mais. Não parou por aí. Indicou que uma Copa com 48 seleções poderia ser realizada em dois continentes diferentes (24 em cada um), e o mata-mata decisivo, em um único país. Várias sedes diferentes, várias federações contentes.

Por trás dessas intenções, está a estratégia política que funciona para o presidente da Fifa desde quando João Havelange percorreu 86 países para vencer o pleito de 1974 contra Stanley Rous. O voto das nações menos tradicionais no futebol vale o mesmo que o brasileiro ou o inglês e é muito mais fácil agradá-las. Basta transformá-las em sede de alguma coisa e aumentar o número de vagas das principais competições.

Pela importância que adquiriu com o tempo, a Copa do Mundo não costuma ser a grande moeda de troca, mas mesmo ela foi para países como África do Sul e Catar. O Mundial de Clubes, por outro lado, recebe clubes de todas as confederações e passeou entre Emirados Árabes, Japão e Marrocos. Desde 2005, quando a Holanda foi sede, o Mundial sub-20 passou por Canadá, Egito, Colômbia, Turquia e Nova Zelândia. Para ficar apenas em alguns exemplos.

Não é necessariamente ruim espalhar as principais competições por países que precisam de uma mãozinha para desenvolver o seu futebol ou torná-las mais representativas. O problema é quando isso é feito sistematicamente e apenas para ganhar votos ou afagar federações. Difícil saber se Figo propõe essas mudanças porque realmente acredita que elas seriam benéficas para o futebol ou apenas para ganhar a eleição. E serão elas suficientes para convencer as federações a apostarem nele? De qualquer forma, o melhor jogador do mundo de 2001 apresentou as suas armas.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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