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Por que Infantino, candidato a presidente da Fifa, quer secretário-geral da África

Um dos grandes temores do cenário atual das eleições para o novo presidente da Fifa é a volta de um eurocentrismo. Espalhar o poder e a Fifa para além do Velho Continente foi uma das raras coisas positivas que a gestão de João Havelange fez da Fifa. Então, na primeira eleição, digamos para valer da entidade desde que Havelange deixou o cargo nas mãos de Blatter, esta é uma preocupação válida. E o candidato que mais representa os interesses da Europa, Gianni Infantino, já faz questão de mostrar que quer pluralidade: disse que o secretário-geral deve ser alguém de fora da Europa.

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“O que nós queremos fazer é abrir as portas da administração da Fifa. Estou convencido que o secretário-geral da Fifa não deve ser europeu. Por que não africano?”, declarou o suíço de origem italiana, que ocupa justamente o cargo de secretário-geral da Uefa. “Há muitas pessoas competentes na África, nós temos que abrir as portas da Fifa para homens e mulheres de todas as partes do mundo”, disse ainda o candidato a presidente da Fifa.

O secretário-geral da Uefa e candidato à presidência da Fifa lançou um plano de ação para os primeiros 90 dias no cargo, se eleito. Entre os tópicos estão lançar o processo seletivo para sediar a Copa do Mundo de 2026, reformar o sistema de transferências e escolher o novo secretário-geral da entidade.

A fala de Infantino não tem nada de inocente. A ideia de colocar alguém de fora da Europa no cargo mais importante depois do presidente é, evidentemente, uma tentativa de mostrar que a ideia não é fazer uma gestão centrada na Europa. É dar poder de decisão a alguém de fora do continente. E a escolha da África para ser citada não é menos pensada. A Confederação Africana de Futebol (CAF) é a confederação com mais votos entre as seis que existem.

Um dos candidatos para ocupar o cargo seria Hicham El Amrani, secretário-geral da CAF. O marroquino, de 36 anos, ocupa o cargo desde setembro de 2011. Executivo de futebol, ele já trabalhou também na AFC, a Confederação Asiática de Futebol.

Infantino sabe que para ser presidente da Fifa, será preciso mais do que ideias. É preciso fazer política. E sabe que mostrar esse tipo de abertura vai ajudar a amenizar a imagem de “homem da Uefa” que ele inevitavelmente irá carregar. Até porque sabemos que ele é o candidato da Europa, apoiado pelas principais federações do continente e por figuras importantes também de lá.

A eleição da Fifa é no dia 26 de fevereiro e além de Infantino, concorrem ao cargo o francês Jerome Champagne, ex-secretário-geral da Fifa; o príncipe da Jordânia e presidente da Federação de Futebol o país, Ali Al Hussein; o xeque Salman Bom Ebrahim Al Khalifa, do Bahrein; e o empresário sul-africano Tokyo Sexwale.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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