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Uma revolução vem aí? Fifa promete introduzir de vez a tecnologia para ajudar arbitragem

Os velhinhos da International Board, enfim, parecem estar abertos a revolucionar a maneira como a arbitragem atua no futebol. A Fifa anunciou nesta quinta-feira as principais discussões do Encontro Anual de Negócios da entidade que determina os rumos das Regras do Jogo. E a afirmação é de que a mesa diretora deu uma “forte recomendação” para que os experimentos com tecnologia sejam aprovados na reunião anual da International Board, marcada para o início de março. No próximo evento, os “velhinhos” ratificarão as adaptações nas regras para o próximo ciclo anual do futebol internacional.

Nesta quinta, os dirigentes aproveitaram o seu encontro para discutir a maneira como estes testes com auxílio da tecnologia poderão ser organizados. Segundo a Fifa, uma série de federações já se ofereceu para participar do programa. Além disso, os membros da entidade também analisaram as opções de equipamentos disponíveis para ajudar a arbitragem, com a presença de representantes da indústria especializada.

Entre outras medidas debatidas no encontro, esteve também a adaptação da linguagem usada nas Regras do Jogo, assim como a questão da “tripla punição”, quando um jogador comete pênalti e é expulso. Contudo, a temática principal se concentrou mesmo nas possibilidades eletrônicas oferecidas para aprimorar a arbitragem.

A International Board já tardou demais os testes sobre o uso de tecnologia no futebol. Enquanto outros esportes aprimoravam as suas técnicas, o que se via nos gramados eram inovações tímidas diante da tecnologia disponível, enquanto os erros se repetem aos montes. É claro que a introdução precisa ser feita com parcimônia, a partir de estudos, para que o futebol não perca uma de suas maiores virtudes: a dinâmica. De qualquer maneira, se é possível evoluir neste sentido, a discussão precisa ser constante. E, como a própria Fifa declarou, “um grande passo à frente” neste sentido deverá ser tomado em março.

Abaixo, reproduzimos uma linha do tempo que publicamos em 2013, no especial sobre os 150 anos do futebol, com as mudanças feitas nas regras do futebol ano a ano:

O futebol praticado em 2013 é bem diferente daquele regulamentado há 150 anos. Para se ter uma ideia, os toques com a mão eram permitidos – e por qualquer jogador em campo. Os goleiros não existiam. Nem o passe para frente. Os gols sequer eram delimitados em sua altura. E as Regras do Jogo não eram 17, como hoje, mas apenas 13 – o impedimento, o árbitro, o tempo e o pênalti foram introduzidos somente nos anos seguintes. Nas próximas linhas, confira como foi a evolução das regras do futebol a partir da criação da Football Association, em 1863:

1865 – As traves passam a ter uma fita entre elas, para delimitar a altura do gol. O protótipo do travessão, instituído apenas dez anos depois.

1866 – Os passes para frente foram legalizados, desde que três adversários estivessem entre o recebedor e o gol. Aí nasceu a regra do impedimento. Além disso, pegar a bola com as mãos no ar passou a ser proibido, tornando cabeçadas e matadas no peito comuns.

1869 – Nasce o tiro de meta. Antes, a bola que saísse pela linha de fundo era do time que a pegasse primeiro, ganhando uma cobrança de falta.

1871 – Apenas um jogador passa a poder pegar a bola com as mãos. Nasce o goleiro.

1872 – Os goleiros só podem pegar a bola com as mãos no próprio campo. Os escanteios são introduzidos.

1874 – Os árbitros passam a existir, um para cada lado do campo. Antes, as discussões sobre as jogadas eram feitas pelos capitães. No mesmo ano, os times passam a trocar de campo depois do intervalo, o que acontecia a cada gol.

1877 – O tempo de jogo é fixado em 90 minutos.

1891 – Os pênaltis são introduzidos. Podem ser cobrados de qualquer posição a 12 jardas do gol. A criação se deu depois que um jogador espalmou uma bola no último minuto de um jogo da Copa da Inglaterra. Também naquele ano, um novo árbitro passou a entrar em campo e os dois que já existiam passaram a atuar como assistentes. E os gols ganharam redes.

1892 – Foram criados os acréscimos, depois que um goleiro chutou a bola para fora do campo, a fim de evitar a cobrança do pênalti. Quando a bola foi devolvida, o tempo já tinha acabado.

1895 – Os laterais passam a ser dos oponentes do time que tocou a bola por último. Antes, eram de quem pegasse a bola primeiro.

1902 – As áreas foram criadas

1904 – A lei da vantagem passa a ser aplicada pelos árbitros.

1907 – Um jogador não pode estar impedido em seu próprio campo.

1912 – Os goleiros têm suas ações com a mão delimitadas à própria área. Além disso, eles precisam vestir uniformes diferentes aos dos companheiros.

1924 – Os gols de escanteio são permitidos. A Argentina anota o primeiro, contra o Uruguai, o então campeão olímpico. Assim foi batizado o ‘gol olímpico’.

1925 – A lei do impedimento passa a ser considerada a partir de dois jogadores entre o receptor do passe e o gol, não mais três.

1939 – Os números na camisa se tornam obrigatórios.

1958 – Uma substituição é permitida, mas só em caso de lesão. Doze anos depois, duas substituições passam a valer, mesmo que por razões táticas.

1970 – Os pênaltis passam a decidir jogos empatados. O sistema de cartões são criados, baseados nos semáforos de trânsito.

1992 – Os goleiros são proibidos de agarrar bolas recuadas por seus companheiros com os pés.

1993 – É criada a área técnica à beira do campo.

1995 – Três substituições são permitidas.

2012 – A tecnologia na linha do gol é utilizada em competições oficiais da Fifa.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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