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Platini e Blatter são inocentados em tribunal suíço e Platini detona: “Sete anos de mentiras e manipulação”

Acusação era de um pagamento ilegal da Fifa, autorizado por Blatter, a Platini, em 2011, e francês diz que finalmente a justiça foi feita

O ex-jogador e ex-presidente da Uefa Michel Platini, de 67 anos, e o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, de 86 anos, foram absolvidos das acusações de fraude em julgamento na Suíça. Os dois eram acusados de organizar um pagamento ilegal de 2 milhões de francos suíços (cerca de € 2 milhões) em 2011. Com isso, os dois são absolvidos de acusações que causaram afastamentos do mundo do futebol, especialmente Platini – já que Blatter enfrenta outras acusações.

A acusação tratava de um pagamento da Fifa, então dirigida por Blatter, para Platini, então presidente da Uefa e um dos vice-presidentes da Fifa. Os dois explicaram que o pagamento para Platini foi por ser serviço de consultoria prestado de 1998 a 2002, autorizado por Blatter em janeiro de 2011. Houve suspeitas de irregularidade no pagamento e os dois dirigentes acabaram afastados.

Os promotores suíços defenderam que “o pagamento foi feito sem uma base legal” e “enriqueceu ilegalmente Platini”, argumento que o juiz do caso não aceitou. Os dois foram inocentados das acusações e Platini voltará a receber os 2 milhões de francos suíços.

“Quero expressar minha felicidade por todas as pessoas próximas que me amam que a justiça foi finalmente feita após sete anos de mentiras e manipulação. A verdade veio à luz durante este julgamento e agradeço profundamente aos juízes do tribunal independente por sua decisão”, afirmou Platini, depois do julgamento.

“Continuei dizendo isso: minha luta é uma luta contra a injustiça. Ganhei um primeiro jogo. Neste caso, há culpados que não compareceram durante este julgamento. Deixe que eles contem comigo, porque eu não desistirei e irei até o fim na minha busca pela verdade”, disse ainda Platini. Aos 67 anos, inocentado do processo na justiça, ele pode retomar a ideia de voltar ao futebol como dirigente, como era o seu desejo.

Blatter também se manifestou. “Não estou falando sobre a Fifa, não estou falando sobre corrupção, estou falando sobre mim. Eu não fiz nada errado. Estou com a minha consciência limpa, estou limpo em meu espírito”, disse o ex-presidente da Fifa de 1998 a 2015.

A Fifa também se manifestou sobre o caso. “A Fifa nota o veredito do tribunal em relação ao caso aberto pelo escritório do promotor geral e aguardaremos o julgamento completo e fundamentado antes de comentarmos mais”, disse a entidade, em nota.

Como resultado do julgamento, Blatter e Platini terão custos do processo pagos pela parte derrotada, que foram de 80 mil francos e 140 mil francos, respectivamente, a cada um. Blatter ainda aceitou um pagamento de 20 mil francos por danos morais em relação à acusação. Platini recusou uma oferta similar, mas poderá ter acesso novamente aos 2 milhões de francos suíços que geraram o processo e estavam bloqueados, segundo informou a Swiss Info.

Como surgiu a acusação

Blatter comemora sentença que o inocentou (FABRICE COFFRINI/AFP via Getty Images)

É importante entender o contexto em que foi feita a acusação. Platini era considerado o nome mais forte para suceder Blatter na presidência da Fifa. A ideia de Platini era concorrer à presidência na eleição de 2011 contra Blatter, mas o francês desistiu para concorrer a mais um mandato na Uefa e tentaria a eleição na Fifa em 2015, quando Blatter dizia que deixaria o cargo. Por isso, o pagamento a Platini naquele momento foi considerado suspeito.

Platini continuava como um candidato muito forte à presidência da Fifa na eleição de 2015, especialmente após Blatter renunciar ao cargo em meio ao escândalo Fifagate, em maio de 2015. Só que logo depois da saída de Blatter, Platini foi envolvido na sujeira da Fifa com a acusação que o pagamento de Blatter a ele teria sido ilegal. Com isso, ele foi suspenso provisoriamente da presidência da Uefa, assim como Blatter, pelo Comitê de Ética da Fifa. E não voltaria mais.

Platini se sentiu arrastado à lama junto com Blatter e acusou o ex-presidente da Fifa dizendo que ele “é a pessoa mais egoísta que já conheci na vida”. Se sentiu injustiçado, mas teve que cumprir um afastamento de quatro anos, até outubro de 2019. Enquanto na Uefa Aleksander Ceferin assumiu o cargo de Platini em 2016, na Fifa quem venceu a eleição foi Gianni Infantino.

Platini, assim como Blatter, levou a suspensão que recebeu do Comitê de Ética da Fifa ao Comitê de Apelações da Fifa e posteriormente ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), mas acabaram tendo os recursos negados. Platini sempre alegou que havia uma conspiração para que ele não fosse eleito presidente da Fifa.

Em 2019, prestes a sair da suspensão, ele comentou sobre a acusação. “Você acha que com todo o dinheiro que eu ganhei durante a minha carreira que eu mataria a minha história por 2 milhões de francos suíços?”, afirmou Platini. “Se Blatter tivesse me dito que ele não poderia me pagar por alguma razão, isso estaria ok. Mas sobre pedir o dinheiro eu não me arrependo, de forma alguma”, disse o ex-presidente da Uefa na época.

Foi só em 2020 que a acusação de pagamento ilegal de Blatter a Platini foi para os tribunais suíços. Já durante o julgamento, no início de junho, Blatter alegou que o pagamento a Platini não teve nada de ilegal e foi “um acordo de cavalheiros”. No fim, os dois tiveram a carreira encerrada como dirigentes de futebol. No caso de Blatter, muito mais pela forma insustentável que a sua gestão ficou depois do Fifagate. Platini pela suspensão que recebeu por esse caso do qual foi inocentado.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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