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Patrocinadores cobram transparência e pedem auditoria externa nas reformas da Fifa

A pressão por mudanças na Fifa ganhou apoiadores importantes. Fundamentais, se pensarmos na estrutura da entidade que dirige o futebol mundial: cinco dos seus principais patrocinadores. Adidas, Budweiser, Coca-Cola, Visa e McDonald’s enviaram uma carta ao Comitê Executivo cobrando “supervisão independente” do processo de reforma. O grupo se reúne nesta semana para discutir as mudanças, que incluem mais mecanismos de prestação de contas e igualdade de gêneros.

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Segundo a agência AP, foi prometido aos patrocinadores que eles teriam lugares no Comitê de Reforma, o que incluiria reuniões para discutir as mudanças na organização. Isso não aconteceu. Foi oferecido um lugar em um conselho consultivo, que sequer foi formado. Considerando o histórico da Fifa e as denúncias, os patrocinadores resolveram cobrar publicamente por mais transparência e prestação de contas, especialmente com a auditoria externa. É uma cobrança forte de quem mais coloca dinheiro na Fifa – o que, portanto, deve fazer com que sejam ouvidos.

Vale perceber que a maioria das empresas é americana. Só a Adidas é alemã e a Anheuser-Busch InBev, que é belga, embora seja dona de uma marca americana, a Budweiser. Hyundai, empresa sul-coreana, e Gazprom, que é russa, não foram citadas e nem assinaram a carta enviada pelos demais patrocinadores.

A Hyundai tem um dos seus maiores acionistas, Chung Mong-joon, como ex-presidente da Federação Sul-Coreana de Futebol, um dos vice-presidentes da Fifa e que foi suspenso por 15 anos da entidade, em outubro, por corrupção. Ele teria pago subornos para a candidatura sul-coreana visando a Copa do Mundo de 2022.

A Gazprom, por sua vez, é uma empresa russa que tem ligações com a Uefa, patrocinando a Champions League, além de patrocinar clubes, como o Zenit (do qual, além de patrocinadora, é dona), o Chelsea (que é do russo Roman Abramovich, empresário que já foi acionista de uma das empresas do grupo Gazprom), o Schalke 04 e o Estrela Vermelha, da Sérvia. Além disso, a Gazprom fez acordo de patrocínio com a Fifa de 2015 a 2018, incluindo na Copa do Mundo na Rússia, seu país de origem.

Dá para entender, portanto, o que faz com que nem Hyundai nem Gazprom se manifestem contra a Fifa.

Veja o comunicado enviado pelas patrocinadores aos membros do comitê executivo:

Como patrocinadores e apoiadores de longa data do futebol em todos os níveis, AB InBev [dona da marca Budweiser], adidas, The Coca-Cola Company, McDonald’s e Visa querem ver a Fifa efetivamente retomar a sua missão de desenvolver o grande esporte que é o futebol ao redor do mundo. Nós sabemos que vocês, os membros do Comitê Executivo, irão em breve avaliar uma lista de reformas com objetivo de fortalecer a governança da Fifa. Nós pedimos que urgentemente vocês abracem mudanças positivas e reconheçam que este é apenas um passo na direção de criar um futuro de credibilidade para a Fifa.

Nós queremos enfatizar a vocês os valores e características que nós acreditamos que devem ser incorporados durante as reformas. Transparência, prestação de contas, respeito pelos direitos humanos, integridade, liderança e igualdade de gêneros são cruciais para o futuro da Fifa. Reformas podem definir o alicerce para estas características, mas uma mudança cultural também é necessária. A mudança de cultura tem que começar dentro da Fifa e chegar às Confederações e Federações da Fifa.

Nós estamos cientes do trabalho positivo que o Comitê de Reforma tem feito na reforma da governança, mas nós ainda acreditamos que quaisquer reformas deveriam ser sujeitos de uma supervisão independente. Também ficou claro para nós que tal supervisão independente precisa ser executada a longo prazo através da implementação e evolução do processo de reforma. Nós encorajamos vocês a se tornarem campeões desta supervisão independente, uma vez que isto irá apenas reforçar a credibilidade da Fifa.

Mais uma vez, queremos enfatizar que estamos pedindo a vocês para abraçarem as mudanças, implementar reformas, endossar uma abordagem de supervisão independente de longo prazo e iniciar a mudança cultural porque todos nós queremos ver o futebol prosperar.

As ações que vocês tomam com esta primeira rodada de propostas de reforma irão definir o tom para todo o Congresso apoiar o processo de reforma.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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