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Multas contra homofobia são insuficientes, diz organização anti-discriminação da Fifa

Virou uma constante: várias vezes por ano, depois de jogos de seleções, as datas Fifa, são divulgadas punições a seleções que tiveram torcidas com cantos homofóbicos. Multas são aplicadas em valores irrisórios para estas instituições, enquanto o problema segue sendo ignorado. A entidade responsável por monitorar e fazer relatórios sobre discriminação na Fifa pediu punições mais pesadas para as seleções, porque o que está acontecendo, até aqui, não dá resultado algum.

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“É multa atrás de multa, mas é preciso uma punição mais dura”, afirmou Piara Powar, da Football Agains Racismo in Europe (“Futebol contra o Racismo na Europa – Fare), organização escolhida pela Fifa para monitorar discriminação.

Segundo a Fifa, as punições são definidas caso a caso. A entidade pode desqualificar um time de uma competição por ofensas graves, mas predominantemente trata de casos de racismo, xenofobia e homofobia com multas leves.

Sete países foram punidos por ofensas homofóbicas ou racistas na última rodada das Eliminatórias da Copa 2018. A Argentina foi punida com 75 mil francos suíços (R$ 241 mil), enquanto o Chile sofreu punição de 35 mil francos suíços (R$ 112 mil) e foi punido oito vezes nos últimos dois anos.

Os chilenos, aliás, foram os únicos a sofrer uma punição mais pesada: perderam o mando do estádio em Santiago e tiveram que jogar em outra cidade. Mesmo assim, a medida ainda é discutível, já que o Chile poderia continuar jogando em casa em qualquer lugar do país. Seria como o Brasil ser punido por cantos homofóbicos no estádio de Cuiabá, mas poder mandar jogos em Brasília. Não muda muito.

A Fifa também puniu outros países, como o próprio Brasil, Equador, México e Panamá, além da Hungria na Europa. Cinco países europeus foram punidos por comportamento discriminatório nas Eliminatórias, incluindo a campeã do mundo, Alemanha, que teve torcedores fazendo cânticos nazistas na última rodada das Eliminatórias.

Segundo o código disciplinar da Fifa, cantos discriminatórios de qualquer espécie devem ser unidos com multa mínima de 30 mil francos suíços (R$ 96 mil). Ainda segundo o código disciplinar, o time ainda pode ser punido a jogar com portões fechados, dedução de pontos ou mesmo desqualificação da competição. Estas, porém, raramente são aplicadas, ou são aplicadas como no caso do Chile.

Em 2015, depois do furacão do Fifagate, a Fifa incumbiu a Fare a monitorar e reportar sobre discriminações nas Eliminatórias da Copa. Powar, responsável pela Fare, diz que é preciso banir mais estádios como punição, além de obrigar esses países a programas de educação.

“Se você olhar o Código Disciplinar da Fifa, não menciona especificamente cantos homofóbicos. Essas regulações precisam mudar”, analisou Powar. “Nós continuamos a ter conversas com a Fifa e iremos encontrar com eles novamente para discutir estas questões no próximo ano”.

Segundo a Fifa, além de analisar as circunstâncias caso a caso e estudar os relatórios feitos pela Fare, a entidade também analisa quais medidas a federação tomou para evitar esse tipo de problema, como campanhas contra homofobia. O México, punido nove vezes por isso, passou a investir em campanhas para conscientização das pessoas.

A Concacaf, que dirige o futebol da América do Norte, Central e Caribe, disse que os seus membros estão trabalhando para melhorar a conscientização nesse aspecto, incluindo México e Panamá, que foram punidos.

O que está claro é que ou a Fifa considera esta uma questão relevante e ela mesma cria campanhas de conscientização – quem sabe com o dinheiro que ela arrecada com as multas, que ninguém sabe para onde via -, ou então ela tá enxugando gelo e fazendo política. Desconfiamos que é só o segundo caso mesmo, embora devesse ser o primeiro.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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