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Mais sujeira: Fifa pagou para Irlanda desistir de processo após mão de Henry em 2009

Lembra do episódio da mão de Thierry Henry na repescagem europeia para a Copa do Mundo de 2010, no jogo entre França e Irlanda? A mão de Henry no lance permitiu que o gol de Gallas, eliminando os irlandeses. Talvez você não se lembre, mas a Irlanda entrou com um processo para a anulação do jogo. O presidente da federação iralndesa de futebol (FAI – Football Association of Ireland), John Delaney, declarou que a entidade recebeu dinheiro da Fifa para desistir do processo por uma vaga na Copa do Mundo.

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Naquela repescagem, a França venceu o jogo de ida em Dublin por 1 a 0, mas perdeu o jogo de volta pelo mesmo placar. Com isso, a disputa foi para a prorrogação no Stade de France, em Paris, e foi no tempo extra que Henry dominou a bola claramente com a mão, o árbitro Martin Hansson, da Suécia, não marcou, e o atacante cruzou para o zagueiro Galas marcou o gol de empate por 1 a 1, que classificou o time para a Copa do Mundo.

“Nós sentimos que tínhamos um processo contra a Fifa porque como a repescagem da Copa do Mundo foi jogado não funcionou para nós por causa do lance de mão de Henry”, contou o dirigente da FAI, em entrevista à RTE Radio 1, da Irlanda. “Também a forma como Blatter se comportou, se você lembra àquela altura, dando de ombros e rindo de nós. Naquele dia, quando eu entrei, eu disse como eu me sentia sobre ele, usei alguns palavrões. Nós chegamos a um acordo”, disse ainda Delaney.

“Aquilo foi em uma quinta-feira e na segunda o acordo foi assinado e tudo estava acertado. Foi um acordo muito bom para a FAI e um acordo muito legítimo para a FAI. Eu estou proibido pelo acordo de confidencialidade de revelar o valor”, declarou ainda o dirigente.

Perguntado se o valor tinha sido de € 5 milhões, ele desconversou, dizendo que não poderia revelar. “Você disse um número e sendo honesto com você foi um pagamento para a federação não seguir com o processo. Nele, eles assinaram um acordo de confidencialidade no qual eu não posso falar sobre os valores envolvidos. Você falou um valor, parabéns para você, mas foi um acordo muito bom e legítimo para a FAI”, explicou.

O dirigente, porém, garantiu que o dinheiro não foi para ele, e sim para a FAI. Também negou que tenha recebido qualquer proposta de suborno. “Não, não, não, não, não. Não no meu salário”, disse. “Foi tão limpo quanto possível, mas há três membros da Uefa sob suspeita, o cipriota, o espanhol e o turco, eles estão todos sob investigação também. Mas eu nunca estive em posição de receber nada, então eu nunca ganhei um campeonato ou alguma coisa assim. Veja, eu sou pago para fazer um trabalho e eu sou que eu sou muito bem pago, estou muito feliz com o trabalho, se alguém vier para mim e me oferecer suborno, eu diria, porque me ofereceram suborno e não conseguiriam nada”, ele se defendeu.

E parece que Delaney estava com a língua solta e resolveu falar sobre a forma como Blatter conduzia o seu rebanho, citando um episódio que ele testemunhou.

“Eu estava em um Congresso da Fifa em Marrocos quando um cara de Timor Leste, eles tinham acabado de entrar como membro da Fifa. E por quatro vezes o presidente de Timor Leste chamou Blatter de ‘sua excelência’. Ele o presenteou com algum tipo de espado. Eu me voltei ao presidente David Blood e disse que se Blatter se virasse e atirasse em alguém na frente dele, o Timor Leste provavelmente ainda votaria nele. Assim que ele era reverenciado. Ele era brilhante nisso. Você precisa dar a ele algum crédito, eu não o admiro de modo algum, mas ele é resiliente, e foi preciso uma onda de impulso para finalmente fazê-lo sair. Ele foi brilhante dividindo e conquistando”, descreveu Delaney.

O buraco que esse escândalo na Fifa abriu parece ser sem fim. Aparentemente, estamos vendo só o começo, porque ele é muito fundo e há muita sujeira ainda para sair daí.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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