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Já imaginou um Netflix de esportes com os principais eventos de futebol ao vivo? Nos EUA já tem

Gostar de esportes muitas vezes faz com que você gaste um bom dinheiro para poder acompanhar os melhores campeonatos do mundo. Muitas vezes isso significa assinar pacotes de TV por assinatura caros, que incluam os canais de esportes e mais dezenas de outros que você sequer sabe que existem. Nos Estados Unidos, surge uma alternativa viável: um serviço de streaming, que inclui todos os mais importantes canais que transmitem esportes no país. O fuboTV anunciou a inclusão de novos canais no seu pacote e se tornou o melhor jeito de assistir aos mais diversos esportes por lá – incluindo futebol.

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A fuboTV é um serviço de streaming que tem como foco o esporte e o entretenimento.  Nesta semana, a fuboTV anunciou a inclusão da NBC, Fox Sports e Telemundo, além de já ter canais da NBA TV, The Big Tem Network e A&E. Diversos canais das emissoras citadas começam a fazer parte do serviço, somando mais de 70 canais, com uma variedade de emissoras nacionais até locais de esporte, como da própria NBC e Fox.

“O anunciou de hoje sublinha o nosso comprometimento com nossos assinantes em oferecer uma linha robusta de esporte Premium e entretenimento, das melhores marcas de mídia no mundo”, disse o CEO e um dos fundadores da fuboTV, David Gandler. “Estamos igualmente determinados a gerar um valor significativo para a nossa lista de parceiros de mídia em expansão, para além de taxas de licenciamento – alavancando nossas capacidades técnicas para atender aos desafios de monetização exclusivos para transmissão ao vivo”.

Tá, são muitas emissoras, as o que isso significa para os americanos e canadenses que podem assinar o serviço? Que eles poderão assistir Premier League, La Liga, Liga MX, MLS e jogos da seleção americana pelo serviço da fuboTV. Tudo isso será oferecido por US$ 34,99 e não exige nenhuma assinatura de TV a cabo. Isso sem falar em outros esportes: beisebol, futebol americano, NBA, esportes universitários, boxe, críquete, golfe, hóquei, rúgbi, tênis, automobilismo, MMA… A oferta de esportes é grande.

A grande falta da fuboTV até aqui é a ESPN, que é o maior canal de esportes americano. Não dá para dizer que não faz falta, porque evidentemente faz. Só que para quem é fã de futebol, não faz muita diferença. Por lá, a ESPN oferece pouca coisa em relação a futebol – o nosso, não o deles.

Este tipo de serviço é o que se convencionou a chamar de OTT (over-the-top), serviços oferecidos pelas emissoras diretamente ao consumidor. Isso já acontece em parte, tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil. A diferença é que em geral, é necessário ser assinante de uma TV acabo para ter acesso ao conteúdo.

É possível assistir ao SporTV pelo Globosat Play; ESPN pelo WatchESPN; Fox Sports pelo Fox Play, Premiere pelo Premiere Play. O único canal que oferece o serviço diretamente para o consumidor, sem passar pelas operadoras, é o Esporte Interativo com o seu EI Plus – o que inclusive foi motivo de disputa no momento que o canal tentava entrar na grade destas mesmas operadoras.

E por que mais canais não oferecem esse serviço diretamente ao consumidor? Bom, há dois motivos importantes. O primeiro é que cada canal recebe uma quantia de dinheiro pelo número de assinantes que tem. Isso gera um montante alto para muitos dos canais, que, para ser igualado por um serviço OTT, teria que ter um preço de assinatura alto.

Isso porque nem todo mundo que tem o SporTV no seu pacote de TV a cabo faz questão de ter o canal. Mas o canal recebe por esse assinante que quer ter HBO em casa e assina um pacote alto, que inclui o canal esportivo. Em uma venda direta, o número de assinantes tende a diminuir. Isso impacta diretamente, por exemplo, na capacidade destes canais em comprar direitos de transmissão, que estão cada vez mais caros (em uma bolha que parece prestes a estourar, mas este é um assunto para outro texto). Ou seja: entrar nessa pode significa não conseguir manter os direitos de transmissão que a emissora já tem em um futuro próximo.

O segundo motivo para os canais relutarem tem a ver com o primeiro: comprar uma briga com as operadoras de TV por assinatura. Afinal de contas, se todos os canais puderem oferecer o seu serviço OTT, as operadoras passam a fazer menos sentido. Até como uma reação a isso, estas mesmas operadoras estão tentando criar pacotes mais personalizáveis, atendendo mais pessoas. Mesmo assim, ainda é difícil assinar alguns poucos canais que você assiste sem pagar muito por isso.

Por tudo isso, o que a fuboTV está fazendo pode ser uma alternativa interessante. Os canais não precisam oferecer esse serviço de assinatura direto, eles apenas se associam a uma operadora, que no caso é a fuboTV, mas que oferece seu serviço focado em esportes. Não entra na briga com as operadoras e continua recebendo por estar nelas, mas passa a oferecer o seu serviço com um foco bem mais específico. Acaba sendo bom para todos os envolvidos e obriga as tradicionais operadoras a se mexerem para não perderem esse mercado.

O que a fuboTV está mostrando é que há um espaço para ser preenchido por esse tipo de serviço. Um Netflix de esportes pode atender à necessidade de fanáticos por esporte. Muita gente (e isto inclui este que escreve o texto) assina TV a cabo só por causa dos canais de esporte. E para ter todos, você sabe que não basta ter o pacote básico, mesmo que isto signifique ter dezenas de canais que nem sei quais são, nem onde ficam, nem o que transmitem.

Fica aí a dica para quem quiser criar um serviço como esse no Brasil. Nós gostaríamos muito. O problema é que a o maior canal aqui é a Globo, que tem ligação com as operadoras de TV por assinatura. É a ESPN para os americanos. Seria difícil convencê-la a entrar em um projeto como esse. Mas é possível, quem sabe, com um plano de negócios interessante. Só pelo que se cobra pelo Premier atualmente, para podermos ver o Brasileirão na íntegra, poderíamos ter um serviço como esse… Sonhar, ao menos, não custa nada.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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