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Investigação contra Infantino é arquivada e presidente da Fifa dispara: “Pobres, invejosos e corruptos”

Justiça da Suíça investigava o presidente da Fifa desde 2020, mas chegou à conclusão que não havia elementos para indiciá-lo e arquivou o caso

A Fifa anunciou que os procedimentos criminais contra Gianni Infantino, seu presidente, foram arquivados pela promotoria da Suíça, sem qualquer indiciamento. A investigação foi aberta em 2020 por uma reunião do dirigente com o ex-procurador-geral da Suíça, Michael Lauber. Infantino comemorou a decisão, dizendo que era uma vitória dele e da Fifa, e foi além ao dizer que as pessoas que o acusaram são “pobres, invejosas e corruptas”.

Os procuradores confirmaram nesta quinta-feira (26) que as investigações invalidaram as suspeitas contra Infantino. As investigações analisaram reuniões entre Infantino e Michael Lauber, além do procurador-chefe do Alto Valais (região da Suíça), Rinaldo Arnold. Infantino se encontrou duas vezes com Lauber em 2016 e uma vez em 2017. Lauber era o responsável pela investigação de corrupção na Fifa e, por isso, os encontros geraram suspeitas.

A suspeita quando as investigações foram abertas eram que “o Procurador-Geral da Suíça estava sendo instrumentalizado pela Fifa”. Em comunicado, a promotoria descartou isso. “Contudo, as investigações feitas não apoiaram as suspeitas acima mencionadas, ao contrário disso, as invalidaram”. Foi a segunda investigação contra Infantino arquivada este ano. Ele era investigado pelo uso de um jato privado em 2017, mas não foram encontradas irregularidades.

Lauber se demitiu da sua posição ainda em 2020, logo que a investigação surgiu. Na época, um tribunal federal determinou que ele mentiu em relação às reuniões com Infantino. Caso fosse provado que Infantino tentou interferir de qualquer forma na investigação, isso se caracterizaria como um crime na Suíça. Essa foi a investigação que acabou não levando a nenhuma conclusão contra os acusados.

O procurador federal especial da Suíça, Stefan Keller, estava no caso até maio de 2021, mas foi removido após uma reclamação bem-sucedida da Fifa sobre quatro comunicados de imprensa feitos pelo seu departamento, que a entidade que dirige o futebol mundial alegou que demonstravam “parcialidade extrema”.

Quem assumiu o caso substituindo Keller foram os procuradores Hans Maurer e Ulrich Weder. Após chefiarem as investigações, a conclusão foi que não houve elementos suficientes para indiciar os envolvidos. As suspeitas que o dirigente estaria usando o cargo em benefício pessoal não teve elementos que se provassem.

Embora Infantino seja uma figura muito questionável quando se fala sobre as decisões esportivas que toma, como, por exemplo, o aumento da Copa do Mundo para 48 seleções, para ficar no mais famoso, este caso em particular parecia uma forçada de barra da Promotoria Suíça, porque não mostrava ter elementos ao longo de todo esse processo.

Gianni Infantino foi eleito em 2016 para ser presidente da Fifa, substituindo Joseph Blatter, que renunciou após o escândalo do Fifagate, que tratava, especialmente, de corrupção. Infantino, que era secretário-geral da Uefa antes disso, se reelegeu mais duas vezes, em 2019 e 2023. Desde 2020 ele também é membro do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Infantino dispara: “Pessoas pobres, invejosas e corruptas”

A decisão foi considerada uma grande vitória par a Fifa, que colocou um comunicado em seu site para celebrar. “A Fifa toma nota, com extrema satisfação, da decisão dos dois Procuradores Federais Extraordinários, Hans Maurer e Ulrich Weder, de arquivar e encerrar definitivamente o processo contra Gianni Infantino em relação ao chamado ‘caso Lauber’”, diz nota da Fifa. “O resultado dessa investigação é obviamente nada surpreendente. O único elemento surpreendente é o longo tempo levado para chegar a uma conclusão tão óbvia”.

O comunicado ainda traz declarações do próprio Gianni Infantino sobre o caso. “Esta é uma vitória total e clara para mim, para a nova Fifa e para a Justiça”, diz a nota. “Está claro agora que as acusações contra mim foram meras tentativas de pessoas pobres, invejosas e corruptas para atacar a minha reputação”, declarou o presidente da Fifa.

“Se essas pessoas tiveram alguma dignidade restante, elas deveriam ao menos ter a decência e se desculparem por suas ações e pelos danos causados”, disse ainda Infantino. “De fato e sem surpresa, a investigação confirma completamente e claramente que sempre agi de forma lícita e correta, defendendo sempre exclusivamente os interesses da Fifa e do futebol”.

Parece não haver dúvida que Infantino defende os interesses da Fifa. A questão é se os interesses da Fifa são os interesses do futebol, como o dirigente alega. Não é preciso cometer crimes ou irregularidades para tomar más decisões e algumas das decisões tomadas por Infantino são bastante criticáveis. A sua postura também, como, por exemplo, quando ele disse, de forma absolutamente ridícula, que se sentia “catariano, mulher e homossexual”, durante a Copa do Mundo.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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