Copa do Mundo

Deu a louca no presidente da Fifa: o discurso bizarro de Infantino no Catar

Na véspera da estreia da Copa do Mundo, Gianni Infantino, presidente da Fifa, defendeu o Catar e se colocou no lugar dos oprimidos

A Copa do Mundo está prestes a começar e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, deu uma entrevista coletiva em Doha para falar sobre o evento. Há vários tópicos a serem abordados e o dirigente tratou de forma um tanto curiosa as questões endereçadas. Defendeu o Catar de uma forma que ele nem precisava fazer. E ainda se colocou no lugar dos grupos marginalizados ou mesmo oprimidos, em uma comparação um tanto maluca.

“Hoje tenho fortes sentimentos. Hoje me sinto catariano, me sinto árabe, me sinto africano, me sinto gay, me sinto deficiente, me sinto um trabalhador imigrante”, afirmou o presidente da Fifa. “Me sinto mulher também”.

“Aprendemos muitas, muitas lições de alguns europeus, do mundo ocidental”, disse ele. “Acho que pelo que nós, europeus, temos feito nos últimos 3.000 anos, devemos nos desculpar pelos próximos 3.000 anos antes de começar a dar lições de moral às pessoas”, continuou Infantino.

“Centenas de milhares de trabalhadores vem e ganham, eles ganham 10 vezes mais do que nos seus próprios países, e eles ajudam suas famílias a sobreviver. E eles fazem isso de forma legal. Nós, na Europa, fechamos nossas fronteiras e praticamente não permitimos muitos trabalhadores desses países de trabalharem legalmente”, continuou o presidente da Fifa, desta vez falando sobre os trabalhadores imigrantes no Catar.

“Se a Europa realmente se preocupa sobre o destino dessas jovens pessoas, a Europa faria como o Catar fez, criaria alguns canais legais, onde ao menos um número, uma porcentagem desses trabalhadores, poderiam vir. Essa lição moral, apenas de um lado, é apenas hipocrisia. Me pergunto por que ninguém reconhece o progresso que fizemos desde 2016?”, afirmou o presidente da Fifa.

O presidente da Fifa insistiu que os direitos de pessoas LGBTQ+ estariam protegidos no Catar, algo que já era difícil de acreditar e ficou ainda mais com a volta atrás do país em vender cerveja, como foi combinado com a Fifa. “Eles confirmaram e posso confirmar que todo mundo será bem-vindo. Se você tem uma pessoa aqui e ali que diz o oposto, não é a opinião do país, certamente não é a opinião da Fifa”.

Ao mesmo tempo, Infantino admite que a lei do Catar deveria avançar mais e que o momento não é exatamente acolhedor. “Como os trabalhadores, há processos. Se você quer ficar em casa para dizer o quanto eles são malvados, esses árabes, esses muçulmanos, porque não é permitido ser publicamente gay. Eu acredito que deve ser permitido. Mas é um processo”, justificou o dirigente. “Se alguém acha que martelar e criticar algo vai conseguir alguma coisa, bom, posso dizer a vocês que acontecerá exatamente o oposto porque as ações serão fechar mais as portas”.

Outro assunto abordado pelo dirigente da Fifa foi a questão dos “torcedores falsos”. Há suspeita que pessoas estão sendo pagas para se passarem por torcedores. O presidente da Fifa acusou a imprensa de ser racista em relação a isso. “Alguém que parece talvez com um indiano não pode torcer para Inglaterra, ou para a Espanha ou para a Alemanha? Você sabe o que sobre isso? Isso é racismo. Isso é puro racismo. E temos que parar com isso”.

Um dos assuntos mais polêmicos, que surgiu nesta sexta-feira, foi a proibição de venda de cerveja ao redor do estádio, como estava combinado de acontecer. A venda de cerveja será restrita às Fan Fests. “Se esse é o principal problema que temos para a Copa do Mundo, então vou renunciar imediatamente e vou para a praia relaxar”, disse Infantino, ironicamente.

“Deixe-me primeiro garantir que todas as decisões tomadas nesta Copa do Mundo são uma decisão conjunta entre o Catar e a Fifa. Haverá muitas fan zones onde você poderá comprar bebidas alcoólicas no Catar e os torcedores poderão beber bebidas alcoólicas simultaneamente. Acho que se durante três horas por dia você não puder beber uma cerveja, você sobreviverá”, continuou o presidente da Fifa.

“As mesmas regras se aplicam na França, Espanha, Portugal e Escócia. Aqui se torna uma grande coisa porque é um país muçulmano? Eu não sei por quê. Tentamos e é por isso que tivemos uma mudança tarde de política. Tentamos ver se era possível”, continuou.

“Se vocês precisam criticar alguém, não coloquem pressão nos jogadores, nos técnicos. Se vocês querem criticar, vocês podem me crucificar. Você não critica o Catar. Deixem as pessoas aproveitarem esta Copa do Mundo”, disse Infantino.

“Continuamos a cuspir nos outros porque eles parecem diferentes ou por eles se sentirem diferentes? Defendemos direitos humanos. Fazemos do nosso jeito. Conseguimos resultados. Temos mulheres torcedoras no Irã. A liga feminina foi criada no Sudão. Iremos comemorar. Não dividir”, continuou o presidente da Fifa.

A coletiva de imprensa terminou com o diretor de relações com a imprensa, Bryan Swanson, ex-Sky Sports, falando aos repórteres. “Estou sentado aqui como um homem gay no Catar. Recebemos garantias que todo mundo será bem-vindo e acredito que todo mundo será. Apenas porque ele [Infantino] não é gay não significa que ele não se importa. Ele se importa. Você vê no lado público e no lado privado. Tenho pensado muito sobre se devo dizer isso. Tenho bastante convicção sobre isso.”, afirmou Swanson.

“Nós nos importamos com todo mundo na Fifa. Eu tenho muitos colegas gays. Estou totalmente ciente do debate e respeito totalmente as opiniões das pessoas. Quando ele diz que somos inclusivos, ele fala sério”, disse Swanson.

A Copa do Mundo vai começar neste domingo com Catar x Equador, às 13h (horário de Brasília). Confira a tabela completa e veja a Programação de TV da primeira fase da Copa.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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