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France Football muda critérios da Bola de Ouro para 2022 e passa a ter mais foco na temporada

De anual para temporada, mais especialistas, menos eleitores e foco no presente: veja o que muda na Bola de Ouro para 2022

A France Football anunciou mudanças na mais badalada premiação da Europa, a Bola de Ouro. Serão quatro mudanças: o período de apuração deixa de ser anual para ser por temporada, especialistas e jogadores notáveis, redução do número de votantes e mudança no critério, focando no presente, não no passado.

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Período passa a ser da temporada europeia

Desde que foi criado, o prêmio da Bola de Ouro levava em conta o ano, ou seja, de janeiro a dezembro. Isso se tornou um problema porque os votantes precisavam lidar com duas meias temporadas, pensando, claro, do ponto de vista europeu, que é o que eles levam em conta. Assim, a partir da edição 2022, a Bola de Ouro considerará a temporada europeia, de agosto a julho.

Especialistas incluídos na votação

Um dos pontos considerados chave para a Bola de Ouro é a lista prévia que, até então, era feita apenas pelos próprios jornalistas da France Football. É a partir dessa lista prévia que os votantes escolhem, com nomes pré-determinados. São 30 nomes para os homens e 20 para as mulheres, além de 10 para o prêmio Yachin e outros 10 para o Troféu Kopa. Isso irá mudar com a inclusão de especialistas.

Serão chamados nomes como o embaixador da Bola de Ouro, Didier Drogba, assim como nomes que apareceram em votação anteriores. Segundo a revista, será trazido o voto do eleitor mais perspicaz e eles dão um exemplo: em 2022 será Truong Anh Ngoc, vietnamita dos veículos The Thao e Van Hoa, que acertou os cinco votos na edição anterior, assim como Gordon Watson, neozelandês, que acertou a ordem do Troféu Yachin. No caso do futebol feminino, será a tcheca Karolina Hlavackova, do Ruik, a única que acertou o pódio. Será a partir deles que serão feitas as listas dos prêmios.

Redução do número de eleitores

A France Football lembrou que começou o prêmio com 16 jurados, lá em 1956, e que em 2021 teve 170. Contudo, questiona se isso melhorou a qualidade e, por isso, decidiu reduzir: somente os 100 primeiros países do ranking da Fifa poderão votar no masculino e os 50 principais países no feminino. Eles estarão qualificados para fazer o voto.

“Uma redução que reforça o nível de especialização e limita os (raros) votos fantasiosos. O que será perdido em pitoresco será ganho em legitimidade e confiabilidade”, diz a revista. Assim, o número de votos é reduzido consideravelmente, o que dá mais peso para cada um.

Foco nos feitos recentes, não na carreira

A quarta mudança diz respeito aos critérios usados para a votação e que são passados aos votantes. Há duas ideias aqui: foco no individual, tirando um pouco do peso coletivo – o que significa não focar apenas naqueles que conseguiram títulos relevantes –, mas sem desconsiderar o que o jogador conseguiu com a sua equipe.

“Como as regras não evoluíram muito desde a sua origem e os critérios frequentemente suscitam debates, achamos oportuno atualizar a hierarquia dos elementos constitutivos na votação para maior consistência e clareza. E evite qualquer ambiguidade. A Bola de Ouro é um prêmio individual. Por isso, logicamente, o critério número 1 se concentrará principalmente no desempenho individual e no caráter decisivo e impressionante dos concorrentes”, diz a France Football.

“Como o futebol continua sendo um esporte coletivo apesar de tudo, o critério número 2 incidirá sobre o desempenho coletivo e o recorde acumulado durante a temporada. Finalmente, o critério número 3 diz respeito à classe do jogador e seu senso de fair play. Porque dar o exemplo também conta. Os mais atentos terão notado o desaparecimento do critério ‘carreira do jogador’. Uma maneira de considerar a disputa pela Bola de Ouro uma competição aberta, e não um clube fechado”, diz ainda a revista francesa.

A ideia parece clara: não quer que sempre os mesmos jogadores, que são os melhores do mundo, estejam na lista só por estarem. A temporada tem que ter mais -peso do que a história passada do jogador, o que é uma forma de oferecer a chance de jogadores com uma temporada brilhante conquistarem o prêmio, mesmo que na carreira não tenham conseguido ser melhores que outros rivais.

Resta saber agora se isso de fato influenciará na forma como o prêmio é feito. Veremos isso com mais clareza quando surgirem as primeiras listas de indicados, no ano que vem. A ideia das mudanças, ao menos a princípio, parece interessante. A ver como se dará na prática.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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