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Bélgica: será que o time sobrevive ao hype?

Onde vai se dar bem

A “Ótima Geração Belga” foi pintada como um time maior do que de fato é. Mas nem o exagero deve apagar a sua principal qualidade: um elenco com a qualidade técnica igualmente distribuída, onde titulares e reservas podem ser alternados sem que o time sofra com isso. Além disso, a maioria dos jogadores cresceu junto na seleção, trazendo um entrosamento que vem desde os tempos do quarto lugar no torneio olímpico de futebol masculino em 2008. Logo, não impressiona que a equipe tenha um estilo de jogo satisfatório. A ponto de causar o furor (exagerado) que anda causando. Exageros à parte, o time é bom. Nem mais, nem menos. Bom.

Onde vai se dar mal

É exatamente por ser falada demais como “a melhor Bélgica de todos os tempos” (como se a geração dos anos 1980/1990 não existisse) que os jogadores poderão se perder. Os líderes do elenco, Kompany à frente, mantêm as expectativas realistas, mas as conversas sobre a seleção da Bélgica tomaram um rumo pelo qual algo menor do que vaga nas quartas de final já será decepcionante. E não há motivo para esse exagero, até porque é o primeiro grande torneio dos Diabos Vermelhos em 12 anos, e o que vier será lucro. Dentro de campo, o problema está na defesa: sem laterais de ofício, improvisam-se defensores no setor, o que torna a defesa pouco colaborativa nas jogadas ofensivas.

Quem pode desequilibrar

O meio-campo é o lugar onde os talentos belgas mais aparecem. Citar nomes gasta texto: Witsel, Defour, De Bruyne… e finalmente, Eden Hazard. Precoce (já em 2008 estreou pelos Diabos Vermelhos), Hazard cresceu bastante dentro da seleção belga, até tornar-se titular absoluto. Não bastasse isso, ainda foi o principal responsável pela conquista do Campeonato Francês pelo Lille, em 2010/11. Eleito ainda por duas vezes o melhor jogador da Ligue 1, chegou ao Chelsea com pompa e circunstância. Não igualou em Stamford Bridge as atuações impressionantes nos Dogues, mas já foi bem o suficiente para ser eleito o jogador da temporada no clube inglês. Finalmente, na Copa, terá a grande chance para brilhar e tirar as desconfianças que ainda pairam sobre ele.

A carta na manga

Diante de tanto alarido sobre a seleção belga, nada mais natural que um jogador de surgimento fulgurante só acrescentasse mais falatório. Ele apareceu na figura do atacante Adnan Januzaj. Ele estreou em agosto de 2013 pelo Manchester United, contra o Wigan, na Supercopa da Inglaterra. No primeiro jogo em que começou como titular, contra o Sunderland, pelo Campeonato Inglês, dois gols. Foi o suficiente: vários clubes cresceram o olho, o United renovou seu contrato até 2018 e a sua nacionalidade (nascido na Bélgica, filho de kosovares, descendente de albaneses, jogando na Inglaterra) o tornou objeto de disputa das seleções desses países – no caso de Kosovo, ele poderia jogar pela Sérvia. Até que em 2014, Januzaj decidiu-se pelos Diabos Vermelhos. Foi convocado para a Copa, e pode muito bem ser outra grande surpresa.

Até onde deve chegar

Quartas de final. Como já dito, o time da Bélgica é bom. Nada de se impressionar, mas bom. E teve a sorte de pegar um grupo bem acessível na primeira fase. Já nas oitavas de final, pode cruzar com equipes perigosas, mas apenas a Alemanha pareceria largamente superior. Porém, nas quartas de final, o funil começa a apertar. Porque a Bélgica pode ser um time bom, mas não tem “o cara”, o jogador capaz de tirar um coelho da cartola em momentos difíceis. E potenciais rivais nas quartas, como França e Argentina, têm esse tipo de jogador. Além do mais, no todo, são times mais técnicos do que o belga. Logo, as quartas de final parecem um bom teto para a equipe de Marc Wilmots.

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