Alemanha: talento não falta, mas será preciso poder de decisão
Onde vai se dar bem
Talvez só a Espanha conte com opções tão talentosas entre os meias. Joachim Löw pode fazer as mais diferentes combinações para o seu quarteto ofensivo. Possui distribuidores de jogo, como Toni Kroos e Bastian Schweinsteiger, ainda que preferencialmente joguem como volante; um garçom do nível de Mesut Özil; prodígios ágeis, Julian Draxler e Mario Götze; pontas incisivos, do calibre de Thomas Müller, André Schürrle e Lukas Podolski. Também para abrir espaço a tantos meias é que Miroslav Klose acabou sendo o único atacante convocado. E esse enorme arsenal garante uma série de possibilidades aos alemães, mesmo com a perda de Marco Reus. Desafio grande é saber encaixar tantas peças úteis, algo que nem sempre o técnico demonstrou ter aptidão para fazer.
Onde vai se dar mal
A Alemanha também conta com excelentes volantes. O problema é que o setor sofre demais com as perdas e as dúvidas do desgaste físico. Ilkay Gündogan, Lars Bender e Sven Bender se perderam pelo caminho. Schweinsteiger e Sami Khedira, que seriam os titulares naturais, não estão na melhor forma. Toni Kroos é quem parece mais apto para assumir o posto, ao lado de Phillip Lahm. Onde justamente o cobertor é mais curto. Se há uma posição onde as opções são escassas, é nas laterais. O capitão é o único nome seguro entre vários nomes errantes. E o que parece a melhor solução para Löw, no momento, é deslocar seus zagueiros: Jérôme Boateng na direita e Benedikt Höwedes na esquerda. A dupla até aumenta a solidez da linha defensiva, mas também faz crescer a lentidão do setor e os temores contra ataques rápidos. Uma cadeia de problemas que mantém o Nationalelf em um sério dilema.
Quem pode desequilibrar
A resposta natural para essa pergunta foi perdida na sexta-feira. Marco Reus chegaria à Copa não apenas como o jogador alemão em melhor fase, como também o de maior poder de decisão. O craque perdido e lamentado pelo Nationalelf. Sem o ponta esquerda, não há ninguém no ataque capaz de se destacar tanto, por mais que o setor esteja tão bem servido. E o ponto nevrálgico será Philipp Lahm. A qualidade do capitão como lateral é inquestionável, soberano entre os melhores de sua posição há mais de uma década. Entretanto, com as lesões, é bem provável que ele comece o Mundial como volante, onde fez ótima temporada pelo Bayern. Será o equilíbrio do time, entre a segurança na defesa e a fúria no ataque.
A carta na manga
Entre tantos nomes badalados, André Schürrle nem sempre é o primeiro a ser lembrado. Bom para ele, que pode estourar de vez na Copa do Mundo. Diante das chances de que Thomas Müller seja escalado como referência no ataque, a ponta direita fica livre para a concorrência entre Mario Götze e o jogador do Chelsea. E o que vem fazendo com a camisa dos Blues é uma ótima credencial para atacante no Mundial. Possui velocidade e poder de definição, traços que se casam bem com o estilo de jogo do time de Joachim Löw. Junto com Lukas Podolski, na ponta esquerda, Schürrle poderá ser uma arma importante para a verticalidade do Nationalelf.
Até onde deve chegar
A badalação corriqueira diz que a Alemanha é candidata ao título, sempre. Os resultados nos amistosos recentes e os tantos desfalques do elenco (somando-se também aqueles que não chegam na melhor forma física), no entanto, tornam natural a desconfiança. Entre a glória no Maracanã e a hecatombe na primeira fase, melhor ser cauteloso. Apesar dos rivais, o Nationalelf tem time para passar da fase de grupos sem sobressaltos. A questão maior está entre as quartas e as semifinais, quando o time de Joachim Löw deve ter seus primeiros desafios – França e Brasil são os mais temíveis neste caminho. Mostrar o poder de decisão que às vezes falta nesses momentos será fundamental.