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Chefe de arbitragem da Fifa elogia VAR, mas admite que sistema precisa de aprimoramento

A Copa das Confederações é a primeira competição de seleções a receber o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, na sigla em inglês) e o chefe da arbitragem da Fifa, o ex-árbitro Massimo Musacca, admitiu que o sistema precisa ser refinado. “Em geral, nós temos resultados muito bons aqui, mas com certeza muitos aspectos precisam ser melhorados”, afirmou Busacca em coletiva de imprensa.

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O VAR é um sistema que traz três árbitros assistentes que assistem ao jogo em monitores com imagens da partida e avisam o árbitro em caso de erro da arbitragem. Só que não só isso: em alguns casos, o próprio árbitro consulta os assistentes de vídeo para tirar dúvida. Nesta Copa das Confederações, vimos casos que o árbitro principal acata o que disseram os árbitros de vídeo sem nem olhar o lance; outros quiserem olhar por si mesmos no monitor antes de tomar uma decisão.

A Fifa pretende usar o VAR na Copa do Mundo de 2018 e parece ter muita pressa para que tudo dê certo. Usou o sistema no Mundial de Clubes, com lances muito confusos da arbitragem. Nesta Copa das Confederações, houve uma clara melhora ao que foi o torneio de dezembro, mas ainda parece precisar de aprimoramento para usar em competições de primeiro nível, seja de clubes ou de seleções.

Em março de 2018, a International Football Association Board (IFAB) irá se reunir e votar sobre o uso definitivo do VAR. Sem a aprovação, o sistema não poderá ser usado na Copa do Mundo. A pressa da Fifa pode acabar sendo um problema, porque o sistema é uma evolução, mas ainda está em uma fase de ajustes.

No jogo entre Alemanha e Camarões, por exemplo, o árbitro Wilmar Roldán não deu vermelho a um jogador de Camarões que deu uma entrada forte no jogador alemão Emre Can. Depois da revisão por vídeo, ele expulsou um jogador de Camarões, mas foi o jogador errado. Após nova revisão – com Roldán olhando para o monitor mais uma vez -, finalmente o jogador correto foi expulso. “Eu tenho que concordar, demorou muito… Mas no final, o jogador certo foi expulso”, afirmou Busacca.

A principal crítica tem sido em relação a quais lances serão revisados pela arbitragem. Há uma preocupação em revisar depois de haver comemoração dos jogadores, o que alguns temem que tire a naturalidade do jogo. No jogo entre Chile e Camarões, por exemplo, os sul-americanos marcaram um gol e comemoraram, mas depois o gol foi anulado por impedimento. No final, o bandeirinha anulou um gol por impedimento, mas depois de revisão o gol foi validado, o que tornou a comemoração um pouco sem graça.

“Isso pode reduzir alguns momentos de alegria do futebol, porque você tem uma celebração e então subitamente uma revisão vem e as coisas mudam. As pessoas terão que entender isso”, declarou Busacca.

Segundo o chefe de arbitragem da Fifa, nos 12 jogos da fase de grupos da o VAR ajudou a corrigir seis decisões que mudam o jogo. Ainda segundo o dirigente, foram outras 29 correções de grandes decisões. “É importante mencionar hoje que nenhum erro claro foi ignorado”, afirmou.

Busacca ressaltou que o VAR tende a reduzir o número de erros da arbitragem, mas não vai eliminá-los completamente. Segundo ele, a Fifa está bastante interessada em convencer as federações a usar a revisão de vídeo. Gianni Infantino, presidente da Fifa, já declarou neste mês que está muito feliz com o uso do VAR até o momento.

Na América do Sul, a Conmebol já anunciou a intenção de usar o VAR a partir das quartas de final da Libertadores. Usar o VAR parece uma decisão acertada, mas fazer o primeiro teste na principal competição do continente parece um risco alto. Seria melhor testar em competições menores, como as de categorias de base – existe a Libertadores sub-20 por exemplo – e aprimorar o sistema para diminuir as falhas ao mínimo. Uma confusão em um jogo de Libertadores por problemas de procedimento pode ser um preço alto a se pagar e que pode, inclusive, criar uma resistência ao VAR.

Esperamos que a Fifa e a Conmebol pensem bem sobre tudo isso antes de usarem apenas por questões políticas, ou para dar um verniz de modernidade antes de, de fato, aprimorar o sistema e melhorar o futebol de forma efetiva.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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