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Chile vence com justiça, em jogo fundamental para a discussão do uso de vídeo no futebol

O duelo entre Chile e Camarões, abrindo o Grupo B da Copa das Confederações, será por muito tempo lembrado. Não necessariamente pelo jogo em si, mas por aquilo aconteceu nos lances capitais. O placar teve influência direta da arbitragem, ainda que não tenha alterado o justo vencedor – e de maneira bem mais incisiva do que em Portugal 2×2 México, no qual o VAR também foi acionado para anular um tento. Em Moscou, os chilenos tiveram um impedimento marcado por centímetros, cancelando o seu gol na primeira etapa. Já no segundo tempo, um tento inquestionável, até que outro inicialmente flagrado pelo assistente tenha sido validado. Triunfo de La Roja por 2 a 0, no qual as discussões se concentram mais na aplicação da tecnologia do que nos méritos pelo resultado.

Desde os primeiros minutos, o Chile foi melhor na Arena Otkrytie. Alexis Sánchez começou no banco, mas Eduardo Vargas chamou a responsabilidade e acertou a trave logo no primeiro ataque. Além disso, os chilenos pressionavam a meta camaronesa, parando nas grandes defesas de Fabrice Ondoa. O goleiro realizou ao menos quatro intervenções vitais, enquanto Johnny Herrera também salvou uma bola de Vincent Aboubakar. Entretanto, La Roja era bem mais perigosa e parecia pronta a chegar ao gol. O que aconteceu, de fato, aos 45, apesar de todo o imbróglio.

Após lançamento em profundidade, Vargas invadiu a área e venceu Ondoa. Tento inicialmente comemorado, mas conferido pela arbitragem. Então, o recurso de vídeo apontou o impedimento milimétrico do atacante. Lance que gerou grande reclamação dos chilenos, sem que o placar fosse alterado. Precisariam manter o ritmo também na volta do intervalo.

Apesar do bom momento de Camarões no início do segundo tempo, ameaçando, o Chile voltou a tomar as rédeas do confronto nos 20 minutos finais. A entrada de Alexis Sánchez ajudou a equipe e justamente dos pés do craque nasceu o primeiro tento, aos 35. Cruzamento para Arturo Vidal fuzilar de cabeça. Já aos 45, nova controvérsia. Em contra-ataque, Alexis Sánchez desperdiçou ótima chance. O rebote, todavia, sobrou nos pés de Eduardo Vargas, que ampliou a margem. O bandeira inicialmente assinalou o impedimento, mas, depois da consulta do VAR, o erro foi evitado. Gol legal dos chilenos.

Há dois pontos passíveis de debate: a confiabilidade do sistema eletrônico, determinando o posicionamento por centímetros; e o impacto da consulta sobre a dinâmica da partida, com paralisações que duraram cerca de um minuto. De qualquer forma, partindo do pressuposto de que a tecnologia foi precisa e considerando que os impedimentos são lances absolutos, não interpretativos, a justiça acabou sendo feita. E se torna um tanto quanto emblemático que os dois lances tenham acontecido na mesma partida. A discussão sobre a aplicação massiva do VAR é bastante válida. Mas, entre a quebra de ritmo e o cumprimento estrito das regras, o caminho que deve ser seguido pela Fifa olha para frente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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