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Argentina dá surra na Itália para ganhar moral e colocar fim ao ciclo da Azzurra

No duelo de campeões da Europa e América do Sul, venceu quem vai à Copa e em grande fase: os argentinos envolveram os italianos e venceram com sobras

Conquistar o título da Eurocopa foi o ápice da geração italiana, mas ninguém imaginava que o time ficaria fora da Copa. Isso vai obrigar uma renovação maior e mais ampla e certamente a Argentina ajudou nisso. Na Finalíssima, disputada nesta quarta-feira entre os campeões da Eurocopa e Copa América, a Scaloneta, como os argentinos têm chamado a equipe de Lionel Scaloni, deu uma surra de bola e venceu com facilidade. O placar de 3 a 0 saiu até barato em uma partida que teve grandes atuações de Lionel Messi, Ángel Di Maria, Lautaro Martínez e companhia.

Foi uma atuação dominante de um time que se mostrou muito melhor do que o rival. A Argentina foi bastante superior coletivamente e individualmente. Parecia mais pronta para encarar o adversário do que o inverso. Os italianos pareceram entrar em campo mais como uma despedida do que como um jogo preparatório para o que vem pela frente. Talvez ainda fruto de um desânimo da perda da vaga na Copa, mais uma vez.

Escalações

O técnico Roberto Mancini já tinha chamado este jogo como “o fim de um ciclo”. Talvez ele já soubesse que alguns jogadores já tinham passado do seu melhor e já começcassem a ficar para trás. Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini formaram a zaga, com Giovani Di Lorenzo e Emerson Palmieri nas laterais. O meio-campo com Matteo Pessina, Jorginho e Nicolò Barella era onde parecia mais com o time habitual da Azzurra. No ataque, Giacomo Raspadori e Federico Bernardeschi ganharam chances pelas pontas e Andrea Belotti foi o titular pelo meio. Um time bastante modificado.

Já a Argentina de Lionel Scaloni trouxe o time titular mais costumeiro. Emiliano Martínez, ou Dibu Martínez, como os argentinos chamam, no gol, com Nahuel Molina, de ótima temporada na Udinese, na lateral direita, Cristian Romero e Nicolás Otamendi na zaga e Nicolá Tagliafico na lateral esquerda. O meio-campo teve Guido Rodríguez, Rodrigo de Paul e Giovani Lo Celso. Por fim, o ataque com Lionel Messi, Lautaro Martínez e Ángel Di Maria.

Primeiro tempo

Desde o início os argentinos eram melhores em campo. Tinham mais controle do jogo, sabiam mais o que estavam fazendo e viam uma Itália que não conseguia se articular tão bem – em parte por ser um time pouco habitual entre os titulares, em parte porque a Argentina não deixava os campeões europeus terem muita opção.

A pressão alta do time de Scaloni colocou a Itália em uma situação difícil na saída de bola muitas vezes. A equipe não pareceu conseguir escapar da marcação e, eventualmente, isso teve um preço quando os argentinos aproveitaram a chance que tiveram.

O gol saiu aos 28 minutos. Em uma saída de bola errada, Federico Bernardeschi perdeu a bola, Giovani Lo Celso recuperou e acionou Lionel Messi. O camisa 10 avançou, girou em cima da marcação de Giovani di Lorenzo, que tentou segurá-lo, e foi até a linha de fundo para cruzar rasteiro. Lautaro Martínez, na pequena área, completou para o gol: 1 a 0.

No final do primeiro tempo, já nos acréscimos, a Argentina ampliou em contra-ataque. O goleiro Dibu Martínez fez o passe longo, Lautaro Martínez dominou de costas, girou em cima de Leonardo Bonucci, deixou o zagueiro para trás, e esperou o momento certo para fazer o passe para Ángel Di Maria. Nas costas de Giorgio Chiellini, o atacante chegou antes do zagueiro e deu um toquinho com categoria por cima do goleiro: 2 a 0.

Lionel Messi deixa Giorgio Chiellini para trás (Shaun Botterill/Getty Images)

Segundo tempo

Mancini resolveu fazer mudanças no segundo tempo. Colocou Manuel Lazzari no lugar de Chiellini, Gianluca Scamacca no lugar de Andrea Belotti e Manuel Locatelli no lugar de Bernardeschi. Uma mudança em todos os setores do campo. Di Lorenzi se tornou zagueiro para deixar Lazzari na direita, Locatelli passou ficou no meio e Scamacca no ataque.

Só que o melhor time ainda era a Argentina, que conseguia contra-ataques perigosos. Um deles com Di Maria, que recebeu pela direita, puxou para o meio e finalizou. A bola ainda desviou no caminho e obrigou Donnarumma a uma grande defesa. Aos 19 minutos, a Argentina chegou de3 novo pela direita, desta vez com Messi, que cruzou rasteiro da direita e viu a finalização para fora na segunda trave, mas Lo Celso errou o gol.

O lateral Leonardo Spinazzola entrou em campo aos 17 minutos no lugar de Matteo Pessina, tentando dar um pouco mais de força ao lado esquerdo da seleção italiana. Mas ele pouco conseguiu fazer em seus primeiros minutos em campo, porque a albiceleste dominava a partida.

A pressão argentina aumentou. Messi, em uma jogada individual, fez a finalização e obrigou Donnarumma a outra defesa, esta um pouco mais fácil, mas ainda em uma bola perigosa. Pouco depois, Messi depois chutaria novamente a gol, desta vez de fora da área, e levou outra vez perigo. A Itália parecia sufocada pelo bom futebol argentino e a troca de passes dos sul-americanos.

A Itália só conseguiu assustar aos 32 minutos, em uma recuperação de bola no meio-campo com Di Lorenzo que Barella, pelo meio, acionou Scamacca. O centroavante tocou por cima do gol, mas estava em posição de impedimento.

Era a Argentina que ditava o ritmo do jogo, mandando no futebol com classe e o terceiro gol saiu naturalmente, depois de algumas chances perdidas. Eram 48 minutos quando Paulo Dybala iniciou o contra-ataque e acionou Messi, que correu com a bola, foi até a meia-lua, teve uma dividida e a bola sobrou para Dybala finalizar cruzado e colocar na rede: 3 a 0. Foi o que decretou o apito final, logo depois.

Atuação arrasadora

Foi uma grande atuação da Argentina, que mostrou organização, se mostrou defensivamente segura, um meio-campo muito forte e pegador e um ataque comandado pelo inspirado Lionel Messi, além dos ótimos Di Maria e Lautaro. O time está muito afinado e parece se aproximar da Copa do Mundo no seu melhor momento.

A Argentina ganhou cada vez mais opções e tem jogadores como Paulo Dybala como reservas bastante úteis. Se antes o time sofria para conseguir jogar, hoje oga bem e consegue se mostrar uma equipe consistente mesmo trocando jogadores. Com a defesa mais bem protegida, até Otamendi fica mais seguro. Romero, ao seu lado, ajuda muito também. O meio-campo com Guido Rodríguez e Rodrigo Ded Paul é um trator que, se o adversário não tomar cuidado, acaba atropelado fisicamente.

Com Messi em um nível alto, Di Maria jogando uma bola redonda e com Lautaro Martínez consolidado, o ataque argentino é dos mais perigosos. As opções no banco de reservas ainda são ótimas para transformar a Scaloneta em um time que parece preparado para encarar o desafio da Copa do Mundo.

Adeus a figuras marcantes da Itália

Se Mancini precisava de uma desculpa para trocar a geração italiana, agora não precisa mais. A surra dada pela Argentina mostra que a Itália precisa de sangue novo e alguns jogadores já parecem ter ficado para trás. Giorgio Chiellini já anunciou aposentadoria aos 37 anos, mas talvez o tempo de Leonardo Bonucci, com 35, também já tenha passado.

O técnico terá trabalho para remontar o time, mas há jogadores que já pedem passagem há muito tempo. Lorenzo Pellegrini, de 25 anos, é o capitão da Roma e já mostrou muita qualidade, assim como Manuel Locatelli, de 24 anos, e que entrou no segundo tempo. Há jogadores como Jorginho e Marco Verratti que tem sofrido com atuações irregulares. O primeiro foi titular e não foi bem e o segundo não foi relacionado para a partida e sofre com lesões.

Nomes como Andrea Belotti, de 28 anos, perderam muito espaço e parecem não ter se encaixado. Precisam mostrar mais por clubes antes de voltarem a figurar pela Azzurra. Vale mais a pena dar chances a Gianluca Scamacca, outro que entrou no segundo tempo, e tem 23 anos, além de Giacomo Raspadori, titular nesta partida, ainda que sem ter conseguido fazer muito.

Mancini terá um grande trabalho pela frente para transformar a nova geração italiana em um time competitivo. Há bons jogadores para isso, mas a estrutura do time, baseada em alguns jogadores veteranos, precisará mudar.

https://www.youtube.com/watch?v=JAS90NQZoDY
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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