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Antes tarde do que nunca: International Board aprova testes para substituição por concussão

A International Football Association Board (IFAB) aprovou os testes com a substituição por concussão já a partir de janeiro de 2021. A medida foi tomada na reunião anual executiva da entidade, depois de consultar as principais partes interessadas e para atender recomendações do Grupo de Especialistas em Concussões (Concussion Expert Group – CEG). A reunião executiva da entidade define as principais pautas para a reunião geral, que envolve todos os membros, a ser realizada no próximo ano.

LEIA MAIS: IFAB vai discutir substituição extra para casos de concussão, e testes podem começar já em 2021

A reunião foi presidida pelo diretor da IFAB e executivo-chefe da Federação Galesa, Jonathan Ford, e estabeleceu um protocolo básico para os testes. No evento de um caso de concussão, ou suspeita de concussão, o jogador em questão deve ser permanentemente removido da partida para preservar sem bem-estar, mas o seu time não deve ficar com um jogador a menos.

Com isso, a IFAB espera impedir que um jogador que tenha sofrido uma lesão desse tipo, ou tenha a suspeita de uma lesão assim, continue em campo, o que pode levar a graves consequências. Além disso, a ideia é que o time não tenha que usar uma substituição regular para isso, já que por vezes os jogadores ficam em campo machucados porque a equipe já fez todas as substituições permitidas. Com isso, o time não terá nenhuma perda numérica de jogadores em campo.

A IFAB ressalta também que a possibilidade da substituição permanente tira a pressão do corpo médico de fazer uma avaliação rápida para saber se há uma lesão ou não. Bastará uma suspeita de lesão para que a substituição seja feita. A medida da substituição é uma operação simples e pode ser aplicada em todos os níveis de futebol jogados, inclusive nos níveis onde não há médicos ou equipe médica qualificada disponível no local.

Segundo o IFAB, ao longo do último ano a entidade entrou em contato com diversas partes interessadas relevantes, especialistas em concussão médica, médicos de clubes, representantes de jogadores, treinadores, organizadores de competições, arbitragem e especialistas nas regras do jogo.

As confederações, associações de futebol nacional e organizadores de competições interessados em participar dos testes devem se inscrever na IFAB e Fifa. Os organizadores de competições devem garantir que os protocolos oficiais sejam usados em sua totalidade e que as avaliações sejam enviadas.

A medida é crucial para o futebol. Concussões são lesões muito sérias e, por muitas vezes não poder ser diagnosticada imediatamente, os jogadores continuam em campo, expostos a riscos ainda maiores.

Recentemente, no dia 29 de novembro, David Luiz, do Arsenal, e Raúl Jiménez, do Wolverhampton, tiveram um choque de cabeça terrível. O mexicano teve que ser substituído e passar por cirurgia. Ainda não se sabe quais serão as consequências para ele.

David Luiz, porém, recebeu atendimento e, com uma faixa na cabeça, voltou a campo. Jogou todo o primeiro tempo. Só foi substituído no intervalo. Nesse tempo, esteve em campo e participou de uma parte importante do jogo, correndo sério risco, dada a gravidade do choque. Esse tipo de situação não pode mais acontecer.

O que o IFAB precisará, porém, é ter um protocolo que obrigue o clube a substituir o jogador. Dar a opção de substituir sem contar para as substituições é importante, mas é só um passo. Em ligas que tratam isso com seriedade, como a NFL, de futebol americano, e a MLS, de futebol, ambas nos Estados Unidos, têm médicos da própria liga em todos os jogos. São eles que avaliam e indicam a substituição. Será preciso pensar em medidas como essa, porque a cultura não irá se modificar imediatamente.

Permissão para cinco substituições é estendida

A IFAB também aprovou a prorrogação da permissão de cinco substituições nas competições do mais alto nível, para competições domésticas que se encerrem até dezembro de 2021 e para competições internacionais terminando no dia 31 de julho de 2022.

Os membros da IFAB concordaram que o impacto da pandemia da COVID-19 continuará sendo grande e, por isso, deve ser revisada para uma ação apropriada. Na próxima reunião anual do grupo, em 2021, a medida será novamente avaliada.

Toque de mão revisado

Um dos pontos de maior polêmica no futebol atual é a forma como os toques de mão na bola são interpretados. A IFAB admite no comunicado que os incidentes “não têm sido consistentes”. Os membros concordaram que na próxima reunião anual, em 2021, esse tópico será discutido para que sejam esclarecidos. Além disso, concordaram que nem todo toque de mão deve ser considerado falta.

Uma questão especificamente sobre em termos de “ser maior não naturalmente”, os árbitros devem julgar a posição da mão ou braço em relação ao movimento do jogador nessa fase de jogo. O que, convenhamos, explica pouco, ou nada, do que deve ser feito. Ao menos essa questão será tratada de forma ampla na reunião geral, porque é de fato uma demanda importante.

VAR mais barato

A IFAB também comunicou que atualizou a Fifa sobre as potenciais práticas futuras em relação ao impedimento e os mais recentes desenvolvimentos com os Árbitros Assistentes de Vídeo (VAR), em especial com as inovações futuras que podem incluir opções mais acessíveis do sistema do VAR. Com isso, permitiria que mais organizadores de competições, com limitações orçamentárias, possam usar a tecnologia.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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