Rússia realmente cogita receber seleções em regiões separatistas durante a Copa
A pouco mais de três anos da Copa do Mundo de 2018, a Rússia já discute quais lugares oferecerá para receber as seleções participantes da competição. Apesar de estar em fase bastante preliminar, o processo já tem seus primeiros questionamentos. Isso porque o país-sede do próximo Mundial defende a ideia de oferecer regiões marcadas por conflitos separatistas como sede para algumas das equipes.
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Na lista preliminar de cidades que receberiam as seleções, estão Grózni e Makhachkala. A primeira, capital da região da Chechênia, foi palco de um conflito entre extremistas islâmicos e a polícia em dezembro do ano passado, resultando na morte de 20 pessoas. O histórico nas últimas décadas também tornam a possível escolha pela região ainda mais questionável. Nos anos 1990 e no começo dos anos 2000, a Rússia lutou duas guerras contra separatistas chechênos, e a situação só se apaziguou a partir da chegada de Ramzan Kadyrov à presidência da região. Segundo a agência de notícias AP, a custo de supostos abusos de direitos humanos.
Embora Grózni não soe como a mais segura das sedes para as seleções, Makhachkala traz ainda mais questionamentos recentes sobre segurança. Quando Suleyman Kerimov comprou o Anzhi e levou várias estrelas, como Willian, Eto’o e Roberto Carlos, para o time, o elenco sequer morava na capital do Daguestão. Todos tinham suas casas em Moscou, e o time só jogava partidas em seu próprio estádio no Campeonato Russo. Pela Liga Europa, foi forçado pela Uefa a atuar na capital russa por questões de segurança. Já em janeiro deste ano, Gasan Magomedov, atleta de 20 anos das categorias de base do Anzhi, foi assassinado a tiros próximo à sua casa, no Daguestão, supostamente por confusão de identidade por parte dos assassinos, possivelmente extremistas islâmicos.
Chefe do COL, Alexei Sorokin demonstrou confiança na capacidade das duas cidades de receber quaisquer seleções. “Haverá inspeções, mas tenho certeza de que os times possam preferir Grózni, Makhachkala ou outras cidades em que tenham boas relações com a administração. Temos garantias completas de autoridades regionais de que a segurança será organizada no mais alto nível”, afirmou, em entrevista à AP.
Vitaly Mutko, ministro do Esporte da Rússia, também apoia a presença das regiões separatistas na lista de bases de treinamento para as seleções, vendo nisso até mesmo a possibilidade de espalhar o legado da Copa do Mundo por toda a Rússia. Revelou, inclusive, que mesmo a Fifa gostou da sugestão inicial de que as duas cidades estejam na relação. A entidade parece não ter o mesmo padrão de exigência de segurança que a Uefa se estiver sinceramente considerando a possibilidade de admitir Makhachkala e Grózni como sedes para as equipes.



