
Demorou, e demorou bastante. Joseph Blatter anunciou sua renúncia na hora do almoço no Brasil, e a CBF só divulgou no final da tarde um comunicado se posicionando. Esse tempo todo seria justificável para uma nota longa e complexa, com argumentação elaborada sobre as questões que envolvem a política do esporte. Mas… a nota ridícula ficou a 14 caracteres de caber em um tuíte.
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Se o tamanho da nota fosse o único problema, estaríamos bem. O difícil é aguentar a tremenda cara de pau da entidade brasileira, completamente alheia a tudo a seu redor. “A CBF recebeu o anúncio da renúncia do presidente Joseph Blatter com surpresa. É uma decisão de caráter pessoal e que merece a nossa profunda compreensão”, lê-se na publicação da confederação, que parece ter o intuito deliberado de insultar nossa inteligência.
A tentativa de tentar tornar um problema estrutural, no qual ela está muito entranhada, em uma questão pessoal é uma grande piada. A CBF trata o assunto como se Blatter tivesse acordado, passado a mão sobre os olhos, notado o rosto cansado que o espelho revelava e decidido que não dava mais para seguir no cargo. Ao fazer isso, a entidade subestima a capacidade das pessoas, acha que alguém realmente não sabe o que vem acontecendo com a cúpula do futebol mundial.
Bem, talvez seja um sintoma de que a própria CBF esteja vivendo em estado de negação e ignorando o que está ocorrendo ao redor dela própria. Melhor assim. A chance de ser pega de surpresa é melhor.




