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10 momentos do futebol em 2012

O ano de 2012 reuniu diferentes emoções no mundo do futebol. Alguns, como Chelsea e Corinthians, viveram pela primeira vez a conquista de um título continental, antes de decidirem entre si o Mundial de Clubes. O mundo viu Lionel Messi marcar 91 gols e bater todos os recordes de artilheiro em um só ano e em uma só temporada. A Eurocopa teve a Espanha bicampeã, mas com uma cena marcante de Balotelli na semifinal.

O mundo do futebol viveu muitas e diferentes emoções em 2012, que reunimos aqui em 10 momentos marcantes desse esporte tão apaixonante. E alguns deles mostram por que somos tão apaixonados por futebol em suas mais diferentes manifestações.

10. Santos goleando o Bolívar por 8 a 0

Você pode pensar: porque essa goleada foi importante? Além de ter sido a maior goleada da Libertadores, foi uma resposta com classe ao tratamento ruim do Bolívar no jogo de ida. O Santos viveu um ambiente infernal, não por causa da torcida, mas porque atiraram objetivos no gramado, sendo que um deles atingiu a cabeça de Neymar.

Em campo, o Santos conseguiu uma goleada marcante porque foi a última grande atuação do time com Elano e Paulo Henrique Ganso. Na verdade, foi talvez a última atuação de gala de Ganso com a camisa do alvinegro praiano. Marcou dois gols e foi importante na goleada, que ainda teve dois gols de Neymar, dois gols de Elano, um de Alan Kardec e um de Borges.

A queda de rendimento e os muitos problemas com a diretoria fez com que Ganso não tivesse mais um jogo desse nível. Elano, outro que brilhou nessa partida, acabou deixando a equipe, também depois de muitos problemas internos. E o Santos se desmontou desde então, tornando-se cada vez mais dependente de Neymar.

9. Gol de Fernando Torres contra o Barcelona

Era improvável, parece impossível, mas aconteceu. Jogando no Camp Nou, o Chelsea, que já tinha vencido o primeiro jogo por 1 a 0, conseguiu segurar o Barcelona com uma defesa intransponível e alguma sorte. Os Blues viram o Barcelona abrir 2 a 0, o que daria a classificação aos catalães, mas conseguiram diminuir com Ramires, ainda no primeiro tempo. E um gol que mudou a situação: o Chelsea voltava a estar classificado.

Veio um pênalti perdido de Messi, muita pressão e um contra-ataque que acabou sendo mortal. E logo pelos pés de Fernando Torres, que vinha em má fase no Chelsea. Depois de um cruzamento, a defesa do Chelsea deu um chutão para frente. Como o Barcelona estava todo no ataque, a bola sobrou limpa para Fernando Torres partir do seu campo para o gol, livre, driblar o goleiro Victor Valdés e tocar para o gol vazio.

O atacante ridicularizado por marcar poucos gols e perder muitas chances, matou as chances do Barcelona e garantiu o Chelsea na final da Liga dos Campeões, que acabaria vencendo o Bayern nos pênaltis.

8. Cenas lamentáveis no Morumbi na final da Sul-Americana

Depois de um conturbado primeiro jogo, a decisão da Copa Sul-Americana no Morumbi teve muita polêmica. De início, o Tigre não gostou de não poder treinar no estádio um dia antes da partida e de ser proibido de fazer o aquecimento no gramado – ainda que este seja o procedimento padrão no Morumbi.

Não bastasse isso, a violência comeu solta em campo. O árbitro não dava faltas claras e o jogo começou a ter entradas que foram de duras a desleais, passando por irresponsáveis no caminho. Lucas tomou uma cotovelada na cara que fez sangue sair do seu nariz. No final do primeiro tempo, o atacante, que se despedida do São Paulo, mostrou um algodão sujo de sangue ao argentino. O resultado foi uma confusão que faltou pouco para ser consumada em porrada.

O que se viu, ou melhor, o que não se viu, foi uma confusão enorme. Ninguém sabe bem como começou a briga, mas o que se sabe é que seguranças do São Paulo e jogadores do Tigre de fato brigaram. O Tigre não voltou para o segundo tempo. O árbitro esperou por mais de meia hora antes de declarar o fim do jogo. O São Paulo ficou com o título, mesmo sem ter muita certeza disso.

Torcida e jogadores comemoraram, mas talvez fosse o pior jeito de ganhar. Porque o time merecia dentro de campo, jogava mais, vencia por 2 a 0 e provavelmente terminaria com quatro ou cinco gols no placar. Por outro lado, talvez tenha sido bom o jogo ser encerrado antes. Com a pilha que estavam os jogadores do Tigre, era provável que tivéssemos alguém se machucando com seriedade no segundo tempo depois de uma entrada violenta. O que, àquela altura, levaria a uma briga em campo que levaria a mais cenas lamentáveis ainda.

7. Balotelli comemorando gol contra a Alemanha na Eurocopa

Balotelli é um atacante que tem seus feitos fora de campo mais conhecidos do que aquilo que faz dentro das quatro linhas. Apesar de ser bom jogador, o personagem é ainda maior. E na Eurocopa, titular da Itália, ele foi o responsável por uma das maiores zebras da competição.

A Itália jogava um bom futebol e já tinha dificultado as coisas para a Espanha na primeira fase, mas a Alemanha, adversária da semifinal, era a favorita a decidir o título com a Espanha e repetir a final de 2008. Só que não contavam com o atacante italiano, negro de origem ganesa, para impedir isso.

Em uma Eurocopa com muitos problemas de racismo, Balotelli fez um gesto marcante. Marcou os dois gols da vitória da Itália e, no segundo, tirou a camisa e mostrou os músculos, em um gesto que ficou marcante – e que será lembrado sempre.

6. Defesa de Cássio em chute de Diego Souza

Entre os desafios do Corinthians para conquistar a Libertadores, o mais difícil foi o confronto com o Vasco nas quartas de final. Depois de empatar por 0 a 0 fora de casa, os dois times empatavam pelo mesmo placar no Pacaembu, até que Alessandro errou um passe no meio-campo e Diego Souza avançou do meio-campo até a área corintiana livre.

Frente a frente com Cássio, ele chutou colocado e o goleiro se esticou para desviar e a bola passar raspando a trave. Um gol ali obrigaria o Corinthians a marcar dois ou ser eliminado. No final, Paulinho marcou o gol da vitória e classificou o time, que seria campeão invicto ao bater o Santos na semifinal e Boca Juniors na final. No fim do ano, ainda seria campeão mundial com Cássio sendo eleito o melhor jogador da competição, o que valorizou ainda mais essa defesa.

5. Queda de Ricardo Teixeira da CBF

Parecia que o mandato de Ricardo Teixeira não acabaria nunca. Já se sabia que ele ficaria até 2015, em uma extensão do seu mandato justificado por ele mesmo em função da Copa do mundo de 2014. Nem o caminhão de denúncias que surgiram contra ele, com documentos na Fifa que poderiam comprometê-lo e provar que ele e o ex-sogro e ex-presidente da Fifa, João Havelange, receberam propina para darem os direitos de televisão para a ISL, empresa suíça que acabou falindo.

O programa Panorama, de Andrew Jennings, jornalista britânico da BBC, expôs o caso e as denúncias fizeram João Havelange abrir mão de seu lugar no Comitê Executivo do COI. Não se sabe se pela soma de denúncias, o medo de ser mais exposto ou se a doença que o atingiu, mas o fato é que Ricardo Teixeira abdicou da CBF. E, sabendo disso, Marco Polo Del Nero, pouco antes, nomeou José Maria Marin como vice-presidente. Ele, mais velho, assumiu o cargo deixado por Ricardo Teixeira, que também deixou o Comitê Executivo da Fifa. Vaga esta que foi preenchida por… Marco Polo Del Nero.

Há rumores que Ricardo Teixeira ainda é consultado por dirigentes da CBF – o que é um pensamento razoavelmente lógico, considerando que ele recebe uma quantia da entidade justamente como consultoria. A extensão do seu poder é desconhecida, mas Marin parece disposto a mudar tudo que pode parar deixar com a sua marca – e preparar o caminho para uma sucessão, provavelmente do próprio Del Nero, possivelmente contra o novo inimigo da CBF, Andrés Sanchez.

Ricardo Teixeira deixou a CBF em 2012, depois de 23 anos no poder
4. Schweinsteiger chorando após perder pênalti na final da Liga dos Campeões

Perder é sempre ruim, mas para um jogador do nível de Bastian Schweinsteiger, a derrota parece ser ainda mais amarga. Símbolo de uma geração promissora do futebol alemão, que por vezes é comparado à Espanha como a melhor seleção do mundo, o meio-campista foi o símbolo também do Bayern Munique, que chegou à final da Liga dos Campeões em casa, mas acabou derrotado nos pênaltis. E com Schweinsteiger perdendo um pênalti.

Logo ele, que tinha feito o cruzamento para Thomas Müller marcar o gol que parecia dar a vitória ao Bayern, já aos 38 minutos do segundo tempo. Mas Didier Drogba ainda empatou o jogo, já depois dos 40 minutos, levando para a partida para a prorrogação. Arjen Robben ainda teria a chance de se consagrar, mas perdeu um pênalti que impediu a vitória. O jogo foi para o drama dos pênaltis.

A disputa estava empatada quando Schweinsteiger foi cobrar o pênalti. A disputa estava 3 a 3, com Phillip Lahm, Mário Gomez e Manuel Neuer tendo convertido os seus pênaltis para o Bayern e Ivica Olic, a quarta cobrança, tendo desperdiçado. No Chelsea, Juan Mata perdeu a primeira cobrança, mas David Luiz, Frank Lampard e Ashley Cole converteram. Schweisteiger hesitou na cobrança, fez uma paradinha e acabou chutando na trave. Imediatamente ele levou a camisa ao rosto, sem acreditar. Quando Drogba marcou o gol e o título foi para o Chelsea, o meio-campista alemão estava inconsolável. Ajoelhado e com o rosto na grama, chorava e lamentava. Uma cena que marcou a decisão na Allianz Arena.

3. “Invasão” corintiana no Japão

Classificado para o Mundial de Clubes, a torcida do Corinthians se mobilizou para ir até o Japão. Não se sabe exatamente o número de pessoas que viajaram até o país para assistir ao Mundial. O que se sabe é que houve um número grande de vistos emitidos para o Japão só em São Paulo (se fala em algo como oito mil), além de corintianos de diversos lugares do mundo terem ido para lá, como os que estavam na Nova Zelândia ou Austrália.

O que se viu foi um clima de estádio como se o Corinthians jogasse em casa, tanto em Nagoia quanto em Yokohama. No estádio, era claro que pelo menos 80% dos mais de 60 mil lugares do estádio da final eram ocupados por corintianos. Yokohama virou o Pacaembu e os corintianos tornaram-se conhecidos no Japão pela sua presença em grande número, fazendo crianças cantarem músicas do time e até vendedores de jornais e guardas do metrô aprenderem a falar o nome do time.

Torcida do Corinthians em Yokohama: ela faz parte da gestão do clube (Foto: AFP PHOTO / TOSHIFUMI KITAMURA)
2. Messi batendo o recorde de gols de Gerd Müller

A caminhada de Lionel Messi como destruidor de recordes ganhou um importante capítulo em 2012. Primeiro, o argentino , que pertencia a Gerd Müller, em 1972, quando fez 85 gols. Messi marcou impressionantes 91 e deixou a impressão que ainda não chegou no seu pico de rendimento.

Foi artilheiro da liga espanhola com impressionantes 50 gols, em um campeonato com 38 rodadas. Na Liga dos Campeões, acabou como artilheiro também, mesmo eliminado na semifinal, com 14 gols em um torneio que o Barcelona jogou 12 jogos.

Nesta temporada, Messi já chegou à marca de 33 gols contando apenas suas partidas pelo Barcelona. Somando com a seleção argentina e considerando apenas os jogos desta temporada (de 1º de julho a 30 de junho do ano que vem), são oitos gols marcados, somando então 41. Qual é o limite de Messi?

1. Gol de Agüero contra o QPR que dá o título ao Manchester City

O Manchester City esperava por um título que não vinha há 44 anos. Desde a temporada 1967/68, o time azul da Manchester não levantava o título da principal divisão inglesa. E o desfecho do terceiro título da equipe veio da maneira mais dramática possível, quase matando os torcedores do coração.

Precisando vencer para garantir o título, o drama começou quando, aos 20 minutos, a torcida ficou sabendo que o Manchester United abriu o placar contra o Sunderland. Os Citizens marcaram o seu, com Zabaleta, mas tomaram a virada no segundo tempo para 2 a 1. O título parecia escorrer entra os dedos.

Mas aí vieram as grandes emoções. Primeiro, Edin Dzeko empatou o jogo em um escanteio, de cabeça, já aos 45 minutos. Era insuficiente. O United vencia e o empate daria o título aos Red Devils. Veio então o milagre. Agüero tocou para Balotelli, que devolveu para o argentino fuzilar dentro da área, aos 50 minutos do segundo tempo. Gol da vitória, do título, da loucura. Manchester City 3×2 QPR. Um dos finais de temporada mais fantásticos. E isso porque dizem que pontos corridos não têm emoção…

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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