Mundial de Clubes

Vai ter Copa (de Clubes)? Rio quer receber o Mundial de Clubes em 2021

Prefeitura do Rio já se movimenta, mas será preciso convencer a entidade que gere o futebol mundial que o papelão em Brasil x Argentina foi um acaso

A disputa pelo Mundial de Clubes em 2021 será acirrada. Primeiro, foi o Japão que desistiu pelas complicações causadas pela pandemia da COVID-19; depois, foi a África do Sul que pintou como candidata a sediar o evento. Agora, é o Rio de Janeiro que declara que quer receber o torneio, programado para dezembro. As palavras foram do Secretário da Fazenda e do Planejamento da cidade, Pedro Paulo.

O Rio teve o seu primeiro jogo com público nesta quarta-feira, quando o Flamengo venceu o Grêmio pelas quartas de final da Copa do Brasil. O Maracanã poderia receber 35% de público, desde que com comprovante de vacinação de ao menos uma dose ou um teste negativo para a COVID-19. O jogo foi chamado de evento-teste para a liberação do público e a ideia é liberar ainda mais público nas próximas semanas.

“A gente acredita que a volta do público com os protocolos sendo seguidos, como o próprio secretário de saúde Daniel Soranz acompanhou, com responsabilidade, é possível voltar de forma ordeira. Não tenho dúvidas de que a estratégia estabelecida pelo prefeito Eduardo Paes e pela Prefeitura, é de retorno responsável não só do Maracanã, como do Engenhão também. E o Rio de Janeiro (fica) aberto para trazer novos eventos esportivos para a cidade”, afirmou Pedro Paulo, em entrevista à Bandnews.

“Estamos iniciando as discussões para que a final do Mundial de Clubes possa ser no Rio, à medida que Tóquio abriu mão. Estamos nos movimentando junto ao Flamengo (administrador do Maracanã), à CBF, e também junto à Fifa para que a cidade possa concorrer a sediar a final”, disse ainda o secretário.

O Rio foi uma das sedes do primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa, em 2000. Naquela edição, realizada em janeiro, o torneio teve oito clube, com duas cidades-sede, São Paulo e Rio. A final foi no Maracanã, com vitória do Corinthians sobre o Vasco, nos pênaltis. O torneio foi marcante, com Edilson fazendo um dos golaços do torneio contra o Real Madrid, pelo Corinthians, e Romário e Edmundo barbarizando o poderoso Manchester United. Isso além do Necaxa de Álex Aguinaga, um show de carisma.

“Temos totais condições, (temos) o Maracanã, o Engenhão. Tem vários jogos além da final. A cidade se colocará, sim, como postulante a sediar essa final. Temos experiência em sediar grandes eventos, Copa do Mundo, Olimpíada. A cidade do Rio está absolutamente apta a sediar esses jogos. Com o Flamengo sendo um dos times que caminha para essa final, não tenho dúvidas de que seria uma alegria para o Brasil e para o carioca”, disse ainda Pedro Paulo à Bandnews.

O Rio precisará superar dois problemas, digamos, diplomáticos. A relação da CBF com a Fifa não é das mais amigáveis desde que Gianni Infantino assumiu o cargo. Há um incômodo da entidade que dirige o futebol mundial sobre a influência de Carmo Polo Del Nero na CBF, além de uma relação ruim também com Rogério Caboclo. A CBF está sob gestão do interino Ednaldo Rodrigues Gomes, ex-presidente da Federação Baiana de Futebol. Caboclo segue afastado.

Além da má relação entre CBF e Fifa, há outro problema: o papelão feito no Brasil x Argentina. O jogo era válido pelas Eliminatórias da Copa, um torneio que é da Fifa. A forma como as coisas aconteceram, claro, desagradou a entidade e há responsabilidades de todos os envolvidos: CBF, AFA e Conmebol. A forma desorganizada como as entidades geriram, e aí se inclui também o governo brasileiro e a Anvisa, uma autarquia, deixou a impressão que o Brasil vive um caos organizacional – o que infelizmente é verdade. Há o temor que a falta de coordenação gere mais problema. Em um torneio como o Mundial de Clubes, isso seria muito grave.

Há ainda um problema que tem pouco a ver com a Fifa, que é a questão da pandemia. O Brasil caminha para afrouxar as restrições sanitárias e uma delas é permitir o público. Isso é um fator crucial para a Fifa – e para a cidade, porque sem a bilheteria, o evento se torna pouco atrativo para a organização. Só que o Brasil segue como um destino restrito para grande parte dos países do mundo, como o Reino Unido, de onde vem o Chelsea.

Essa é uma restrição que está sendo negociada e pode ser retirada nos próximos meses, mas isso precisa ser resolvido com todos os países envolvidos para que a Fifa se sinta confortável a marcar o evento no Brasil. E, mais do que isso, seria preciso que os governos garantissem o funcionamento. A falta de prestígio brasileiro no exterior, neste momento, pesa contra a candidatura do Rio.

Com tudo isso, será difícil para o Rio sediar o Mundial de Clubes. Isso pode mudar se a Fifa entender que a capital fluminense é a única opção viável — já que a África do Sul também tem problemas similares. Ainda há tempo, mas a Fifa certamente irá preferir outros candidatos que possam receber o torneio. E o tempo está passando.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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