Mundial de Clubes

‘Não reclamam quando ganham R$ 120 milhões’: Ex-Barcelona detona Raphinha e Klopp

Multicampeão pelo Barça tem opinião bem diferente do brasileiro e do alemão, que criticaram Mundial de Clubes

O novo Mundial de Clubes da Fifa não caiu nas graças de todos, tanto que Jürgen Klopp e Raphinha foram alguns dos críticos mais ferrenhos à ideia de Gianni Infantino. Contudo, Hristo Stoichkov discorda veementemente da dupla.

Em entrevista ao jornal “Marca”, o ídolo do Barcelona detonou o diretor global de futebol da Red Bull e o atacante. Stoichkov argumenta que, como o alemão e o brasileiro não estão envolvidos no torneio dos Estados Unidos, não dão o devido respeito.

O que Jürgen Klopp disse sobre o Mundial de Clubes?

Jürgen Klopp, diretor da Red Bull
Jürgen Klopp, diretor da Red Bull (Foto: Imago)

Klopp acredita que os jogadores estão sendo privados de descanso físico e mental. Ao jornal alemão “Welt”, o ex-técnico do Liverpool apontou para o calendário cada vez mais apertado, com Copa do Mundo, Eurocopa, Mundial de Clubes e outra Copa do Mundo em sequência ininterrupta.

— O Mundial de Clubes é a pior ideia já implementada nesse sentido. Pessoas que nunca tiveram nada a ver com o dia a dia dos clubes estão tomando decisões. Entendo que há valores insanos envolvidos, mas isso não é para todos os times.

Como consequência, Jürgen Klopp acredita que o condicionamento físico dos atletas sofrerá um duro golpe nos próximos meses. Além disso, o dirigente do Grupo Red Bull aponta que o nível de excelência do esporte pode cair em meio a tantas exigências.

A resposta de Stoichkov

Por outro lado, Hristo Stoichkov se mostrou surpreso com a opinião de Klopp. O vencedor da Bola de Ouro em 1994 acredita que o posicionamento do ex-treinador dos Reds só foi exposto porque ele não está mais envolvido diretamente com as competições — e nem com as cifras pagas em premiações e salários.

“Eu não esperava isso do Jürgen. Tenho tanto respeito por ele, que talvez se estiver um pouco irritado é porque o Salzburg não está na competição, já que ele é diretor da Red Bull”, começou Stoichkov, fazendo referência à eliminação do Red Bull Salzburg na fase de grupos da competição.

— Quando o Liverpool jogava, ninguém reclamava, quando recebia dinheiro, ninguém reclamava. Acho que precisamos ter mais respeito nesses torneios.

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Raphinha segue mesma linha de raciocínio

Durante evento de um patrocinador, Raphinha afirmou que não queria abrir mão de suas férias para estar no Mundial por “obrigação”. O atacante brasileiro também criticou o excesso de jogos e a falta de aproximação da Fifa para ouvir o lado dos atletas em meio à criação de um novo torneio.

“Muita gente fala (que) os times europeus estão com desculpa. Depende do ponto de vista. No meu ponto de vista, é muito ruim abrir mão das férias para jogar algo que tu é obrigado”, ponderou Raphinha.

— Em nenhum momento perguntaram para os jogadores sobre datas, se queriam. Vocês têm que ir e ponto. E a gente acata ordens. A gente tem que estar lá jogando.

Ex-Barça retruca

Stoichkov relembrou que, no mesmo período de 2026, Raphinha deve viajar com a seleção brasileira para os EUA para jogar a Copa do Mundo. O ex-Barça valorizou o intercâmbio esportivo que o Mundial de Clubes pode proporcionar.

— Muito bem, mas ano que vem o Raphinha vai jogar aqui, você esquece. A Copa de 2026 é aqui, eu também joguei aqui (1994)… então temos que acalmar um pouco as coisas.

“Antes eram duas substituições e agora são cinco, que é metade do time que você pode mudar no intervalo. Mais uma na prorrogação. Se você reclama disso, me parece injusto. Como se nunca tivéssemos jogado futebol ou nunca tivéssemos jogado tantas partidas durante o ano”, concluiu Hristo Stoichkov.

Stoichkov gosta do novo Mundial

Hristo Stoichkov Foto: (Imago)
Hristo Stoichkov Foto: (Imago)

Por fim, o ídolo do Barcelona se mostrou a favor da implementação do Mundial de Clubes expandido, reforçando que diferentes potências continentais podem ficar frente a frente, cujo potencial é evoluir ainda mais o futebol em todos os cantos do planeta.

— Você reúne muitas culturas, novos sistemas, novas táticas, muitas equipes diferentes que não se conheciam antes de jogar em um torneio como este. […] Futebol é uma festa para todos. Quem não gosta de jogar?

Stoichkov também apontou a contradição de Jürgen Klopp e Raphinha, que jogaram ao nível doméstico e internacional e receberam cada vez mais para isso. Por isso, o ex-melhor do mundo não vê sustentação nas reclamações.

“Eles não reclamam quando ganham 20 milhões de euros por ano (cerca de R$ 120 milhões), só precisam esperar para ver se jogam de sábado a sábado, sem jogar a Copa do Rei, a Copa da Inglaterra, a Copa da Liga Inglesa. Anos atrás, (as copas) não valiam nada, porque talvez estivessem na Champions League”, finaliza Hristo Stoichkov.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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