Mundial de Clubes

Mundial de Clubes: 5 sugestões de melhoria para as próximas edições

Torneio histórico nos Estados Unidos tem aspectos que precisam de revisão da Fifa

O Mundial de Clubes de 2025 acabou no domingo (13) com a vitória do Chelsea sobre o PSG por 3 a 0. O “na-na-na-na-na” da música oficial do torneio, os jogos bem disputados e emocionantes e novos talentos em ação vão deixar saudades. Já alguns aspectos da organização, não.

Como toda competição nova, é normal que sejam implementadas mudanças e inovações, porém, nem todas agregam ao esporte ou à experiência dos fãs. A Trivela apresenta a seguir cinco tópicos que a Fifa pode rever para melhorar os próximos Mundiais.

1. Pensar mais na sede do Mundial e na política de ingressos

O primeiro quesito é pensar bastante na escolha da sede. A entidade decidiu realizar o torneio nos Estados Unidos para ser uma forma teste da Copa do Mundo de seleções, em 2026, mas houve problemas com as estruturas dos estádios, que foram feitos para a prática de futebol americano e precisaram de adaptações.

Os gramados foram alvos constantes de críticas. O técnico Luis Enrique afirmou que no Lumen Field (Seattle) “a bola pula como coelhos“, enquanto Niko Kovac comparou os campos a um “green” de golfe, que consiste em grama bem curta.

Estádio em Orlando vazio durante Ulsan HD x Mamelodi Sundowns no Mundial (Foto: Imago)

Além disso, a Fifa teve dificuldades em vender ingressos para muitas partidas e adotou o sistema dinâmico, que muda os valores de acordo com os jogos. O carro-chefe esportivo nos EUA é o futebol americano, seguido pelo basquete.

Embora a popularidade do futebol como conhecemos ter aumentado por lá nos últimos anos, a modalidade ainda não caiu totalmente no gosto dos cidadãos norte-americanos.

A abertura do Mundial, entre Inter Miami e Al-Ahly, teve baixa procura obrigou a organização a fazer “superpromoção”. A partida da semifinal entre Fluminense e Chelsea sofreu do mesmo problema e passou por redução de aproximadamente 97% do valor inicial.

O Brasil se candidatou a receber a competição em sua próxima edição, a ser realizada em 2029, e esses problemas não devem se repetir caso a Fifa escolha o País ou outro local com mais apego pelas quatro linhas.

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2. Estudar a forma de classificação

As 32 equipes da edição inaugural foram divididas conforme as federações. A Uefa (Europa) teve 12 vagas, e a Conmebol (América do Sul) ficou com seis. AFC (Ásia), CAF (África) e Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) tiveram quatro representantes cada. A OFC (Oceania) e o país-sede (neste caso, os EUA), com um lugar destinado, completaram a lista.

O adendo é que nenhum país pôde mandar mais de dois times aos Estados Unidos, a menos que as equipes em questão fossem campeãs continentais — o que explica o Brasil ter tido quatro representantes.

Hansi Flick, treinador do Barcelona
Hansi Flick, treinador do Barcelona (Foto: Imago)

Essa norma impediu, por exemplo, clubes como Barcelona, Liverpool e RB Leipzig de disputar a competição, e beneficiou Benfica, Juventus e RB Salzburg. O técnico Simone Inzaghi, do Al-Hilal, chegou a lamentar a ausência do Barça.

Para ajustar isso, a Fifa pode repensar as formas de classificação ao Mundial. Aumentar o número de times para 48 não é descartado e, inclusive, faz parte do lobby de equipes europeias. Outro apelo em análise é elevar a quantidade de representantes por país.

3. Ajustar a fase inicial

Algo que pode ser útil a partir do Mundial de 2029 é mudar o método de definição dos jogos do mata-mata. Em 2025, as equipes foram divididas em oito grupos e as duas melhores de cada chave avançaram às oitavas.

O chaveamento do mata-mata consistia em o líder do Grupo A contra o segundo colocado do Grupo B e assim sucessivamente. Isso proporcionou a alguns clubes projetar o potencial adversário com antecedência e foi uma pedra no sapato a campanhas regulares, como ocorreu com Flamengo e Juventus.

Filipe Luís, do Flamengo, com Kompany, treinador do Bayern (Foto: Imago)
Filipe Luís, do Flamengo, com Kompany, treinador do Bayern (Foto: Imago)

O Rubro-Negro foi o líder do Grupo D com sete pontos e se despediu ao encarar o Bayern de Munique nas oitavas. A Juve tinha seis pontos no Grupo G e perdeu para o Real Madrid na mesma fase.

Seria interessante a Fifa adotar um sistema semelhante ao que a Uefa implementou nas competições europeias, uma espécie de fase de liga, para propiciar mais surpresas, duelos diferentes e competitividade até as últimas rodadas do estágio inicial, além de ajudar a compensar times que tiverem desempenho melhor.

4. Impedir inscrições de jogadores no decorrer do torneio

O mercado de transferências se adequou ao Mundial de Clubes de 2025 e teve duas fases, de 1º a 10 de junho (antes de iniciar) e entre 27 de junho e 3 de julho (a partir das oitavas). A segunda janela, que permitiu a inscrição de jogadores com a competição em andamento, levou, por exemplo, João Pedro ao Chelsea.

O brasileiro teve impacto imediato desde a estreia nas quartas de final contra o Palmeiras. Além disso, marcou os dois gols dos Blues contra o Fluminense — que classificaram o time de Maresca à decisão — e um na final diante do PSG.

João Pedro, atacante do Chelsea
João Pedro, atacante do Chelsea (Foto: IconSport)

Desempenho de João Pedro à parte, a Fifa autorizar isso notadamente mudou rumos no torneio, e o ideal é que não fossem permitidas inscrições de novos jogadores no decorrer do Mundial nas próximas edições.

5. Acabar com a entrada inspirada na NBA

Por fim, a Fifa deveria repensar a entrada de jogadores em campo um a um, inspirada na NBA (liga de basquete dos EUA). A novidade não funciona para o futebol, e nem os próprios atletas se mostraram muito adeptos ao método.

Outro ponto de discussão neste caso é o tempo que se perde em anunciar nome por nome e aguardar a caminhada solitária até o gramado. Além disso, causou confusão, como quando o zagueiro Marius Hoibraten, do Urawa Reds, “ignorou” jogadores do River Plate por não entender o protocolo.

A entrada perfilada, com ambos os times juntos, é uma das coisas mais bonitas da modalidade e fez falta no Mundial de 2025.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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