Estêvão deixou Copa do Mundo valorizado, mas gesto final magoou torcida do Palmeiras
Jogador foi elogiado por imprensa inglesa e abraçado por colegas após jogo das quartas de final
Diego Iwata Lima11/07/2025 - 10:00Atualizado 02/12/2025 - 14:09
3 minutos de leitura
Estêvão teve primeira experiência em palco mundial. Fotos: Cesar Greco/Palmeiras e IMAGO
É sempre importante relembrar que Estêvão tem apenas 18 anos. Com essa idade, nenhum leitor desse e de qualquer outro texto da Trivela valia mais de R$ 350 milhões, era o principal jogador do Palmeiras há mais de um ano, ou tampouco estava de mudança para Londres, para vestir a camisa do Chelsea.
Por conta disso, imaginar o que se passa em sua cabeça é tarefa impossível. Assim como é injusto demandar dele uma maturidade que ele não tem como demonstrar.
Estêvão até tentou explicar a sensação, em um arroubo de “sincericídio“.
— Muito difícil, é um sonho que vou realizar, sabendo que tenho que focar aqui (na Copa do Mundo de Clubes) e trabalhar. Não é fácil, tem que manter a cabeça aqui. Quanto mais perto, a ansiedade vai batendo, o friozinho na barriga. Estou tentando focar o máximo aqui para sair bem, com a cabeça erguida e pela porta da frente e sabendo que dei meu máximo — disse ele, após o empate com o Inter Miami na fase de grupos (2 a 2).
Pelo que fez no torneio, e em especial no último jogo, Estêvão começará sua carreira no futebol inglês valorizado. Deu um cartão de visitas de primeira linha para os futuros colegas.
Atormentou Cucurella, bateu boca e não abaixou a cabeça para Enzo Fernandez e Pedro Neto. Jogou sua derradeira partida pelo Verdão como se não fosse para o time adversário daqui a menos de um mês.
A imprensa inglesa adorou o que viu:
— Quando o brasileiro marcou o gol de empate, no ângulo, os torcedores do Chelsea podem ser perdoados se ficaram um pouco animados — disse a BBC.
— O atacante foi uma ameaça constante na direita do Palmeiras, teve o maior número de toques na área do Chelsea pelo seu time (oito) e foi eleito o melhor em campo — completou.
Estêvão comemora gol sobre o Chelsea (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
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“O que você acha que faltou?”
A despedida contra o futuro time, com gol e futebol brilhantes, poderia ter sido o final perfeito para a passagem de Estêvão pelo clube alviverde.
A imperfeição do adeus começou com a falha de Weverton, que resultou no gol da eliminação, quando o Palmeiras era melhor. Mas o adeus individual do atacante ainda poderia ter se salvado.
O jornalista Felippe Facincani, nos EUA pela TV Gazeta, questionou Estêvão sobre o que faltou para o time superar os ingleses. Se faltou algo a mais. Se ele, Estêvão, poderia ter feito algo diferente.
O atacante, que estava ao lado de Abel Ferreira, olhou para o treinador, e os dois, tapando a boca para esconder o que diziam, riram.
— O que você acha que faltou? Bem, não vou abrir o meu coração porque, da outra vez, vocês jogaram pra outro lado. Mas uma coisa que o meu pai e o Abel falam é para eu deixar meu máximo em campo. E foi o que eu fiz. Ajudei a equipe com um gol, mas não vamos conseguir vencer todo dia. Agora é bola para frente. Torcerei para o Palmeiras e foi um orgulho imenso fazer parte desse grupo — respondeu.
Espontaneidade de um bom garoto
Palmeiras pós-Estêvão: Como Abel Ferreira projeta time sem o craque (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
A irritação é até justa. As risadas, contudo, deixaram, para grande parte da torcida, a sensação de deboche. Algo na linha “contar uma piada em velório”.
A Trivela procurou o Palmeiras para entender melhor a questão. Ouviu de fontes que Estêvão chorara antes e chorou depois da entrevista coletiva. E que o riso fora uma reação nervosa a uma pergunta considerada provocativa.
Pode mesmo ser. Porque não há no clube quem não diga que Estêvão é um bom garoto. Ao contrário de Endrick, que era moldado por media training, Estêvão é visto como espontâneo.
Mas o riso dele e de Abel magoou. Em especial depois de John Arias quase se afogar em lágrimas diante da eliminação do Fluminense, contra o mesmo Chelsea, na semifinal (2 a 0). A comparação foi inevitável.
Estêvão, em sua última imagem como jogador do Palmeiras, saiu do palco deixando má impressão para muitos. Que nem a torcida, nem Estêvão mereciam depois de tantos bons momentos.
Uma imagem que, acima de tudo, não condiz com a qualidade do seu futebol e do caráter que ele demonstrou em seus quatro anos de clube.
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.