Mundial de Clubes

Estêvão deixou Copa do Mundo valorizado, mas gesto final magoou torcida do Palmeiras

Jogador foi elogiado por imprensa inglesa e abraçado por colegas após jogo das quartas de final

É sempre importante relembrar que Estêvão tem apenas 18 anos. Com essa idade, nenhum leitor desse e de qualquer outro texto da Trivela valia mais de R$ 350 milhões, era o principal jogador do Palmeiras há mais de um ano, ou tampouco estava de mudança para Londres, para vestir a camisa do Chelsea.

Por conta disso, imaginar o que se passa em sua cabeça é tarefa impossível. Assim como é injusto demandar dele uma maturidade que ele não tem como demonstrar.

Estêvão até tentou explicar a sensação, em um arroubo de “sincericídio“.

— Muito difícil, é um sonho que vou realizar, sabendo que tenho que focar aqui (na Copa do Mundo de Clubes) e trabalhar. Não é fácil, tem que manter a cabeça aqui. Quanto mais perto, a ansiedade vai batendo, o friozinho na barriga. Estou tentando focar o máximo aqui para sair bem, com a cabeça erguida e pela porta da frente e sabendo que dei meu máximo — disse ele, após o empate com o Inter Miami na fase de grupos (2 a 2).

Três vezes melhor em campo

Mesmo assim, o camisa 41 do Verdão deixou o campo com o prêmio de melhor do jogo em três dos cinco compromissos do Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes: Porto (0 a 0), Al Ahly (2 a 0) e Chelsea, pelas quartas de final do Mundial (1 a 2).

Pelo que fez no torneio, e em especial no último jogo, Estêvão começará sua carreira no futebol inglês valorizado. Deu um cartão de visitas de primeira linha para os futuros colegas.

Atormentou Cucurella, bateu boca e não abaixou a cabeça para Enzo Fernandez e Pedro Neto. Jogou sua derradeira partida pelo Verdão como se não fosse para o time adversário daqui a menos de um mês.

A imprensa inglesa adorou o que viu:

— Quando o brasileiro marcou o gol de empate, no ângulo, os torcedores do Chelsea podem ser perdoados se ficaram um pouco animados — disse a BBC.

— O atacante foi uma ameaça constante na direita do Palmeiras, teve o maior número de toques na área do Chelsea pelo seu time (oito) e foi eleito o melhor em campo — completou.

Estêvão comemora gol sobre o Chelsea
Estêvão comemora gol sobre o Chelsea (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

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“O que você acha que faltou?”

A despedida contra o futuro time, com gol e futebol brilhantes, poderia ter sido o final perfeito para a passagem de Estêvão pelo clube alviverde.

A imperfeição do adeus começou com a falha de Weverton, que resultou no gol da eliminação, quando o Palmeiras era melhor. Mas o adeus individual do atacante ainda poderia ter se salvado.

Contudo, uma entrevista coletiva completamente fora do tom, em muito insuflada pelo técnico Abel Ferreira, diga-se, deixou ainda mais amargo o gosto da eliminação.

O jornalista Felippe Facincani, nos EUA pela TV Gazeta, questionou Estêvão sobre o que faltou para o time superar os ingleses. Se faltou algo a mais. Se ele, Estêvão, poderia ter feito algo diferente.

O atacante, que estava ao lado de Abel Ferreira, olhou para o treinador, e os dois, tapando a boca para esconder o que diziam, riram.

— O que você acha que faltou? Bem, não vou abrir o meu coração porque, da outra vez, vocês jogaram pra outro lado. Mas uma coisa que o meu pai e o Abel falam é para eu deixar meu máximo em campo. E foi o que eu fiz. Ajudei a equipe com um gol, mas não vamos conseguir vencer todo dia. Agora é bola para frente. Torcerei para o Palmeiras e foi um orgulho imenso fazer parte desse grupo — respondeu.

Espontaneidade de um bom garoto

Estêvão é jogado para o alto pelos colegas do Palmeiras em despedida dele do Allianz Parque
Palmeiras pós-Estêvão: Como Abel Ferreira projeta time sem o craque (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

A irritação é até justa. As risadas, contudo, deixaram, para grande parte da torcida, a sensação de deboche. Algo na linha “contar uma piada em velório”.

A Trivela procurou o Palmeiras para entender melhor a questão. Ouviu de fontes que Estêvão chorara antes e chorou depois da entrevista coletiva. E que o riso fora uma reação nervosa a uma pergunta considerada provocativa.

Pode mesmo ser. Porque não há no clube quem não diga que Estêvão é um bom garoto. Ao contrário de Endrick, que era moldado por media training, Estêvão é visto como espontâneo.

Mas o riso dele e de Abel magoou. Em especial depois de John Arias quase se afogar em lágrimas diante da eliminação do Fluminense, contra o mesmo Chelsea, na semifinal (2 a 0). A comparação foi inevitável.

Estêvão, em sua última imagem como jogador do Palmeiras, saiu do palco deixando má impressão para muitos. Que nem a torcida, nem Estêvão mereciam depois de tantos bons momentos.

Uma imagem que, acima de tudo, não condiz com a qualidade do seu futebol e do caráter que ele demonstrou em seus quatro anos de clube.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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