Mundial de Clubes: ‘Tem mais ideias acontecendo dentro do futebol brasileiro do que antigamente’
Tim Vickery, Andrey Raychtock e Diego Iwata participaram do programa Trivela FC para avaliar brasileiros no novo torneio da Fifa
Após a estreia dos quatro brasileiros no Mundial de Clubes, não dá para negar que o saldo é positivo. Palmeiras, Botafogo, Flamengo e Fluminense estão invictos nos Estados Unidos — e nem mesmo os temidos europeus foram capazes de vencer.
Porto e Borussia Dortmund foram os primeiros concorrentes dos brasileiros no Mundial. Tanto Verdão, quanto Tricolor das Laranjeiras, não se intimidaram e partiram para cima dos portugueses e alemães, respectivamente. E a vitória não veio para a dupla por pouco.
Apesar dos dois empates, Tim Vickery não tem dúvidas de que a “distância entre futebol de clubes da Europa e da América do Sul diminuiu bastante nos últimos anos”. Para explicar essa melhora do futebol brasileiro, ele deu sua visão no episódio desta terça-feira (17) do Trivela FC, programa da Trivela no YouTube.
“O dinheiro que tem o futebol brasileiro (trouxe) melhorias grandes em contratações. O melhor jogador hoje (do Fluminense) foi colombiano (Jhon Arias). Do Flamengo, foi uruguaio (Giorgian De Arrascaeta). O futebol brasileiro é capaz de identificar e segurar jogadores melhores do que 20, 10 anos atrás”, começou Tim.
— E também a chegada de Jorge Jesus ao Flamengo, em 2019, foi fundamental. Abriu a cabeça, tem mais ideias acontecendo dentro do futebol brasileiro do que antigamente.
‘Tinha certeza que o Fluminense e o Palmeiras iriam ganhar’

Quem também participou do Trivela FC foi Diego Iwata, que está in loco para cobrir o Mundial. O setorista aponta que sempre acreditou no duelo dos brasileiros contra os europeus por entender que a diferença entre essas equipes não era tão grande assim.
— Eu tinha certeza que o Fluminense iria ganhar do Dortmund, como não tinha dúvida que o Palmeiras iria ganhar do Porto também. Porque eu já tinha essa concepção de que não há essa distância tão enorme.
“Na minha avaliação, o Fluminense fez um jogo mais consistente do que o Palmeiras. Contra o Porto, houve um equilíbrio. O Fluminense foi melhor o jogo inteiro, mas não soube lidar com essa superioridade”, finalizou Diego.
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A percepção do novo Mundial

A ideia da gestão de Gianni Infantino era criar uma competição de clubes tão impactante quanto a Copa do Mundo de seleções. Na guerra fria com a Uefa, que lucra bilhões com a Champions League, a entidade máxima do futebol apostou na expansão do Mundial.
Com 32 representantes de todos os continentes, os Estados Unidos são o palco dessa experiência da Fifa. Contudo, o torneio não está a salvo de críticas. Calendário lotado, calor extremo e gramados ruins já foram temas de debate.
No caso dos europeus, os 12 representantes da Uefa estão em final de temporada e já apresentam sinais de desgaste físico. O Brasil, por outro lado, está apenas na metade de seu ano de futebol. Mesmo, Tim Vickery acredita que o novo Mundial de Clubes não é apenas um torneio de verão para o Velho Continente.
— Não vejo esse torneio um amistoso para os europeus, mas o que vier é lucro.
Já Andrey Raychtock, que também está nos EUA na cobertura da competição pela Trivela, reforça que a continuidade do projeto vai provar se os sul-americanos estão à altura dos europeus. Antes da nova versão, o Mundial de Clubes já foi uma tentativa da Fifa em emplacar o posto de melhor time do planeta no início do século.
“A gente teve uma promessa com o Mundial de 2000, que era o pontapé inicial para um torneio com mais times e recorrência, (mas) demorou muito para acontecer, acabou perdendo valor com o tempo”, pondera Andrey.
— Esse Mundial acho que está pegando do ponto de vista de interesse, pelo menos na América do Sul, Ásia e África. Pegando, vai ter valor. Se os europeus ainda não entram com tudo, é o momento da gente aproveitar e ganhar deles.



