Novo Mundial de Clubes reaquece guerra entre Fifa e Uefa — e Conmebol se aproveita
Torneio reformulado pela entidade máxima do futebol bate de frente com aspirações do órgão europeu na disputa por dinheiro e poder
A menos de um mês para o início do novo Mundial de Clubes, Fifa e Uefa vivem cenário de tensão nos bastidores na eterna luta por dinheiro e poder. E com as duas principais entidades do futebol mundial em pé de guerra, quem sorri é a Conmebol.
O site “The Athletic” revelou detalhes das disputas internas entre Fifa e Uefa com a reformulação do torneio de clubes como pano de fundo. Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do esporte, queria fazer de seu novo Mundial a competição mais valiosa do planeta.
O torneio, que será realizado nos Estados Unidos entre junho e julho, foi classificado pelo dirigente como o troféu “mais cobiçado” do futebol de clubes. O órgão europeu, por sua vez, defende a valorização da Champions League.
Fontes ligadas ao planejamento da Fifa para o Mundial de Clubes detalham que Infantino planejava causar impacto global ao pagar um valor maior ao campeão do que o vencedor da Liga dos Campeões. Contudo, isso não se concretizou.
Segundo dados publicados pela própria entidade máxima, o ganhador do novo Mundial pode embolsar até US$ 125 milhões (cerca de R$ 707,9 milhões). Por outro lado, o Real Madrid, campeão da Champions 2023/24, recebeu US$ 154 milhões (em torno de R$ 872,1 milhões), conforme relatório da Uefa.
Tensão entre Fifa e Uefa ganha novos capítulos na América do Sul
A load of empty seats FIFA Congress – at least eight including FA chairwoman Debbie Hewitt and UEFA president Aleksander Ceferin
— Martyn Ziegler (@martynziegler) May 15, 2025
Senior FIFA members appear to make clear displeasure at Infantino prioritising Gulf visit which delayed Congress by not returning after the break. pic.twitter.com/sVAOWNrntA
Na última semana, a Fifa realizou um Congresso em Assunção, no Paraguai, coincidindo com o centenário da filiação da Conmebol. O que chamou a atenção foi que oito membros da Uefa abandonaram o evento durante sua realização — inclusive o presidente do órgão europeu.
Eles alegaram que decidiram deixar o Congresso da entidade máxima do futebol porque Gianni Infantino demorou a aparecer por priorizar reuniões com líderes mundiais. O dirigente da Fifa se reuniu com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, no Catar e na Arábia Saudita.
O presidente da entidade máxima desembarcou tão tarde na América do Sul que o Congresso precisou ser adiado em três horas devido a um problema em seu voo. A atitude de Infantino irritou a Uefa, comandada por Aleksander Ceferin.
Em nota, o órgão europeu advertiu o dirigente da Fifa por desrespeitar o cronograma “para acomodar interesses políticos privados”. Nos últimos dias, a Uefa adotou tom mais ameno para reforçar seu “relacionamento forte e respeitoso” com a entidade máxima do futebol.
Contudo, um alto executivo do órgão europeu acredita que o episódio polêmico do último Congresso da Fifa tem o potencial de ser o “ponto de inflexão do esporte”. Ele ainda declarou que “as sementes do descontentamento podem florescer contra Gianni Infantino”.
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Europeus temem perder domínio de influência e receitas para Infantino

Na Europa, os dirigentes estão preocupados com os movimentos da Fifa no que diz respeito ao futebol de clubes. A entidade máxima se limitava a organizar a Copa do Mundo de seleções, mas agora busca conquistar parte da influência e das receitas da Uefa.
No quesito financeiro, o órgão europeu arrecada mais do que o dobro embolsado pela Fifa. O sucesso da Uefa vem através da Champions League e da Eurocopa. A entidade máxima do futebol busca contra-atacar globalizando o esporte — que tem sido o modelo de gestão desde 2016.
Além do Mundial de Clubes com 32 participantes, a Fifa já aumentou a Copa do Mundo para 48 países. Como consequência, a entidade máxima prevê maiores receitas que poderão ser distribuídas entre as federações para desenvolver o esporte em outros centros.
A ideia é diminuir a diferença gritante entre o futebol de elite da Europa e o restante do mundo. Só que essa premissa da Fifa é vista como uma ameaça de apropriação de domínio e dinheiro pela Uefa, que deseja se manter hegemônica.
E como fica a Conmebol?

Entre os projetos mirabolantes da entidade máxima do futebol, Infantino tentou emplacar a Copa do Mundo a cada dois anos. Isso não foi para frente graças à postura irredutível da Uefa e da Conmebol, que ameaçaram um boicote caso o torneio fosse realizado bienalmente.
A aproximação entre europeus e sul-americanos criou a Finalíssima, que coloca os campeões da Copa América e da Euro frente a frente. Contudo, a Conmebol passou a se alinhar mais com a Fifa nos assuntos relacionados à expansão da Copa do Mundo.
O órgão sul-americano conseguiu colocar o Brasil como sede do Mundial feminino, em 2027. A Conmebol também defende que a Copa do Mundo masculina abranja 64 países — o que significaria mais jogos no continente em 2030.



