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Infantino se distancia da ideia da Copa bienal e exalta a própria gestão em Congresso da Fifa

Presidente da Fifa fez elogios à própria gestão e tentou tirar o corpo fora quando questionado em relação à Copa bienal

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi um dos principais nomes a falar no Congresso Anual da entidade, realizado em Doha, sede da Copa do Mundo deste ano. O dirigente fez elogios à própria gestão, comentando sobre como “o dinheiro não some mais”. Ele também comentou sobre a ideia da Copa a cada dois anos, que ele disse que não foi proposta pela Fifa, tentando tirar o corpo fora de uma ideia que causou muita controvérsia.

Copa do Mundo a cada dois anos, EU?

Infantino tratou de se distanciar da ideia de ter uma Copa do Mundo a cada dois anos, como tem sido falado. O presidente da Fifa usa um artifício simples: havia um pedido de algumas federações, que foi apoiado pela maioria, para a criação de um estudo de viabilidade para a ideia. O estudo, então, foi encomendado, de fato não foi feita pela Fifa, mas foi contratada por ela. De fato, portanto, a ideia não foi da Fifa, mas foi amplamente apoiada por ela, direta e indiretamente.

“Vamos deixar o processo claro aqui: o último Congresso da Fifa pediu à administração da Fifa para começar um estudo de viabilidade para sediar a Copa do Mundo a cada dois anos. A administração da Fifa, sob a liderança de Arsène Wenger, fez exatamente isso. A Fifa não propôs nada, mas chegou à conclusão que é viável, que haveria alguma repercussão e impacto”, disse Infantino.

“Vimos que era viável e até positivo para uma grande parte do mundo, mas há, é claro, uma grande oposição a isso e é daí que a discussão tem que começar”, continuou o presidente da Fifa. “Agora vem o consenso com os clubes, ligas, jogadores… Trabalhamos juntos, grandes e pequenos, respeitando a pirâmide do futebol”.

“O futebol não deve se reduzir a uma Copa do Mundo. Há também o futebol feminino, cuja Copa do Mundo vai atrair um bilhão de torcedores. A juventude, que deve disputar uma Copa do Mundo todos os anos para que não se percam gerações. Para isso estamos desenvolvendo o programa de talentos com Wenger no comando”.

As duas principais confederações do mundo, a Uefa e a Conmebol, se manifestaram contra a ideia da Copa bienal. Outras entidades, como o Comitê Olímpico Internacional (COI), e mesmo pessoas ligadas ao futebol feminino temem que a Copa bienal tomaria espaço de outras modalidades. “Somos olhando todas as opções. “Vamos levar o tempo que for necessário com a máxima compreensão de todas as posições”.

Pandemia da Covid-19 no futebol

“Vivemos uma pandemia e acontecimentos terríveis. Três anos depois podemos nos encontrar. O futebol não parou, mas sempre pensando na saúde. Agora uma guerra está acontecendo como outros conflitos em muitas partes do mundo”, afirmou Infantino.

Futebol em meio a conflitos

“Acredito no poder do futebol, mas não somos tão ingênuos a ponto de pensar que podemos resolver tudo. A última final da Copa do Mundo foi na Rússia, minha última Uefa Champions League foi em Kiev, mas eles não resolveram os problemas. Assim que o conflito terminar, o futebol poderá dar aquela pequena contribuição para unir. Parem com a guerra, por favor, e o futebol estará lá”

Autoelogio: à gestão “O dinheiro não desaparece mais”

“A segunda das questões é que, apesar de tempos tão difíceis, temos que ir em frente e olhar para os estatutos da Fifa. Nosso primeiro objetivo é desenvolver o futebol. Estamos indo bem financeiramente, recebendo mais dinheiro do que o projetado. A governança da Fifa está correta, como o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostrou. Eles confiam em nós. Não é mais uma organização tóxica. Investimos em futebol. O dinheiro não desaparece mais. Não queremos trapaceiros no futebol”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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