O Mundial de Clubes se aproxima do fim e isso tem prós e contras
Fluminense enfrenta o Chelsea nesta terça-feira (08) na antepenúltima partida do torneio, que terá sua final no domingo (13)
Já estamos prontos para voltar para a realidade?
Pode ser terça-feira (08), ou no máximo domingo (13). Mas de qualquer maneira, a aventura vai acabar logo. O Mundial de Clubes está na reta final. Você já está preparado para voltar de uma vida do Campeonato Brasileiro, playoffs da Sul-Americana, expectativa do mata-mata da Copa Libertadores?
O meu neto vai completar oito anos nesta semana. A festa é no mesmo dia da grande final. É filho de um flamenguista fanático, e frequenta o Maracanã desde os três anos. Claro que foi doloroso para ele a derrota para o Bayern. Mas conseguiu assimilar de uma maneira filosófica. Acordou no dia seguinte e falou “pelo menos os jogos no Maracanã vão voltar. Eu já não aguentava mais assistir só pela televisão.”
Vai longe, vai longe.
Por um lado, também fico feliz com o fim do Mundial. Tem sido cansativo. Venho me sentindo atirado pelos dois lados da minha vida. Primeiro, brigando com os meus conterrâneos, muitos de quem acham que o torneio não tem o menor valor. Pelo outro, por pessoas aqui que andaram colocando uma importância exagerada na coisa, e que mostraram às vezes uma amargura que cruzou a linha e virou xenofobia.
Por tratar-se de um torneio com a participação de clubes locais, achei a carga emocional muito forte, menos espalhada que a Copa das Seleções, mas, em quem pegou, mais intensa. Até fiquei com a impressão de que a seleção estava entrando em campo quatro vezes em três dias. Gerou um desgaste.
Fluminense é a narrativa mais impactante do Mundial

Por outro lado – e com certeza não sou o único – vou sentir muita falta da grandiosidade do Mundial de clubes. A iniciativa foi salva pelos torcedores sul-americanos, que fizeram uma festa de paixão que reforçou uma mensagem fundamental pelo êxito do empreendimento – isso é uma coisa importante!
Grandiosidade ajuda a fornecer dimensão pelas narrativas do torneio, e entrando na última semana, a narrativa mais impactante é aquela do Fluminense.
Quem diria? Imaginava Flamengo e Palmeiras fazendo de tudo para brigar pelo título. A fé em Botafogo foi abalada pelas vendas no final do ano passado e o grupo bem difícil. Vai passar? Difícil. Mas Fluminense? Grupo acessível. Mas não vai além. Se mostrou bem contra o Borussia Dortmund – o Renato deu sinal da sua inteligência armando o time com três volantes – mas eu não estava enxergando como o time ia transformar o seu jogo em gols. Saiu do grupo, mas acaba aí. Vai perder contra o Inter de Milão. Consegui passar. Mas vai perder contra Al Hilal. E aqui estamos.
O Renato é uma história, o Fábio é uma história, o Thiago Silva é uma história, o Hércules é uma história diferente. E todo mundo está fazendo história. Depois do calor dos olhos do mundo no verão dos Estados Unidos, não sei como essa turma vai enfrentar o Cruzeiro no Maracanã na semana que vem numa noite fria de inverno carioca.
Pelo menos o palco e o adversário vão dar um toque de grandiosidade para o evento. Mas não se compara.
Pode ser que quem mais sinta a diferença seja Jhon Arias. Não é segredo que gostaria de jogar na Europa. E agora não deve ser secreto para ninguém que merece jogar na Europa – e, por sinal, vestindo as cores de um grande time. Não é “vira-latismo” (quantos debates pobres provocados por essa palavra!) reconhecer que o futebol europeu é onde os grandes jogadores querem jogar, e também onde eles ganham o respeito dos outros grandes jogadores.
O Arias é uma vítima – e a gente os favorecidos – de um modelo atual de contratações onde a Europa quer as maiores promessas do futebol sul-americano, e não necessariamente os melhores jogadores. Daí o Luis Guilherme foi para West Ham após marcar somente um gol profissional, e Arias continua desfilando o seu talento aqui. Sorte para a gente, mas imagino que agora o pequeno colombiano gostaria que o Mundial de Clubes não terminasse nunca.



