Mundial de Clubes

Mundial de Clubes nos EUA está ‘traindo o espírito de um evento internacional’?

Para Tim Vickery, colunista da Trivela, política imigratória dos EUA, que sediará o Mundial de Clubes, quebra promessa da Fifa

A política anti-imigração de Donald Trump gerou uma crise recente nos EUA, com protestos, prisões e bate-boca público entre autoridades. O país sedia o Mundial de Clubes, que tem início neste sábado (14), com o duelo entre Al-Ahly e Inter Miami.

As restrições atuais dos Estados Unidos – que chegaram a proibir a entrada de cidadãos de 12 países diferentes – afetam o país em diversas áreas. Um dos reflexos pode ser sentido na baixa procura por ingressos para a partida de estreia da competição, que terá a presença de Lionel Messi.

Na véspera da estreia da Copa do Mundo de Clubes, a live do Trivela FC, realizada no YouTube da Trivela, debateu alguns pontos que colocam em xeque a escolha pelos Estados Unidos para receber competições esportivas de grande porte como o Mundial de Clubes, a Copa do Mundo de 2026 e as Olimpíadas de Los Angeles em 2028.

Para Tim Vickery, colunista da Trivela, organizações internacionais como Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) devem analisar a coerência em realizar competições que englobam países ao redor do mundo durante um governo que restringe a presença de turistas e imigrantes.

“Seria interessante as organizações internacionais esportivas tomarem uma posição contra isso que está acontecendo [leis contra imigração nos EUA], porque não deixarem cidadãos de vários países entrarem nos EUA, para mim, contraria a promessa feita quando você assume que você vai sediar esses eventos”, afirma Vickery.

Para mim, a minha posição pessoal, e sei que obviamente não vai acontecer, a Fifa já deveria estar pensando em tirar o Mundial dos EUA e levar para um outro país porque está traindo o espírito de um evento internacional.

Mundial de Clube nos EUA: Futebol deveria ser “território livre”

Diretamente dos Estados Unidos para a cobertura do torneio pela Trivela, o jornalista Andrey Raychtock detalhou o clima de pouca empolgação do país com relação ao Mundial de Clubes e como o cenário político pode ter interferido negativamente no clima da competição.

“[Isso] mostra essa dicotomia aqui. Ao mesmo tempo em que o futebol deveria ser um território livre para que os clubes que precisam jogar aqui consigam transitar livremente, a política imigratória trabalha contra. Então, isso é uma questão grande. É muito importante a gente ficar de olho com o que acontece aqui para poder ser corrigido a tempo da Copa do Mundo”, afirmou Raychtock.

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EUA vivem onda de protestos às vésperas do Mundial de Clubes

As medidas de deportação em massa de Donald Trump resultaram em uma onda de protestos em todo o país. Dias antes do Mundial, a partida da MLS entre LAFC e Sporting Kansas City virou palco de protestos contra ações do Serviço de Imigração em Los Angeles.

As batidas imigratórias geraram indignação generalizada, especialmente após a decisão do presidente dos EUA de enviar dois mil soldados da Guarda Nacional à cidade para, segundo ele, “restaurar a ordem”, mesmo diante da oposição do governador da Califórnia, Gavin Newsom, que chamou a ação de “alarmante abuso de poder”.

No jogo, torcedores do LAFC levaram faixas com os dizeres: “Abolir o ICE” (Immigration and Customs Enforcement ICE ou “Serviço de Imigração e Controle de Aduanas) e “Imigrantes são o coração de Los Angeles”.

LAFC Vs. Sporting Kansas City
Torcida do LAFC protesta contra políticas anti-imigração de Donald Trump durante partida da MLS Foto:
IMAGO / ZUMA Press Wire

O clube também se posicionou. Em nota, o LAFC comunicou que “acredita que a verdadeira força de nossa comunidade vem das pessoas e culturas que formam o tecido desta bela e diversa cidade. Hoje, enquanto muitos em nossa cidade experimentam medo e incerteza, o LAFC está lado a lado com todos os membros de nossa comunidade. Estamos com vocês, Los Angeles.”

“Se você olhar a tabela do Mundial de Clubes você vai ver que quase metade dos clubes são de países árabes, africanos ou asiáticos. E a gente tá num momento de crise imigratória muito grande, onde o governo americano declara que pessoas vindas de outros países e outras regiões do mundo não são necessariamente bem-vindos”, pontuou Raychtock durante a live do Trivela FC.

Trivela FC no Mundial de Clubes

Exibido sempre às terças-feiras, às 15h (horário de Brasília), o programa Trivela FC, disponível no YouTube e no perfil oficial do site no X (ex-Twitter), agora terá edições extras durante a Copa do Mundo de Clubes com a cobertura direto dos Estados Unidos de Andrey Raychtock e do repórter Diego Iwata.

Do Brasil, Eduardo Deconto apresenta a atração, que também tem comentários do colunista Tim Vickery. Aproveite e siga o canal da Trivela no YouTube, onde estão disponíveis completos os 19 episódios que foram ao ar.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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