Mundial de Clubes

Mundial de Clubes nos EUA: ‘O futebol está priorizando países sem a cultura do esporte’

Competição, que começa neste sábado (14), acontece nos Estados Unidos e tem sido marcada pela baixa procura de ingresso em alguns jogos

A baixa procura de ingressos para o Mundial de Clubes expõe o desinteresse da população dos Estados Unidos na competição que reúne 32 clubes de todo o mundo neste mês de junho. A Fifa busca medidas para lotar o estádio para abertura entre Inter Miami e Al Ahly neste sábado (14), diminuindo o preço e realizando “saldões” de ingressos por volta de US$ 4 (cerca de R$ 22) cada.

O tema foi debatido durante a live do Trivela FC, realizada no YouTube da Trivela nesta sexta-feira (13), e o jornalista Andrey Raychtock, presente em Nova Iorque para cobertura da Copa do Mundo de Clubes, analisou o cenário na perspectiva de ausência de cultura de futebol nos EUA como uma justificativa para os possíveis estádios vazios.

O futebol está caminhando para um lado de priorizar países que tenham boas estruturas para fazer grandes eventos em detrimento de países que efetivamente tenham uma cultura de futebol. Isso não só nos Estados Unidos. A gente vê isso em outros países, em outras decisões da Fifa. Porém, os EUA talvez seja o maior extremo porque sabem fazer espetáculo de praticamente tudo, mas, por outro lado, as comunidades locais não vivem tanto futebol — justificou.

Em uma das conversas que teve com norte-americanos por lá, Raychtock percebeu que ainda muita gente não sabe que está acontecendo uma competição como essa.

— Nós encontramos gente em Nova Jérsei que nem sabia que estava tendo uma competição. Fomos em um restaurante típico americano de beira de estrada do lado do MetLife Stadium e uma atendente perguntou de onde éramos. Explicamos que viemos cobrir o Mundial. Primeiro, ela se surpreendeu por ter brasileiros por lá e segundo perguntou o que era a Copa do Mundo de Clubes. Então vai demorar para pegar aqui ainda — contou.

Política de Trump, valores e mais: outras razões para a baixa procura do Mundial de Clubes

Desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, as políticas contra imigrantes se tornaram mais rígidas e há até a possibilidade de haver agentes do governo americano nos estádios da Copa do Mundo de Clubes buscando pessoas que supostamente estejam ilegais, segundo aponta a mídia americana nos últimos dias.

No Trivela FC, Andrey Raychtock trouxe esse panorama e a possibilidade de que fãs de times da Ásia e da África possam estar receosos de vir assistir ao torneio.

— Ao ver a tabela do Mundial, quase metade dos clubes são de países africanos ou asiáticos. Nós estamos em um momento de crise migratória muito grande e que o governo americano declara que pessoas vindas de determinados países e regiões do mundo não são bem-vindas. Isso pode impactar o setor turístico para o Mundial. Se eu fosse um torcedor do Wydad ou do Espérance de Tunis, não estaria 100% seguro de vir para os Estados Unidos por todo processo migratório que a gente sabe que não é fácil. Passar pela migração americana, explicar o que veio fazer no país — disse.

— Em países que a Fifa domina e o futebol é muito grande, é normal que esses eventos facilitem esse processo migratório. Chega na imigração e fala ‘estou indo para a Copa do Mundo’. Você entra. Nos Estados Unidos dizer que você vai para a Copa do Mundo de Clubes, de repente, o profissional de imigração talvez nem saiba que está acontecendo a competição — completou.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, posa ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, posa ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: IMAGO

O jornalista ainda citou uma questão pouco abordada: os preços para viajar ao país norte-americano. Ao contrário de outras edições do Mundial, feita em países mais acessíveis e nos quais eram possíveis “invasões” de torcedores, os Estados Unidos não são fáceis de bancar passagem, hospedagem e outros custos.

— É uma viagem cara, não é barata para maior parte dos países do mundo. É diferente do Mundial do Flamengo [em 2022], no Marrocos, não foi barato, mas muito mais viável do que vir para os Estados Unidos em relação à moeda. Então, até o fluxo de torcedores costuma ser maior em países que são mais baratos.

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Trivela FC no Mundial de Clubes

Exibido sempre às terças-feiras, às 15h (horário de Brasília), o programa Trivela FC, disponível no YouTube e no perfil oficial do site no X (ex-Twitter), agora terá edições extras durante a Copa do Mundo de Clubes com a cobertura direto dos Estados Unidos de Andrey Raychtock e do repórter Diego Iwata.

Do Brasil, Eduardo Deconto apresenta a atração, que também tem comentários do colunista Tim Vickery. Aproveite e siga o canal da Trivela no YouTube, onde estão disponíveis completos os 19 episódios que foram ao ar.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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