Mundial de Clubes

Tim Vickery: Botafogo x Pachuca reforça ideia de Copa Pan-Americana

Existe sempre o risco de ser leviano ao colocar importância excessiva no resultado de um só jogo de futebol. E quando se trata de Botafogo x Pachuca, não somente seria leviano, seria burro mesmo.  

Para o campeão do Brasil e da América do Sul, as condições de trabalho foram brutais — jogo atrás de jogo, avião atrás de avião, uma longa viagem, sem tempo para descansar nem aclimatizar. A partida, obviamente, não rolou num campo nivelado. Ficou impossível o Botafogo se apresentar perto de seu brilho normal.

Mas não vamos para o outro extremo, e argumentar que esses fatores deixam a vitória de Pachuca sem méritos. Longe disso. O time mexicano jogou uma partida muito boa e bastante inteligente. 

Pressionou alto, obrigando o Botafogo a ralar para ganhar terreno, cansando mais ainda as pernas do glorioso. E atacou com momentos de qualidade e lucidez.  Em condições iguais, podemos insistir numa superioridade do Botafogo — mas teria jogo, seria interessante.

E vamos lembrar que, na mesma competição, quase quatro anos atrás, em condições mais ou menos iguais, o Tigres, também do México, derrotou o Palmeiras com uma certa justiça.

Podemos concluir, então, que vale a pena assistir jogos entre os mexicanos e os melhores do Brasil. Mais atraente que a maioria dos jogos na Libertadores? Trata-se de uma pergunta impactante.

A Copa Libertadores tem um problema claro. A chegada dos técnicos portugueses é a última peça de quebra-cabeça, ajudando os clubes brasileiros a fazer valer a sua superioridade financeira enorme em cima dos rivais sul-americanos. Fica difícil imaginar como o resto do continente poderá competir.

Nos últimos anos, a Libertadores vem praticamente duplicando a Copa do Brasil.

Solução seria uma Copa Pan-Americana

Daí o apelo de uma taça pan-americana. Uma competição com os melhores da América do Sul, juntos com os mais fortes do Norte. 

Os mexicanos, como a gente viu, têm uma força. A Major League Soccer está crescendo, produzindo jogadores e também atraindo nomes de peso. E até Costa Rica tem uma tradição interessante. A gente tem visto nos últimos anos versões verdadeiramente pan-americanas da Copa América. Mas tais iniciativas fariam mais sentido com clubes que com seleções.

Verdade, houve uma tentativa nos bastidores quase dez anos atrás de organizar uma competição assim, patrocinada, se não me engano, por um ricaço italiano. Não deu em nada — talvez por motivos óbvios.

Salomon Rondon e o Pachuca comemoram com a taça do Dérbi das Américas (Foto: Icon Sport)
Salomon Rondon e o Pachuca comemoram com a taça do Dérbi das Américas (Foto: Icon Sport)

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Uma Copa Pan-Americana seria viável?

O primeiro grande obstáculo é a questão logística. As Américas são enormes! A distância somente entre Buenos Aires e a Cidade do México é maior que aquela entre Londres a várias cidades da Índia — e tem muito chão em cima do México até uma chegada no Canadá.  

Seria possível uma sequência de jogos com os times viajando tanto? Imagino que não. Um torneio seria a melhor opção, com os times se juntando em um país-sede. 

Aí daria para manter a Libertadores e também a Copa dos Campeões da Concacaf, com os melhores se qualificando para tal torneio.

E já batemos contra o segundo obstáculo. O calendário já está bem cheio demais. Não dá para introduzir coisa nova sem tirar coisa velha — que deixa uma taça pan-americana na terra dos sonhos.  

Vamos ter que nos contentar com o novo Mundial dos Clubes, com representantes não somente das Américas, mas de todos os continentes do mundo.

Pelo menos tem uma boa notícia para Botafogo, Flamengo, Palmeiras e tal.  

O mesmo problema enfrentado pelo Botafogo contra Pachuca vai atacar os europeus no mundial em junho e julho. Eles vão ficar cansados demais para mostrar o seu melhor futebol. 

O campo vai se inclinar a favor dos brasileiros. No meio da temporada daqui e cheio de gás, o Botafogo pode mirar vingança em cima de Pachuca e o mundo.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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