Um rebanho pela frente
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
O Internacional faz uma boa caminhada na luta pelo primeiro título brasileiro na Copa Sul-Americana. Superou o Grêmio, passou pela decente Universidad Católica e bateu o misto do Boca Juniors duas vezes. O Colorado fez sua parte, mas também é verdade que gremistas e boquenses utilizaram reservas em alguns momentos. Por isso, o duelo contra as Chivas de Guadalajara nas semifinais é particularmente interessante.
Ainda não dá para saber exatamente que adversário os gaúchos enfrentarão. O Rebaño começou mal a temporada, mas já reagiu e entrou na briga por uma vaga no mata-mata do Apertura mexicano. É aí que mora o problema. Como já ocorreu com o Palmeiras e o Boca Juniors na competição, as Chivas também podem se ver obrigadas a escolher uma competição.
As semifinais da Sul-Americana serão nos próximos dois meios de semana. O jogo de ida, em Guadalajara, está programado para ficar entre a penúltima e a última rodada da primeira fase do Apertura. O jogo de volta do torneio internacional seria no mesmo dia do jogo de ida da repescagem. Claro que as Chivas não jogariam duas partidas no mesmo dia. Um dos jogos seria adiantado para a terça e o outro, adiado para a quinta. De qualquer modo, é difícil imaginar que os tapatíos usariam a formação titular em todas essas partidas.
Assim, é interessante para o Inter ficar de olho na trajetória do chiverío no campeonato local. O time tem 22 pontos é a quinto colocado (de seis equipes) do Grupo 2. Não parece nada impressionante, mas o primeiro colocado da chave (Morelia) tem 24 pontos. Classificam-se os dois primeiros de cada grupo para as quartas-de-final, sendo que quatro outras equipes, independentemente das chaves, vão para a repescagem. No momento, as Chivas estão justamente nesse grupo.
Se a equipe mexicana cair na repescagem, há uma chance razoável de usar reservas na Copa Sul-Americana, sobretudo no jogo de volta, com longa viagem até Porto Alegre. Se isso ocorrer, o Colorado é favorito destacado à classificação. Basta jogar com a mesma disposição que tem mostrado até agora para assegurar um lugar na final.
Caso as Chivas assegurem classificação direta nas quartas-de-final ou sejam eliminadas, há uma boa probabilidade de usarem todos os titulares contra o Inter. Isso não tira o favoritismo dos brasileiros, mas deixa a balança menos desigual. Afinal, os rojiblancos vêm crescendo de rendimento e podem atrapalhar.
A defesa é um ponto fraco da equipe. Ainda que Victor Hugo Hernández tenha dado alguma segurança no gol (o titular Michel está contundido desde o início da temporada e seu substituto imediato, Sergio Rodríguez foi uma lástima), o setor é vulnerável por constantes falhas de concentração. Isso fica ainda pior quando Magallón não atua, o que ocorreu no jogo de volta contra o River Plate. O meio-campo tem os experientes Ramón Morales e Alberto Medina, que dão algum suporte para o perigoso ataque, formado pelos rápidos Arellano e Santana.
De qualquer forma, o Inter só precisa ficar livre das jornadas infelizes que tem marcado sua trajetória como visitante no Brasileirão. Se Guiñazu, Magrão, D’Alessandro, Alex e Nilmar estiverem inspirados, é difícil parar essa equipe. E, se o Colorado chegar à decisão, finalmente veremos a importância que a Copa Sul-Americana pode ter se os clubes tiverem boa vontade com ela.
SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção da 15ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Óscar Pérez (Tigres de la UANL); Sergio Ponce (Toluca), Javier Malagueño (Indios), Felipe Baloy (Monterrey) e Edwin Santibáñez (Indios); Elías Hernández (Morelia), Fernando Arce (Santos Laguna), Israel López (Toluca) e Damián Álvarez (Pachuca); Héctor Mancilla (Toluca) e Andrés Mendoza (Morelia). Técnico: José Manuel de la Torre (Toluca).
Bolívia: campeão inédito
O Campeonato Boliviano está virando abrigo de zebras. Nos últimos quatro torneios, apenas equipes “alternativas” venceram: Real Potosí, San José (tem a maior torcida do país, mas só ganhou dois títulos nacionais), Universitário de Sucre e, agora, Aurora. Um sinal de que as forças mais tradicionais – Bolívar, The Strongest, Oriente Petrolero e Blooming – andam em baixa.
A decisão celeste entre Aurora e Blooming mostrou como o cenário tem sido favorável aos times médios. No jogo de ida, os cruceños venceram por 2 a 0 e consolidaram sua condição de favoritos. No entanto, os 3 a 0 para os cochabambinos na partida de volta deixou sérias dúvidas a respeito da força bloominista.
Já era demais para o Aurora, uma equipe tradicional de Cochabamba, mas que sempre viveu à sombra do vizinho Jorge Wilstermann. De certa forma, seria mais ou menos como a Portuguesa ou o América-MG da cidade. Tanto que surpreendeu o fato de a torcida aurorista ter lotado seus setores nos jogos da decisão.
O título foi decidido em uma terceira partida. Apesar de ter sido disputada no campo neutro de Sucre, havia alguma vantagem ao Aurora, pois a altitude (que, no caso, nem é das maiores) poderia afetar um pouco o desempenho do time de Santa Cruz de la Sierra.
Não foi o que ocorreu. No primeiro tempo, disputado sob forte chuva, o Blooming oi melhor e abriu vantagem de 2 a 1. No segundo tempo, com um clima mais amigável, o domínio foi aurorista e Villalba assegurou o 2 a 2. Na disputa de pênaltis, cada goleiro defendeu uma cobrança, mas um arremate na trave de Rivero deu o primeiro título – da era profissional – ao Aurora.
O principal responsável pela conquista foi o técnico Julio César Baldivieso. O ex-meia da seleção boliviana (que não encerrou a carreira oficialmente) assumiu o Aurora durante o Apertura, quando o time celeste fazia uma campanha tenebrosa e era ameaçado de rebaixamento. Com sua chegada, o Equipo del Pueblo perdeu apenas um dos últimos nove jogos e terminou o torneio no pelotão intermediário. No Clausura, superou Oriente Petrolero, Jorge Wilstermann, Real Potosí e, na final, o Blooming.
Para reagir, Baldivieso montou uma equipe sem grandes jogadores, mas que sabia aproveitar as características de homens-chave. No caso, a dupla de ataque formada pelo rápido e habilidoso Bongioanni e o oportunista paraguaio Villalba. Nada espetacular, mas, em um campeonato de nível técnico fraco, pode ser suficiente para fazer a diferença.
Pensando em Libertadores, o Aurora provavelmente será um coadjuvante que, no máximo, tentará algum brilhareco na altitude de Cochabamba (que não é das piores). O time já terá uma vaga na fase de grupos e a diretoria já diz querer enfrentar algum grande, como River Plate ou Boca Juniors. Sinal de que nem eles têm ilusão de que dá para passar de fase.
Convocados
O Equador já divulgou sua lista de convocados para o amistoso de 19 de novembro contra o México.
EQUADOR
Goleiros: Francisco Cevallos (LDU Quito) e Máximo Banguera (Espoli); defensores: Luis Checa (Deportivo Quito), Erik de Jesús (El Nacional), Jorge Guagua (El Nacional), Isaac Mina (Deportivo Quito), Walter Ayoví (El Nacional), Luis Bolaños (LDU Quito); meio-campistas: Enrique Gámez (Macará), Fabricio Guevara (El Nacional), Fernando Hidalgo (Barcelona) e Geovanny Nazareno (Deportivo Quito)/ atacantes: Joao Rojas (River Plate-ARG), Pablo Palacios (Barcelona), Narciso Mina (Manta), Luis Saritma (Deportivo Quito), Pedro Quinóñez (El Nacional) e Jefferson Pinto (Emelec).