México

Terra estrangeira

Depois que São Paulo e Vasco, na mesma noite, eliminaram Boca Juniors e Lanús em jornadas épicas pelas oitavas-de-final, parecia que a Copa Sul-Americana finalmente se aproximava de um clube brasileiro. Nada disso. Bastou uma fase a mais da competição para são-paulinos e vascaínos, únicos brasileiros ainda vivos, deixassem o torneio.

Como seria de se esperar, já começam as especulações de o porquê de, após seis edições (contando a de 2007), a Copa Sul-Americana ainda não teve um título do Brasil. Uma distorção se considerado que, em 2005 e 2006, a final da Libertadores foi 100% brasileira. O automático é falar que “os clubes brasileiros não dão o devido valor à Sul-Americana” ou “ela coincide com a reta final do Brasileirão e fica difícil um time jogar bem as duas competições”. Meias verdades.

Pode-se dizer tudo de Vasco e São Paulo, menos que eles não deram importância à Sul-Americana. Os cariocas fizeram um enorme esforço em São Januário para reverter os 2 a 0 sofridos no México para o América. Se não fosse a trave e a excelente atuação do goleiro Ochoa, os cruzmaltinos teriam saído de campo com a goleada de que precisavam. Produziram oportunidades para isso e até mereciam melhor sorte. Aí, o ponto negativo vai para o técnico Romário, que mostrou não saber substituir ao colocar o atacante Romário fora de forma no lugar de Alan Kardec e minar o poder ofensivo do Vasco.

Aliás, a boa atuação do Vasco contra o América até surpreendeu, se considerada a má fase do time no Campeonato Brasileiro. Para alguns, seria muito mais prudente aliviar o calendário e se deixar eliminar da Sul-Americana para ter mais gás em uma eventual fuga do rebaixamento. Se não foi assim que aconteceu, é porque o torneio continental tinha algum valor para os vascaínos.

Do lado são-paulino, a eliminatória contra o Millonarios ficou condicionada pelo jogo de ida. Após eliminar o Boca Juniors com o Morumbi lotado, o São Paulo parecia ter encontrado uma motivação nova na Sul-Americana, como um cover da Libertadores. O problema é que o duelo de ida contra os colombianos chegou justo em um momento de ressaca. O São Paulo vinha de derrotas seguidas para Flamengo e Corinthians e acusava algumas falhas. Sem a confiança necessária, o Tricolor não transformou o grande domínio em gols e acabou punido com um contra-ataque isolado dos embajadores.

Para o duelo em Bogotá, Muricy pareceu entregar os pontos. Ou perto disso. Sabia que a tarefa de vencer o Millonarios por dois gols de diferença no El Campín não seria das mais fáceis e decidiu poupar alguns titulares já pensando na viagem a Recife no fim-de-semana pelo Brasileiro. Desse modo, não surpreendeu a derrota por 2 a 0 dos brasileiros.

No final das contas, dois brasileiros levaram a Sul-Americana a sério e foram eliminados prematuramente. Como já ocorrera com o Atlético-PR em 2006 e o Internacional em 2005. Mas é verdade que o São Paulo de 2004 jogou com reservas na fase nacional, contra o Santos. Há casos de azar, de inferioridade técnica e até de inferioridade psicológica. Outro fator a se considerar é que a Argentina leva os seis melhores da temporada anterior para a Sul-Americana, o que não ocorre no Brasil.

Assim, não há um motivo padrão para os insucessos brasileiros na Sul-Americana. Para cada caso há uma explicação própria e, no máximo, pode-se dizer que é uma infeliz coincidência que sempre houve algo atrapalhando o caminho. Um dia, isso não ocorrerá mais e, talvez, perceba-se que esse campeão não fez muita coisa diferente de outros que perderam.

Bolívia: decisão do Apertura vai para Fifa
Na América do Sul, o futebol boliviano é o que mais se aproxima (se é que não supera) o brasileiro em questão de brigas institucionais e judiciais. Nesta semana, isso pôde ser visto mais uma vez. Agora, é pela decisão do título do Apertura 2007, que será definida na Fifa.

Em campo, o campeão foi o Real Potosí, que fez 39 pontos e terminou na primeira posição após 22 rodadas. No entanto, o Oriente Petrolero contesta a legitimidade da conquista potosina. De acordo com os cruceños, o Real Potosí feriu as regras da Fifa ao não liberar Gatty Ribeiro e Edemir Rodríguez para um amistoso da seleção boliviana contra a Irlanda em 26 de maio (data Fifa). Para aquela mesma partida, o Oriente teve de ceder Sergio Galarza e Jhasmani Campos para La Máquina Verde.

Com isso, o time alviverde ficou sem dois de seus principais jogadores para a partida de 23 de maio, justamente contra o Real Potosí. Os potosinos venceram por 4 a 1, mas o Oriente entrou na Justiça. O Tribunal de Justiça Desportiva da LPFB (liga de clubes) deu ganho ao clube de Santa Cruz de la Sierra, que, com esses pontos, iria a 40 na classificação final e ficaria com o título. O Real Potosí apelou para o Tribunal Superior de Disciplina Desportiva da FBF (federação boliviana) e conseguiu recuperar a vitória e o título.

Ao Oriente Petrolero só restava buscar a Fifa. Foi o que o clube fez. Além disso, os cruceños solicitaram que a FBF não inscreva nenhuma equipe na Libertadores 2008 e na Copa Sul-Americana 2008 até a Fifa se pronunciar sobre o caso.

Não é um caso inédito. Há três anos, o título boliviano também foi contestado judicialmente. Curiosamente, o autor do processo também era o Oriente Petrolero. No caso, o The Strongest foi campeão do Clausura 2004 ao vencer os alviverdes nos pênaltis. Dois meses depois, a federação boliviana tirou oito pontos dos atigrados por usar um jogador com passaporte irregular. O The Strongest apelou e conseguiu a vitória nos tribunais da liga e da Justiça comum, mas a FBF não devolveu o título aos aurinegros, fazendo que até hoje haja controvérsia sobre o real campeão boliviano do Clausura 2004.

Peru tenta altitude, mas jogadores rejeitam
Na semana passada, esta coluna já alertara para a tentativa do Peru de levar o jogo do Brasil para Cuzco. O estádio Inca Garcilaso de la Vega foi inscrito na Fifa, mas a entidade já havia vetado jogos acima de 3 mil m de altitude (com exceção de La Paz). Como Cuzco está a 3,3 mil m, os peruanos se viram obrigados a abortar o plano. Será?

A FPF (federação peruana) teve outra idéia: mandar o jogo no estádio da Universidad Nacional de San Agustín (Unsa), em Arequipa. A “Ciudad Blanca” não é tão alta, mas seus 2,4 mil m podem atrapalhar um pouco quem não está acostumado às montanhas. Como pôde ser visto pelos brasileiros na primeira fase da Copa América 2004.

A Fifa não permitiu. No caso, o motio não é a altitude, mas o fato de a FPF não ter inscrito o estádio da Unsa para as Eliminatórias. Ainda que os peruanos o façam agora, o estádio arequipeño só estaria liberado a partir de 2008. Depois do jogo contra o Brasil.

A notícia veio como alívio para os jogadores peruanos, sobretudo os que atuam fora do país. Vários deles, incluindo as estrelas Pizarro, Farfán, Solano e Guerrero, declararam várias vezes que não gostariam que o Peru mandasse suas partidas na altitude. Para eles, o ar rarefeito é tão nocivo quanto seria ao adversário e dificultaria qualquer tentativa de superação em campo (único modo, segundo eles, de conseguir uma vitória sobre Brasil ou Argentina). Detalhe: dos convocados peruanos para as duas primeiras rodadas das Eliminatórias, apenas o atacante Chiroque, do Cienciano, é de um time que joga na altitude.

O fato de o Peru querer jogar na altitude não seria apenas um modo de minar a força brasileira. A idéia era também facilitar o trabalho da própria Rojiblanca, que jogará com o Equador em Quito (2,8 mil m) dias depois. Se enfrentasse o Brasil em Arequipa ou Cuzco, os jogadores peruanos ficariam vários dias seguidos na altitude e não teriam tantos problemas na capital equatoriana.

Como isso não será possível, a FPF sugeriu ao técnico José del Solar que convoque duas equipes. Uma, com estrangeiros, para enfrentar o Brasil em 18 de novembro. Outra, só com jogadores que atual no Peru, para a viagem ao Equador. O técnico não se pronunciou sobre o caso, pois sabe que há uma crise latente entre jogadores e federação e ele não quer ficar no meio dos tiros.

Isso é apenas um reflexo do desespero que bate prematuramente entre os peruanos. Terminar duas rodadas com apenas um ponto passou a sensação de que dificilmente a Rojiblanca conseguirá a classificação para a Copa. Assim, a federação tenta inovar para ver se consegue. Os jogadores se sentem, com alguma razão, atingidos e reagem. No final das contas, essa procura por soluções acaba sendo mais grave do que desperdiçar a suposta vantagem da altitude.

CURTAS

COPA SUL-AMERICANA
– Além de Millonarios e América-MEX, o Arsenal-ARG também está nas semifinais da Copa Sul-Americana. O time de Sarandí surpreendeu ao venceu as Chivas de Guadalajara no estádio Jalisco por 3 a 1.

– Os argentinos souberam se aproveitar dos contra-ataques para construir a vitória. Agora, esperam o resultado de River Plate x Defensor Sporting para conhecer seu adversário nas semifinais. Se o River passar, o regulamento manda que os dois argentinos se enfrentem antes da final. Se o Defensor vencer, a tabela não se altera e a semifinal ficaria assim: Arsenal-ARG x América-MEX e Defensor Sporting x Millonarios.

– Defensor Sporting e River Plate empataram em 2 a 2 no jogo de ida em Montevidéu. O jogo foi bastante animado e os uruguaios empataram no final. Ainda assim, mereciam melhor sorte pela quantidade de gols perdidos.

AMÉRICA CENTRAL
– Resultados dos jogos de ida das semifinais do Torneio de Campeões da Uncaf: Saprissa (CRC) 1×0 Alajuelense (CRC) e Municipal (GUA) 1×3 Motagua (HON).

BOLÍVIA
– O San José surpreende no início de hexagonal final. Os santos venceram as duas primeiras rodadas (incluindo um 2 a 1 de virada sobre o La Paz fora de casa) e assumiram a liderança, com 6 pontos. O vice-líder é o Blooming, com 4.

– Campeões dos grupos na primeira fase, La Paz e The Strongest começaram com um ponto extra cada, mas decepcionam. Os azulgranas têm 2 pontos e o Tigre, apenas 1. Sâo os dois lanternas.

CHILE
– A expectativa de jogo emocionantes no fim-de-semana se confirmou. Colo-Colo e Universidad de Chile ficaram no 2 a 2 no superclásico. Os colocolinos praticamente asseguraram a vitória ao fazer 2 a 1 aos 41 minutos do segundo tempo, mas La U empatou nos acréscimos. O Audax Italiano empatou em 3 a 3 com o Cobreloa em Calama.

COLÔMBIA
– No jogo mais interessante do fim-de-semana, o Tolima venceu o Atlético Nacional por 2 a 1. Na rodada do meio de semana, La Equidad e Atlético Nacional asseguraram classificação para a segunda fase por antecipação. A boa surpresa é o América de Cáli, que venceu Millonarios (fora) e Tolima e já é terceiro.

EQUADOR
– Uma grande surpresa na primeira rodada do hexagonal final. Em Quito, o El Nacional perdeu por 2 a 0 para o azarão Deportivo Azogues. O líder é a LDU Quito.

MÉXICO
– Domingo quente na Cidade do México. As quatro maiores torcidas do país se enfrentam. No estádio Azteca, América recebe as Chivas de Guadalajara no superclásico mexicano. No Olímpico Universitario, as Pumas de la Unam recebem o Cruz Azul.

PARAGUAI
– O Olimpia perdeu em casa por 3 a 2 para o Nacional e praticamente deixou a briga pelo título do Clausura. O Libertad tem 33 pontos, contra 32 de Cerro Porteño e apenas 25 dos franjeados.

PERU
– Universitario x Sporting Cristal será um clássico tenso. Os cremas precisam da vitória para manter as chances de tirar do Coronel Bolognesi o título do Clausura. Os cerveceros precisam desesperadamente de pontos para fugir do rebaixamento.

URUGUAI
– O Rampla Juniors perdeu para o Tacuarembó por 1 a 0 e deixou a liderança do Apertura. O ponteiro agora é o Defensor Sporting, que tem 20 pontos (um a mais que os picapiedras).

VENEZUELA
– O Caracas já abre vantagem folgada no Apertura. Tem 24 pontos e seu perseguidor mais próximo é o Deportivo Anzoátegui, com 19.

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Equipe Trivela

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