México

Ranking das ligas sul-americanas

Semana de Eliminatórias, o futebol de clubes para na América Latina. Quer dizer, continua na ativa no Brasil, mas a coluna de Brasil é outra. Como falar da luta por uma vaga na próxima Copa do Mundo também é assunto de outra seção deste site, surgiu um bom momento para fazer um exercício de matemática. E montar uma real escala das forças das ligas nacionais da América do Sul (mais os países da Concacaf convidados).

Pode parecer bobagem, mas é esse tipo de ranking que pauta a distribuição de vagas por país nas competições da Uefa. Algo que nunca foi feito pela Conmebol. Cada federação recebe um espaço na Libertadores e na Copa Sul-Americana por critérios puramente políticos e econômicos, ainda que isso inevitavelmente acompanhe um pouco da realidade técnica.

Os critérios estão na coluna da direita. Mas os resultados vão abaixo, e revelam uma grande surpresa. O México superou Brasil e Argentina!

País
Média
Pontos
Times
México
4,19
88
21
Brasil
3,86
162
42
Argentina
3,17
130
41
Colômbia
2,17
39
18
Equador
1,61
29
18
Uruguai
1,24
21
17
Chile
1,18
20
17
Paraguai
1,18
20
17
Peru
0,18
3
17
Venezuela
0,12
2
17
Bolívia
0,06
1
17
Costa Rica
0
0
1
Honduras
0
0
1
Estados Unidos
0
0
2

A que conclusão se chega com tais números? Que o dinheiro e a organização colocaram os clubes mexicanos no mesmo nível de argentinos e brasileiros? Que a Bolívia está em profunda crise? Que o Peru há tempos deixou de estar no mesmo nível de Chile, Paraguai e Equador? Isso todo mundo já sabe. É preciso avaliar um pouco melhor os dados.

O México lidera o ranking com 4,19 pontos por time, mas conquistou apenas um dos oito torneios incluídos na conta (a Copa Sul-Americana de 2006, do Pachuca). Brasil e Argentina, que estão atrás, têm três títulos cada um. Ou seja, não dá para dizer que o México é realmente melhor. Mas, pelo menos, está em nível similar, até porque ele participa dos torneios da Conmebol com equipes que, em teoria, não são as melhores do país naquele momento.

Desse modo, pensando do ponto de vista estritamente técnico, é mais que óbvio que está desproporcional a representatividade mexicana em relação à brasileira e à argentina. Enquanto a Femexfut tem três vagas na Libertadores e igual número na Sul-Americana, a CBF e AFA têm cinco na Libertadores e oito (Brasil) e seis (Argentina) na Sul-Americana. Se essa diferença fosse minimizada, os mexicanos teriam mais representantes e, inevitavelmente, teriam mais equipes sendo eliminadas precocemente e baixariam um pouco sua média.

Além do trio México-Brasil-Argentina, percebe-se que se formou claramente uma “classe média”. A Colômbia até se destaca um pouco, mas dá para colocar no mesmo grupo de Uruguai, Paraguai, Chile e Equador (este último, claramente beneficiado pelo título da LDU Quito na libertadores passada). Enquanto isso, Bolívia, Venezuela e Peru não conseguem acompanhar esse ritmo.

Fica evidente que não dá para colocar todos os países – tirando Brasil e Argentina – no mesmo balaio. A diferença técnica entre eles ficam evidente e a Conmebol precisa, em nome do bom futebol de seus torneios, distribuir as vagas com critérios técnicos. Na Libertadores, para evitar que alguns países com potencial fiquem sem espaço e outros em queda sejam super-representados. Na Copa Sul-Americana, acabando com a discrepância entre Brasil (8 vagas) e Argentina (6) em relação ao resto (3 do México e dois para os demais).

É assim que uma confederação ajuda a melhorar o futebol de seus filiados. Não com clientelismo.

Não dava mais

Depois da contundente derrota do México por 3 a 1 para Honduras, já se sabia que o técnico Sven-Göran Eriksson estava de saída. O clima já era pesado desde o ano passado, com a classificação apertada na terceira fase das Eliminatórias da Concacaf (passando pela Jamaica apenas no saldo de gols).

A situação ficou insustentável depois de perder para os Estados Unidos na primeira rodada do hexagonal final. A esperança de reagir contra Costa Rica e Honduras alimentou o voto de confiança, mas a recuperação não veio e El Tri caiu para a quarta posição da chave, o que o colocaria na repescagem com o quinto sul-americano (hoje o Uruguai) para ir à África do Sul.

A tendência da imprensa é sempre defender o técnico demitido. No entanto, a Femexfut agiu corretamente. Eriksson é um excelente treinador, mas claramente não conseguia se encontrar na seleção mexicana. Suas experiências não funcionavam e o time não encontrava padrão de jogo.

Para piorar, o sueco foi perdendo confiança nas suas ideias e passou a mudar bastante o time em busca desesperada por uma formação que se mostrasse adequada. A insegurança passou para o time, que também ficou fragilizado. Como ainda há sete rodadas, há tempo de sobra para o México conquistar a vaga na Copa com tranquilidade. Assim, o novo comandante ainda teria um pouco de tempo e margem para montar o time antes de arrancar nas rodadas finais.

O candidato mais forte para substitui-lo é Javier Aguirre. O “Vasco” está desempregado desde que foi demitido do Atlético de Madrid, no começo do ano. Na seleção mexicana, ele deixou boa impressão no trabalho que conduziu a equipe às oitavas de final da Copa de 2002. Mas o mais importante do técnico é conhecer o futebol local. Se ele implementar um padrão de jogo simples, em que os jogadores se localizem rapidamente, o México já terá o suficiente para garantir sua vaga no Mundial.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo