México

Quem quer ser um Millonario?

Algumas curiosidades para a semana que antecede o fim da fase de grupos da Libertadores 2009:

1) Se o Colo-Colo eliminar o Palmeiras, as Chivas passar pelo Everton, o Deportivo Cuenca superar o Deportivo Táchira e o Boyacá Chicó ficar à frente da Universidad de Chile, todos os países, com exceção da Bolívia, terão representantes nas oitavas de final da competição.

2) O Chile não tem nenhum time já classificado, mas seus três times têm possibilidades. Se o trio passar, o Chile será o segundo país com mais equipes nas oitavas, superando até a Argentina.

3) O Peru não tinha um representante nas oitavas de final da competição desde 2004, quando o Sporting Cristal foi o primeiro em um grupo com Rosario Central, Coritiba e Olímpia. Em 2009, os peruanos jogaram o retrospecto para o espaço e já têm um classificado, com outro muito próximo da classificação.

A Libertadores 2009 virou a festa dos pequenos simplesmente porque a Argentina não fez sua parte como favorita natural ao lado do Brasil. Dos cinco representantes alvicelestes, apenas dois se classificaram. Com isso, ficou escancarado o espaço para que os países do pelotão intermediário pegassem essas vagas nas oitavas de final.

A situação do Peru é a mais caricata, pois o Universitario deve passar à custa do já eliminado San Lorenzo e a Universidad San Martín deixou para trás o River Plate. E o desempenho do segundo clube mais popular da Argentina fica como maior símbolo desse péssimo momento do futebol doméstico no país que mais títulos da Libertadores conquistou.

A desclassificação riverplatense foi matematicamente confirmada após a derrota para o Nacional do Paraguai, equipe que já estava fora da competição. Um jogo que expôs toda a fragilidade de um time que foi montado sem planejamento algum, se juntando como as partes do corpo do monstro criado pelo doutor Victor Frankenstein.

A comparação com a criatura da obra de Mary Shelley não deixa de fazer algum sentido. Como o monstrengo, o River Plate parece buscar sua própria identidade e não tem noção de seus próprios limites. Tanto que se deixou dominar por uma equipe mais fraca tecnicamente e infinitamente menos tradicional. A única vantagem que os paraguaios tinham era psicológica: não jogavam sob pressão e sabiam exatamente o que podiam fazer em campo.

Os argentinos até saíram na frente, mas foram se desmontando a partir do momento que Leonardo Gaciba marcou um pênalti inexistente em favor do Nacional. O River perdeu a cabeça. Buonanotte foi expulso por falta violenta e nenhuma ação do time fez mais sentido. O ataque era inofensivo e a defesa, esburacada e desarticulada. Em fáceis contra-ataques, o Nacional fez 4 a 1, uma humilhação que só foi atenuada com um gol de falta de Gallardo no final.

É o terceiro ano seguido que o River Plate faz uma campanha terrível na Libertadores. Em 2007, o time também caiu na primeira fase. No ano passado, foi eliminado por um San Lorenzo (clube que tradicionalmente vai mal em competições internacionais) com nove jogadores.

O fato de um gigante como o River Plate estar nessa situação diz muito a respeito do atual estado dos clubes argentinos. Um fenômeno que já foi falado por esta coluna (clique aqui), mas que se manifestou com uma força que não dava para supor.

Os ares de Cancun

Quem via o atlante se arrastando até metade de 2007, não imaginaria que, dois anos depois, o time estaria disputando o mundo. Pois isso está realmente próximo de acontecer. Na última quarta, os Potros de Hierro venceram o Cruz Azul por 2 a 0 (detalhe: na Cidade do México) e, salvo uma enorme surpresa, estão a 90 minutos de conquistar a primeira edição da Liga dos Campeões da Concacaf – e de se tornar a primeira equipe com vaga assegurada no Mundial de Clubes dos Emirados Árabes.

A partida em si foi mais fácil do que se imaginava. Logo aos 16 minutos, Fernando Navarro fez um belo gol, após tabelar com Rafael Márquez Lugo e concluir com uma jogada individual. Dois minutos depois, Bermúdez ampliou a vantagem azulgrená.

Os dois golpes foram fatais para o Cruz Azul. Antepenúltimo colocado no Clausura (último do Grupo 2), a Máquina Cementera vive enorme crise de identidade. O time está sem confiança e se esfarela enquanto a temporada não termina. Já há um evidente clima de reestruturação para o segundo semestre e a esperança de conquistar a Concachampions era uma das poucas coisas que ainda seguravam os cementeros.

Ao tomar dois gols-relâmpago ainda no primeiro tempo, os cruzazulinos se desanimaram. Ainda tentaram reduzir a desvantagem, mas não tinham mais capacidade psicológica para armar jogadas com um mínimo de articulação. Nas poucas vezes em que conseguiram chegar ao gol, pararam no seguro argentino Federico Villar, um dos melhores goleiros do futebol mexicano.

Com o resultado, o Atlante pode até perder por um gol de diferença para conquistar o título inédito. Uma virada impressionante para um clube que, em crise financeira, deixou a cidade do México por falta de torcida logo após a temporada 2006/07. A diretoria atlantista aceitou convite do governo do Estado de Quintana Roo para se mudar para Cancun. Logo no primeiro Campeonato Mexicano na nova casa, os potros foram campeões. Agora, pode conquistar o continente. Nada mal.

Questão de saúde pública

Neste fim de semana, o Campeonato Mexicano terá dois confrontos entre times das duas cidades mais populosas (e, por isso, rivais) do país. Além disso, os dois times mais populares do México estarão em campo, não em confronto direto. Tudo na Cidade do México, uma das maiores do mundo. Multidões nas arquibancadas? Nada disso. O público somado dos dois jogos será zero. Isso mesmo, zero.

Não foi medida restritiva após uma eventual confusão no Chivas x América da semana passada ou queda de interesse de torcedores de Pumas, Chivas, América e Tecos. É um problema de saúde pública.

O México passa por um surto de um novo tipo de gripe, que teria sido a causa da morte de 68 pessoas no país e já teria se espalhado pelos Estados Unidos. A Organização Mundial de Saúde diz que a situação é grave e fala em risco de pandemia.

A reação do governo mexicano e do Distrito Federal foi imediata. E, entre as medidas de segurança anunciadas está a suspensão de atividades escolares e de eventos de massa na capital do país. Assim, shows musicais e a luta-livre foram adiadas. Houve a possibilidade de o mesmo acontecer com Pumas de la Unam x Chivas de Guadalajara e América x Tecos de la UAG, mas a Femexfut decidiu manter a data das partidas. Só que com portões fechados e transmissão pela TV aberta.

A decisão ocorre em um momento bem inapropriado. Na rodada anterior, as Chivas haviam vencido o Superclásico contra o América na estréia do técnico Francisco Ramírez. O resultado recolocou o Rebaño na zona de classificação. Uma vitória contra os Pumas acirraria a disputa pela ponta do Grupo 2. Um eventual tropeço do chiverío daria espaço para o vencedor de América x Tecos pular para a segunda posição. Ou seja, os dois jogos sem torcedores teriam motivos de sobra para empolgar o público.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção do site Medio Tiempo para a 14ª rodada do Clausura mexicano: Moisés Muñoz (Morelia); Sergio Amaury Ponce (Chivas de Guadalajara), Alejandro Acosta (Puebla), Edgar Dueñas (Toluca) e Walter Ayoví (Pachuca); Walter Jiménez (Santos Laguna), Luis Ernesto Pérez (Monterrey) e Hugo Droguett (Morelia); Alberto Medina (Chivas de Guadalajara), Christian Benítez (Santos Laguna) e Daniel Osorno (Puebla). Técnico: Francisco Ramírez (Chivas de Guadalajara).

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Equipe Trivela

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