México

O primeiro campeão

A campanha no Torneio Clausura não foi das melhores. O Atlante encerrou a sua participação apenas na 14ª posição e ficou de fora da Liguilla. Mas não havia com o que se preocupar. O sacrifício valeria à pena, como ficou provado na última terça-feira, no jogo de volta da final da Liga dos Campeões da Concacaf. Com um atraso de praticamente duas semanas decorrente da epidemia de gripe suína que assolou o México, os Potros de Hierro receberam o Cruz Azul para o tira-teima decisivo e se deram bem, segurando o empate sem gols e faturando o título no placar agregado de 2 a 0.

Mesmo com a vantagem conseguida no primeiro confronto, o Atlante se mostrou, durante todo o tempo, mais interessado na partida e teve maior iniciativa no ataque. O Cruz Azul, por sua vez, foi a mesma equipe apática que encerrou o semestre na lanterna do campeonato mexicano. Sem vibração em campo e com um time desorganizado, os Cementeros confiavam no talento individual de seus jogadores para reverter a situação. Não foi o que aconteceu. Suas principais figuras se esconderam outra vez e o clube amargou mais uma derrota numa final – a terceira em menos de dois anos.

Um retrospecto preocupante que deverá aumentar a pressão interna no time celeste. Desde 1997, a equipe não conquista um título. Numa possível reformulação, a inspiração pode vir de seu algoz na Concachampions, que vem colhendo os frutos pela aposta em seu atual trabalho. A receita do sucesso azulgrana é bastante simples e passa basicamente pela continuidade de um projeto iniciado em 2007, sob o comando do técnico José Guadalupe Cruz, e que atingiu o seu esplendor agora, com a classificação para o próximo Mundial de Clubes da Fifa, a ser disputado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, em dezembro.

Nesse processo, pesou ainda a mudança da equipe da Cidade do México para Cancun. Em sua nova casa, os Potros encontraram o apoio da torcida local e puderam, então, se estabelecer numa região que, embora não possuísse uma grande cultura futebolística, desempenhou um papel importante em seu crescimento. Somando-se a isso, os atletas contratados também abraçaram a causa. Assim, foi possível alcançar resultados significativos com uma base modesta formada por jovens e veteranos pouco badalados pela imprensa.

Manter a espinha dorsal do time e não se acomodar até a disputa do Mundial serão os maiores desafios do Atlante daqui pra frente. A exemplo do início do ano, a diretoria terá que se esforçar para segurar no elenco nomes como o goleiro Villar, os meio-campistas Pereyra e Bermúdez e os atacantes Márquez Lugo e Maldonado. Feito isso, o clube poderá seguir o seu percurso, preparando-se para, possivelmente, reparar a imagem que seus compatriotas deixaram na competição que costumava ser realizada no Japão.

Será o primeiro representante que a nova Liga dos Campeões da Concacaf mandará para o Mundial. A partir do resultado que os azulgranas conseguirem, será possível determinar se o torneio cresceu mesmo em nível de competitividade, como apontaram os desempenhos de equipes da América Central e do Caribe nessa edição de estreia.

O fim de uma era

No comando do Colo Colo, o argentino Claudio Borghi marcou época. Ganhou quatro campeonatos chilenos, conduziu o clube à final da Copa Sul-Americana e montou um belíssimo time. Com pouco mais de dois anos no cargo, o treinador anunciou a sua saída do Cacique em março de 2008 após entrar em conflito com os dirigentes. Ao contrário das outras vezes em que ameaçara abandonar a equipe, manteve-se firme em sua decisão e não voltou mais atrás. Ainda assim, os rastros de sua passagem continuaram vivos. Fernando Astengo e Marcelo Bartacciotto, seus sucessores, seguiram fiéis ao seu trabalho e sustentaram a sua presença em Macul.

Mas essa era está próxima do fim. Nessa semana, foi anunciado o técnico que comandará o Colo Colo a partir da próxima temporada. Será o também argentino Hugo Tocalli, ex-treinador das seleções de base albicelestes, que assumirá o time assim que ele encerrar a sua participação no Torneio Apertura. Não demorará muito. Embora a competição ainda esteja se encaminhando para a sua fase de playoffs, os Albos já foram eliminados, protagonizado a sua pior campanha desde que o atual sistema de disputa passou a vigorar, em 2002.

O principal objetivo de Tocalli será contornar esse fiasco e colocar a equipe de volta nos trilhos. Para isso, terá que afastar os fantasmas do último semestre e superar as perdas que o time deverá sofrer no meio do ano. A saída do artilheiro Lucas Barrios, por exemplo, é tida como certa. Apesar disso, a diretoria colocolina assegura que o novo comandante não tem motivos para se preocupar. Segundo ela, Tocalli terá todo o apoio financeiro necessário para repetir no clube o que um outro nome ligado à formação de jogadores fez na década de 90.

Campeão mundial sub-20 com a Iugoslávia em 1987, o croata Mirko Tozic voltou ao Chile, palco de sua conquista, dois anos depois, para registrar seu nome na história do Colo Colo. Sob a sua batuta, o time venceu a Libertadores e construiu uma hegemonia no país. Nada mal, não? Os dirigentes esperam que Tocalli consiga o mesmo. Com um estilo diferente de Borghi, ele promete romper com as lembranças de seu compatriota e iniciar uma nova fase no clube. Se será tão boa quanto a de Tozic, só o tempo dirá.

Mais um argentino?

O Paraguai lidera as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 e tem em seu elenco dois jogadores argentinos. O primeiro, Sergio Aquino, construiu toda a sua carreira no país e atua no Libertad atualmente, enquanto que o segundo, Jonathan Santana, possui laços maternos no lado paraguaio da fronteira. A presença da dupla na seleção albirroja nunca gerou nenhuma grande polêmica e, especialmente no caso de Aquino, foi até muito bem aceita. O mesmo, porém, não deverá acontecer caso se confirmem os planos de um outro atleta albiceleste de se naturalizar.

Néstor Ortigoza, o nome em questão, está próximo de concluir o processo burocrático que o permitirá a jogar pela equipe guarani. Existe o interesse de sua parte, e também do treinador Gerardo Martino nisso. Ainda assim, por mais que o volante do Argentinos Juniors seja filho de um paraguaio, nada leva a crer que uma possível convocação sua será apoiada por imprensa e torcedores. Tudo isso porque, segundo o jogador, o Paraguai seria apenas um plano B para se disputar uma Copa do Mundo. Começou bem o garoto, não?

No fim do ano passado, Ortigoza foi incluído pelo técnico da seleção argentina, Diego Maradona, numa lista de atletas locais que participariam de um campo de treinamento e aceitou o chamado. Se o fez, é porque, como o próprio já confessou, possui o sonho de atuar com a camisa de seu país. Tudo bem. Não há nada de errado nisso. O que não se pode aceitar é que, na ausência de interesse de Maradona em seu futebol, ele resolva “subitamente” deixar seu objetivo de lado para assumir um lugar na albirroja. Os paraguaios estarão mais do que certos se por acaso isso acontecer e não resolverem recebê-lo bem.

Nem a camisa salva

A Copa Mustang promete pegar fogo neste final de semana. Serão definidos os oito clubes colombianos que seguirão para a próxima fase. E acredite: mesmo com tantas vagas em aberto, existe uma grande chance de boa parte dos bichos-papões do país se despedirem do torneio nos próximos dias. Mais do que isso: para que se tenha uma noção exata do possível estrago, 49 dos 67 títulos locais podem, simplesmente, ficar pelo caminho após a rodada decisiva.

É o problema que aflige Millonarios, Independiente de Medellín, Atlético Nacional, Santa Fé e América de Cali. O quinteto sucumbiu diante da força dos pequenos e agora não poderá fazer muito para amenizar o vexame. Os quatro primeiros já não possuem mais esperança no campeonato e ficarão na torcida para que, ao menos, o América consiga dignificar a “classe”. Mas os Escarlatas não dependem apenas de si. Precisarão derrotar o “companheiro” Millonarios no domingo e torcer para que Once Caldas e Quindío não vençam suas partidas.

Os demais, exceção feita à dupla, que estará diretamente envolvida na “luta”, só cumprirão tabela e refletirão a respeito de suas falhas. O Millonarios provavelmente se arrependerá de ter mantido o técnico Óscar Héctor Quintabani em seu comando. O Medellín lamentará a venda de Pérez e Quintero e falta de sorte com as contusões. O Nacional contabilizará o prejuízo com um elenco tão caro. E o Santa Fé, por fim, tentará encontrar explicações para o fracasso de seu ambicioso projeto. Quanto chororô no futebol colombiano, não?

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Equipe Trivela

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