México

No Mexicano, ninguém quer cair e a briga se acirra

O risco existia. Mas só seria algo realmente preocupante caso uma série de fatores convergissem, entre eles reações espetaculares dos únicos candidatos realmente “dispostos” a cair e quedas vertiginosas dos demais concorrentes. Pois, enfim, temos uma briga contra o rebaixamento na Liga MX. E, diferente do que tudo indicava, com muitas emoções.

Restam seis equipes, seis partidas, 18 pontos em jogo e outros oito separando o candidato menos ameaçado (Puebla) daquele que, atualmente, seria o clube rebaixado para a Liga de Ascenso (Querétaro). Confira um pouco sobre as expectativas e chances de cada um para permanecer mais um ano na principal divisão do futebol azteca:

Querétaro

97 pontos em 96 jogos (1,0104)

O quase certo rebaixamento dos Gallos Blancos há algumas rodadas sofreu uma reviravolta inacreditável. Sob o comando de Ignacio Ambríz, o time enfim se acertou e emendou uma sequência inesperada de três vitórias nas últimas rodadas, feito que o Querétaro não alcançava há 16 meses. A enorme distância para os adversários foi reduzida a quatro pontos, que, a julgar pelo bom momento da equipe, já não parece algo tão distante.

Sob a batuta de jovens como o veloz atacante Escoto e o seguro zagueiro colombiano Henríquez, que conquistaram o espaço outrora ocupado por medalhões, os Albiazules ainda são os mais ameaçados pelo descenso, mas têm uma tabela favorável, recebendo os rivais diretos San Luis e Puebla na Corregidora. Se conseguir aproveitar-se da irregularidade de Cruz Azul, Morelia e Chivas, o Querétaro tem tudo para salvar-se da queda, no que seria uma das mais impressionantes reviravoltas da Liga MX. A vaga na Liguilla nem é a maior preocupação, claro, mas a salvação pode acabar ampliando ainda mais o calendário do time na temporada.

San Luis

101 pontos em 96 jogos (1,0520)

Que as chances existiam, todos sabiam. Mas quase ninguém esperava uma campanha tão vexatória como a do San Luis no Clausura. Com apenas 3 pontos somados em 11 partidas, os Gladiadores já estão a quatro de distância da queda e muitos especialistas afirmam, baseados na projeção pelo aproveitamento de pontos, que o clube é o principal candidato ao descenso. Reflexos de reformulações constantes, falta de entrosamento e troca contínua de comando técnico (o clube caminha para acertar com seu quarto técnico apenas em 2013).

A fase é tão preocupante que um fator que outrora seria visto como positivo (grande número de confrontos contra adversários diretos) já causa calafrios na torcida Potosina. Para complicar ainda mais, após a série contra Jaguares, Atlante, Atlas e Querétaro, o San Luis fecha a fase regular contra Tijuana e Toluca, campeão e vice do Apertura, e que provavelmente ainda estarão na briga pela Liguilla. Tudo indica um fim de temporada desesperador para os Reales.

Atlas

103 pontos em 96 jogos (1,0729)

Vice-líder do Clausura, a Academia realiza uma campanha inesperada. Com 23 pontos, já somou mais do que nos últimos cinco torneios que contam para a tabela de descenso da Liga MX. E ainda faltam seis partidas. Não à toa, a imprensa esportiva azteca já considera o Atlas muito mais próximo de uma final do que candidato ao rebaixamento.

A fase é boa e a tabela idem: o time não enfrenta mais nenhum dos grandes favoritos ao título nas rodadas finais e talvez nem precise de muito esforço para somar os tentos que faltam para se garantir por mais uma temporada na elite. Os comandados de Tomás Boy, inclusive, já adotaram o discurso de brigar pela Liguilla. Algo que o arquirrival Chivas ainda busca, enquanto o antigo ídolo inimigo, Omar Bravo, é o principal responsável pela excelente campanha Roja. Os tempos mudaram em Guadalajara…

Atlante

105 pontos em 96 jogos (1,0937)

Com chances mínimas de brigar pela Liguilla, o Atlante foi outra equipe surpreendida pela boa campanha dos lanternas e pela péssima forma exibida no Clausura. Se no início da competição a preocupação dos Potros era somar pontos para as próximas temporadas, agora o cenário começa a tomar outra forma. O time tem a pior defesa do Clausura, com média de mais de dois gols sofridos por partida. E olha que o Atlante não tem um elenco fraco, contando com boas opções e jovens promessas. Falta, contudo, dar liga. Outra esperança é que o veterano atacante chileno Esteban Paredes retome o instinto goleador do Apertura.

Menos mal que os Azulgranas enfrentam dois rivais diretos na briga contra a queda em casa, mas um tropeço em Cancún contra San Luis ou Puebla pode complicar seriamente a continuação dos Prietitos na Primera División. E para quem sofreu três gols do irregular Cruz Azul em casa no fim de semana todo cuidado é pouco.

Puebla

105 pontos em 96 jogos (1,0937)

A Franja não faz campanha ruim no Clausura, mas sofre com os desempenhos medianos das últimas temporadas. Obtendo alguns triunfos e igualdades contra rivais respeitáveis até aqui, o Puebla terá, teoricamente, a tabela mais acessível entre os candidatos ao descenso. E exatamente por isso as partidas inspiram alguns cuidados.

Nas próximas rodadas, os Camoteros enfrentam dois times que brigam pela ponta (Tigres e América) e outro já sem grandes pretensões (Jaguares). Ainda que não tenha muita responsabilidade nessas partidas, reveses aqui, aliados a triunfos dos rivais da parte de baixo, poderão tornar as três últimas partidas verdadeiros campos minados. Atlante, Atlas e Querétaro em sequência podem tanto salvar o clube de qualquer perigo como afundá-lo de vez. A primeira opção ainda é a mais provável, mas vale acender a luz amarela.

León

39 pontos em 28 jogos (1,3928)

As chances de retorno à Liga de Ascenso são mínimas, mas existem. E isso causa surpresa. Com um retorno ao topo do futebol azteca triunfante, imaginava-se no início do Clausura que não seria preciso muito tempo para a Fiera garantir-se matematicamente na elite por mais uma temporada. Onze jogos, uma única vitória e apenas seis pontos somados trouxeram de volta a ameaça a Guanajuato.

Para piorar, os Panzas Verdes tem um calendário complicado, repleto de duelos contra candidatos à Liguilla e/ou ao rebaixamento e reforços como o zagueiro Rafa Márquez e o atacante Nery Castillo estão longe de trazerem o retorno esperado. Como tem apenas uma temporada (e 34 partidas) para somar pontos na tabela de descenso, a variação na média do León é brusca e inspira cuidados urgentes, como o próprio técnico Gustavo Matosas já deixou claro. A lua de mel dos Esmeraldas na Liga MX não durou muito e promete alguns desafios pela frente.

Curtas

– Seleção da 11ª rodada site Mediotiempo: Luis Ernesto Michel (Chivas Guadalajara), Gerardo Flores (Cruz Azul), Oswaldo Henríquez (Querétaro), Ignácio González (León) e Edwin Hernández (León); Rodolfo Salinas (Santos), Ángel Reyna (Pachuca), Juan Carlos Medina (América) e Joao Rojas (Morelia); Carlos Darwin Quintero (Santos) e Mariano Pavone (Cruz Azul); T: Ignacio Ambríz (Querétaro);

Costa Rica

– Numa semana de fracas exibições, o líder Cartaginés somou apenas um ponto em duas partidas e viu a diferença na liderança do Campeonato de Verano da Primera División diminuir, após empate com o Limón e derrota para o vice-líder Municipal, em casa. Com 27 pontos em 13 jogos, o clube é seguido pelo próprio Municipal, que soma 21;

– Em casa, a atual campeã Alajuelense ficou no empate frente ao Limón e chegou aos 19 pontos, dividindo a terceira posição com o Saprissa, que superou o Belén Siglo XXI com facilidade, mas tem um jogo a menos. Já o Herediano, com duas partidas a menos que os rivais, venceu o Uruguay, fora de casa, e soma 18 pontos na 6ª posição;

El Salvador

– Em visita a San Juan Opico, o FAS arrancou um empate contra o Juventud Independiente e manteve a ponta do Clausura da Liga Mayor, com 20 pontos em 9 partidas. Quem se aproveitou do tropeço foi o Santa Tecla, que bateu o Luis Ángel Firpo, em casa, e chegou aos 17 pontos, se isolando na vice-liderança;

– No “Derby Capitalino”, Alianza e Atlético Marte fizeram um duelo emocionante. A igualdade por três gols beneficiou o os Elefantes, que ocupam a 3ª posição, com 15 pontos conquistados, ao lado do Juventud;

Guatemala

– Mesmo atuando em casa, o líder Comunicaciones não conseguiu superar o ferrolho armado pelo Marquense e não passou de um empate sem gols. Não que o resultado tenha grande influência no Clausura, já que os Cremas mantiveram a invencibilidade e grande folga no topo, com 24 pontos em 10 jogos;

– Para facilitar ainda mais a vida do líder, seus perseguidores mais próximos tropeçaram na rodada: o vice-líder Heredia ficou no 1×1, em casa, com o Mictlán e soma 18 pontos, enquanto o Malacateco foi surpreendido pelo vice-lanterna Petapa e estacionou nos 17. Quem segue em péssima fase é o Municipal, superado pelo Juventud Escuintleca e lanterna isolado da Liga Nacional com apenas 3 pontos, ainda sem vencer na competição;

Honduras

– De volta à normalidade: em reedição da final do Apertura, o atual tricampeão nacional Olímpia venceu o Victoria, fora de casa, e assumiu a liderança do Clausura da Liga Nacional, com 22 pontos em 13 partidas, aproveitando o tropeço dos antigos donos da primeira posição;

– O Real Sociedad, que não passou de um empate sem gols contra o Marathón, soma 20 pontos e divide a vice-liderança com o Real España, superadona rodada pelo Deportes Savio;

Panamá

– Com um empate frente ao Alianza, o San Francisco manteve a liderança do Clausura da Liga Panamenha, com 24 pontos em 11 jogos. Menos mal que o vice-líder Árabe Unido perdeu para o Chorrillo e permaneceu com 19 pontos, enquanto o modesto Río Abajo presenteou seu novo treinador Óscar Niño com uma vitória sobre o Sporting San Miguelito e a terceira posição na tabela, somando 18 pontos;

– O fim de semana no Panamá ficou marcado pelo assassinato do atacante Bryan Santamaría, assassinado na madrugada de sexta para sábado. Integrante da Rojita, categoria sub-17 do selecionado panamenho, o jovem fez parte do grupo que disputou o Mundial da categoria no México, em 2011, e estava emprestado pelo San Francisco ao Atlético Chiriquí.

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