México

Império azteca

Três goleadas em três partidas. 100% de aproveitamento. Melhor ataque com mais do que o dobro de gols do próximo na lista. Defesa menos vazada. Classificação assegurada e favoritismo destacado na briga pelo título. Contando com o artilheiro e melhor jogador do torneio. Esse é o papel que desempenha a seleção mexicana na atual edição da Copa Ouro da Concacaf.

Com um desempenho acima do esperado, a El Tri deixou para trás seus rivais na primeira fase e qualificou-se com sobras para buscar o sexto título da competição (nono, se considerarmos o formato antigo do torneio).

E o favoritismo tem razão de ser. O selecionado azteca simplesmente humilhou seus três primeiros adversários na competição, vencendo todos com goleadas e dominando os confrontos sem dar chances aos times rivais. Além disso, contou com uma inesperada oscilação do (provável) principal rival na briga pelo título: os norte-americanos, que tropeçaram no mediano Panamá na segunda rodada.

Em campo, a supremacia vem se revelando através de três nomes como Chicharito Hernández, Andrés Guardado e Giovani dos Santos. O trio azteca é, por enquanto, o termômetro do México. Um termômetro que ainda não diminuiu a temperatura na busca pelo título.

No jogo de estreia, a ansiedade natural da primeira partida teve lugar no começo do duelo. Dessa forma, a El Tri só abriu o placar aos 10 minutos da segunda etapa. Mas na sequência emendou uma goleada facilmente construída com o oportunismo de Chicharito, autor de três gols, o último cobrando com classe um pênalti por ele sofrido.

Contra Cuba, na segunda rodada, o time mexicano demorou a abrir o placar novamente, mas esteve sempre com o domínio da partida. Após o gol de cabeça de Chicharito, em cruzamento de Guardado, aos 35 minutos, os Leões do Caribe foram facilmente dominados. Com Chicharito novamente em destaque, com dois gols e duas assistências, mereceu nota também a excelente partida de Dos Santos, autor de dois gols.

A coroação do desempenho, contudo, só apareceu no duelo contra a Costa Rica, um jogo no qual se esperava o embate mais equilibrado do grupo (e até da primeira fase). Presença constante nas últimas Copas e duro rival para Estados Unidos e México, os Ticos, comandados pelo argentino La Volpe, ex-técnico da El Tri, só não contavam com a melhor partida do time mexicano na competição.

Diferente dos dois primeiros jogos, onde, a despeito do domínio inicial, demorou a chegar ao gol, ainda no primeiro tempo, em um intervalo de 20 minutos, o time azteca abriu quatro gols de vantagem, minando qualquer chance de reação dos adversários. O homem da partida dessa vez foi o meia Guardado, autor de dois gols. O primeiro um golaço, ao completar de primeira um cruzamento de Israel Castro sem deixar a bola quicar, o mais bonito da competição.

O time base utilizado por De la Torre têm seus pilares na sólida formação defensiva, composta pelos laterais Juárez e Salcido e os zagueiros Moreno e Rafa Márquez, e no habilidoso setor ofensivo, onde Guardado e Barreira ficam incumbidos da ligação com o ataque, formado por Hernández e Dos Santos (com a presença, ou não, de De Nigris).

Um time sem muitos segredos ou invenções, até utilizado em outras oportunidades pelos técnicos que passaram pela El Tri, mas que ainda não havia contado com o amadurecimento de suas principais opções. Guardado e dos Santos parecem ter encontrado a maneira de se destacar na seleção, se livrando do peso do protagonismo que parecia minar o desempenho dos dois na El Tri.

Um protagonismo que cai perfeitamente no colo de Chicharito, um dos poucos jogadores a desempenhar no selecionado mexicano o mesmo que em seu clube, o United. E que caminha a passos largos para consolidar-se como o melhor nome do torneio.

O excelente início surpreende, ainda, pela ocorrência do doping que afastou cinco jogadores do grupo. Guillermo Ochoa, Christian Bermúdez, Sinha, Édgar Dueñas e Francisco Javier Rodríguez testaram positivo para a substância clenbuterol e foram suspensos de forma preventiva pela própria federação mexicana. O efeito teria sido causado pela ingestão de carne contaminada. O que poderia ter abalado a El Tri, e de fato deixou o grupo com apenas 17 jogadores na Copa Ouro, não afetou a moral do time, que emendou mais duas goleadas.

Contudo, o desgaste em um grupo reduzido ainda pode cobrar seu preço no resto da competição. Até por isso, a Femexfut solicitou a substituição dos atletas para a Concacaf, que analisa o pedido.

Ainda não é possível saber se o título já tem dono. Afinal, em um torneio com tantos times médios e fracos, onde goleadas são constantes e poucas surpresas acontecem, pode-se argumentar que a campanha obtida pelo México até aqui não foi mais do que obrigação.

Entretanto, avaliando o tropeço dos Estados Unidos, ou a facilidade com que a Costa Rica foi superada, percebe-se que, até agora, apenas a El Tri fez valer a tradição em campos norte-americanos. Uma confirmação que pode pesar mais a frente e levar os aztecas novamente ao topo.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo