México

Guia do Clausura mexicano

Com uma grande surpresa na última sexta, teve início o Clausura mexicano. Em casa, o Tecos – que fez um bom Apertura – perdeu por 2 a 1 para o frágil Indios, time que entrou na competição pensando apenas em não cair. Nos dias seguintes, o Santos Laguna, equipe de melhor desempenho em 2008, caiu em casa para o América (o pior do ano passado) e Chivas e Cruz Azul protagonizaram um espetacular clássico: 3 a 3.

Começou bem o Campeonato Mexicano. Para ajudá-lo a acompanhar o que rola na liga nacional mais rica das Américas, a Trivela preparou um guia do torneio, com a preparação de cada uma das equipes.

Só dando uma pincelada no regulamento, os 18 clubes se dividiram em três grupos de seis. Na primeira fase, jogam todos contra todos em turno, dentro e fora dos grupos. Classificam-se os dois primeiros de cada chave e mais duas equipes por índice técnico, formando as oito que iniciarão o mata-mata em jogos de ida e volta.

O rebaixamento é definido pela média de pontos de cada equipe nas últimas três temporadas. Apenas o último colocado cai. Nessa classificação à parte, os mais ameaçados após a primeira rodada são Puebla (1,0192 pontos por partida), Necaxa (1,1163), Tecos de la UAG (1,12790), Tigres de la Unam (1,1395), Indios (1,2222) e Monterrey (1,2326). Indios e Puebla, como não disputaram as três últimas temporadas na elite, têm menos jogos na conta e, por isso, suas médias flutuam muito com uma derrota ou vitória.

América (Grupo 2)

Estádio: Azteca (114.465 lugares)
Principal jogador: Guillermo Ochoa (goleiro)
Fique de olho: Jean Beausejour (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Jean Beausejour (O'Higgins-CHI), Fernando Ortiz (Santos Laguna), Edgar Castillo (Santos Laguna), Juan Carlos Valenzuela (Tecos de la UAG), Ángel Reyna (San Luis), Robert (Tecos de la UAG), Pável Pardo (Stuttgart/ALE) e Andrés Chitiva (Indios)
Quem saiu: Juan Carlos Medina (Monterrey), Federico Insúa (Necaxa), Juan Carlos Mosqueda (Santos Laguna), Germán Villa (Necaxa), José de Jesús Mosqueda (Veracruz), Carlos Infante (Necaxa), Alvin Mendoza (Veracruz), Sebastián Domínguez (sem clube), José Antonio Castro (Tigres de la UANL), Alfredo Moreno (Necaxa) e Rafael Márquez Lugo (Atlante)
Técnico: Ramón Diaz
Objetivo na temporada: título

Depois de um desempenho terrível em 2008, o América vira o ano pensando em engolir tudo o que vier pela frente. A diretoria investiu mais do que o normal, mas continua achando que dinheiro compra tudo. Pode até dar certo em 2009 e a vitória sobre o Santos Laguna em Torreón na estréia do Clausura é um bom sinal, mas o clube não precisava de mais jogadores e sim, de calma e um trabalho de longo prazo. O fracasso na Interliga (podia perder por dois gols para o Atlas no jogo decisivo da primeira fase e tomou 4 a 1) mostra como as Águilas ainda estão longe de ser um time de sonhos.

Atlante (Grupo 1)

Estádio: Andrés Quintana Roo (20.000 lugares)
Principal jogador: Federico Vilar (goleiro)
Fique de olho: Miguel Martínez (León)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões da Concacaf
Quem chegou: Miguel Martínez (León), Omar Ortíz (Necaxa) e Rafael Márquez Lugo (América)
Quem saiu: Alan Zamora (Jaguares de Chiapas) e Javier Muñoz Mustafá (Pachuca)
Técnico: José Guadalupe Cruz
Objetivo na temporada: chegar entre os quatro primeiros

Nos últimos dois anos, o Atlante teve desempenhos ruins no primeiro semestre e foi muito bem no segundo. O clube precisa de alguma estabilidade para o Clausura 2009 e a perspectiva é boa. Apesar de sondagens de fora, a diretoria manteve Vilar, Maldonado e Bermúdez, seus principais jogadores. Além disso, a equipe obteve bons resultados na pré-temporada, incluindo um 4 a 0 sobre o Santos Laguna.

Atlas (Grupo 3)

Estádio: Jalisco (60.000 lugares)
Principal jogador: Nestor Vidrio (defensor)
Fique de olho: Bruno Marioni (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Ismael Fuentes (Jaguares de Chiapas), Christian Sánchez (Jaguares de Chiapas), Lucas Ayala (Tigres de la UANL) e Bruno Marioni (Pachuca)
Quem saiu: Gerardo Flores (Jaguares de Chiapas), Ulises Mendivil (Pachuca), Ariel Bogado (Tigres de la UANL), Omar Flores (Jaguares de Chiapas), Rodrigo Bava (Libertad-PAR), Christian Valdéz (Jaguares de Chiapas) e Mauricio Romero (Tigres de la UANL)
Técnico: Darío Franco
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

Poucos clubes trabalham tão bem nas categorias de base, e poucos sofrem tanto com a síndrome de desafortunado. Para acabar com a tendência de fracassos das últimas temporadas e superar o rival local Chivas, os Zorros colocaram a mão no bolso e recontrataram o artilheiro e veterano argentino Marioni e o bom defensor chileno Fuentes. A equipe é razoável e a campanha na Interliga (goleou o América na primeira fase e perdeu a vaga na Libertadores nos pênaltis) deixam a torcida otimista.

Chivas de Guadalajara (Grupo 2)

Estádio: Jalisco (60.000 lugares)
Principal jogador: Jared Borgetti (atacante)
Fique de olho: Marco Fabián de la Mora (atacante)
Competição continental que disputa: Libertadores
Quem chegou: Carlos Ochoa (Monterrey, compra), Jared Borgetti (Monterrey), Francisco Mendoza (Chivas USA/EUA), Sergio Amaury Ponce (Toluca) e Aarón Galindo (Eintracht Frankfurt/ALE)
Quem saiu: Santana (Toluca, compra) e José Antonio Olvera (Toluca, préstamo)
Técnico: Efraín Flores
Objetivo na temporada: título

As Chivas não investiram tanto quanto o rivalíssimo América, mas montou um time que tem perfeitas condições de ser o melhor do país. Isso se deve à atuação precisa no mercado, contratando jogadores que o time realmente precisava e mantendo a base que era boa e só não teve melhores resultados em 2008 pelo excesso de contusões e uma oscilação exagerada. Por exemplo, o ataque tem o rápido Carlos Ochoa e o oportunista Borgetti. A defesa tem o retorno de Magallón e Michel, cujas contusões foram muito sentidas no Apertura. Galindo e Ponce podem dar mais homogeneidade à equipe. Claro que nem tudo é boa notícia. Borgetti já dá sinais de desgaste e disputar duas competições duras – Mexicano e Libertadores – pode ser sacrificante demais para o elenco.

Cruz Azul (Grupo 2)

Estádio: Azul (35.161 lugares)
Principal jogador: Gerardo Torrado (meia)
Fique de olho: Pablo Zeballos (atacante)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões da Concacaf
Quem chegou: Fausto Pinto (Pachuca), Omar Tena (América) e Luis Ángel Landín (Morelia)
Quem saiu: Miguel Sabah (Morelia) e Nicolás Vigneri (sem clube)
Técnico: Benjamin Galindo
Objetivo na temporada: título

Bivice-campeão mexicano, o Cruz Azul chega ao Clausura com a obrigação de dar um passo adiante. É bastante pressão, mas os Cementeros têm condições de brigar pelo título. A base foi mantida, com Benjamin Galindo ganhando um pouco mais de experiência como técnico e um meio-campo forte, com Villaluz, Torrado e Riveros. Para acabar com a década de jejum de títulos, o clube só precisará resolver dois graves problemas: a cobrança interna e o desgaste de disputar a Concachampions, até porque, na competição internacional, o adversário das quartas de final é o rival Pumas.

Indios (Grupo 1)

Estádio: Olímpico Benito Juárez (22.300 lugares)
Principal jogador: Edwin Santibáñez (volante)
Fique de olho: Cirilo Saucedo (goleiro)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Javier Saavedra (Tigres de la UANL), Juan Pablo Rodríguez (Racing-URU), Abdoul Njankou (Central Español-URU), Arturo Echevarría (Real Colima) e Héctor Giménez (Necaxa)
Quem saiu: Andrés Chitiva (América), Braulio Godínez (Dorados de Sinaloa), Tomás Quiñones (Dorados de Sinaloa) e Sebastián Maz (Dorados de Sinaloa)
Técnico: Hector Hugo Eugui
Objetivo na temporada: escapar do rebaixamento

Ponto a ponto. É assim que time de Ciudad Juárez disputará – e fará contas – no Clausura. O clube está em uma ferrenha disputa com o Puebla para fugir da última posição na média de pontos (ou seja, do rebaixamento). No momento, a Tribu está em vantagem, mas uma série de derrotas pode ser fatal. Ainda assim, o clube continua apostando em um elenco barato, com veteranos úteis disponíveis no mercado e jovens que precisam de espaço para se lançar. Sem muitas opções, a solução é contar com os jogos em casa para fazer os pontos necessários.

Jaguares de Chiapas (Grupo 3)

Estádio: Victor Manuel Reyna (27.500 lugares)
Principal jogador: Itamar (atacante)
Fique de olho: Neri Cardozo (meia)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Oribe Peralta (Santos Laguna), Gerardo Flores (Atlas), Christian Valdez (Atlas), Jesús Chavez (Tigres de la UANL), Neri Cardozo (Boca Juniors-ARG), Javier Gandolfi (Arsenal-ARG), Omar Flores (Atlas) e Alan Zamora (Atlante)
Quem saiu: Christian Sánchez (Atlas), Edgar Solano (Necaxa), Ismael Fuentes (Atlas) e Óscar Rojas (Morelia)
Técnico: Miguel Angel Brindisi
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

A diretoria dos Felinos ameaçava de deixar Tuxtla Gutiérrez em busca de uma cidade que fizesse uma boa proposta para ter um time na elite mexicana. O governo do estado de Chiapas agiu rápido e comprou 51% das ações dos Jaguares. Com isso, o clube ficou com dinheiro em caixa para investir. Com as chegadas de Alan Zamora, Neri Cardozo, Miguel Ángel Brindisi e a manutenção da dupla Adolfo Bautista e Itamar, o time laranja tem condições de chegar ao mata-mata, ainda mais se o governo tiver sucesso em motivar a população local a apoiar o time. Se tudo isso se encaixar, há boas perspectivas para os chiapanecos.

Monterrey (Grupo 1)

Estádio: Tecnológico (33.485 lugares)
Principal jogador: Humberto Suazo (atacante)
Fique de olho: Alonso Sandoval (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Osvaldo Martínez (Libertad-PAR), Gerardo Galindo (Necaxa), Diego Martínez (Tigres de la UANL), Aldo de Nigris (Necaxa), Alonso Sandoval (Tecos de la UAG), Walter Ayoví (El Nacional-EQU) e Juan Carlos Medina (América)
Quem saiu: Arturo Alvarado (San Luis), Egidio Arévalo Rios (San Luis), Jared Borgetti (Chivas de Guadalajara), Carlos Ochoa (Chivas de Guadalajara), Hiber Ruiz (Puebla) e José Joel González (Necaxa)
Técnico: Victor Manuel Vucetich
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

O Monterrey entra no Clausura 2009 com algumas incertezas. No papel, o elenco é bom e tem a semifinal do Clausura 2008 com prova disso. No banco, Victor Manuel Vucetich é um treinador vencedor, que já conseguiu façanhas como conduzir León e Tecos ao título nacional. Resta saber se esses dois elementos vão se encaixar. Em 2008, os Rayos tiveram uma equipe que jogava no estilo de Ricardo La Volpe, com muita velocidade e alterações táticas. Vucetich tem um perfil muito diferente, valorizando a posse de bola e a paciência. Mudar radicalmente o modo de atuar de uma equipe leva um tempo. Se o treinador tiver sucesso, os regiomontanos podem sonhar alto. Caso contrário…

Morelia (Grupo 2)

Estádio: Morelos (41.056 lugares)
Principal jogador: Miguel Sabah (atacante)
Fique de olho: Ever Guzmán (atacante)
Competição continental que disputa: nenhuma
Quem chegou: Óscar Rojas (Jaguares de Chiapas) e Miguel Sabah (Cruz Azul)
Quem saiu: Luis Ángel Landín (Cruz Azul) e Jaime Durán (Skoda Xanthi-GRE)
Técnico: Luis Fernando Tena
Objetivo na temporada: chegar ao mata-mata

O Morelia é uma equipe que desperta simpatia: não investe mais do que pode, pratica um futebol atraente e tem resultados até interessantes. No Clausura, a estratégia deve ser a mesma dos últimos anos, com uma equipe que até tem uma base interessante, com Droguett, Aldrete, Omar Trujillo e Óscar Rojas. O técnico é Luis Fernando Tena, que foi o comandante dos Monarcas a seu único título, no Invierno (Apertura) 2000. Como já ocorreu no Apertura e na Interliga, os rojiamarillos têm condições de fazer uma boa campanha e complicar os favoritos. No entanto, o fato de ter caído no “grupo da morte”, com Pumas, Chivas, América e Cruz Azul, podem complicar sua situação.

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