Fúria Rojinegra
Antes do pontapé inicial do torneio Clausura, era difícil cravar um favorito nítido à queda para a Liga de Ascenso na próxima temporada. Atlas e Querétaro estavam rigorosamente empatados no sistema de quocientes que rege a disputa contra o descenso no Campeonato Mexicano. A tabela, que leva em conta a pontuação da fase regular dos três últimos anos (seis torneio curtos), somava 80 pontos em 85 partidas para ambos (média de 0,941), uma distância considerável para as demais equipes, o que restringia a briga a um confronto direto e indicava grande equilíbrio, dado o desempenho parco das duas equipes em 2012.
A expectativa de que uma das duas equipes disparasse na briga era remota, em virtude do já mencionado fraco desempenho anterior, mas também pela ausência de grandes contratações ou mesmo atletas que motivassem os torcedores a acreditar numa melhora repentina. Se os Gallos Blancos apostavam em refugos do futebol azteca e atletas latino-americanos pouco conhecidos, os Rojos sofriam um duro baque na sua proposta de manutenção de uma base com o mínimo de entrosamento após a perda do artilheiro chileno Héctor Mancilla, vendido ao Morelia depois de apenas seis meses em Guadalajara.
Para suprir a carência ofensiva, a Academia trouxe o veterano Omar Bravo. A contratação foi objeto de inúmeras críticas. “La Fiel”, como é chamada a fervorosa torcida rubro-negra, se ressentia principalmente pelo passado de “Omarcito”, cria das “Fuerzas Básicas” do arquirrival Chivas. As inúmeras críticas e pressões dos adeptos contra sua chegada em Zapopán foram rapidamente debeladas com um gol já em sua estreia, evitando a derrota para a UNAM em pleno estádio Universitário.
Na sequência do Clausura, Bravo marcou mais três vezes, todas em triunfos do clube jalisciense, tentos vitais para darem a vantagem ao clube nas partidas somando importantes nove pontos. Além de ajudar o Rojo a fugir da queda, a antiga promessa da base Chivería busca o seu próprio restabelecimento. Desde que deixou o rival mais poderoso de Guadalajara rumo ao futebol europeu, “El Hijo Prodigo” colecionou fracassos. Dispensado do La Coruña (ESP), passou sem muito destaque (e com poucos gols) por Tigres, Cruz Azul e Sporting Kansas City (EUA), entremeando retornos questionáveis ao próprio Chivas. Seus 4 gols marcados em apenas 7 jogos pelo Atlas já somam mais do que Bravo marcou em qualquer campeonato disputado desde que aventurou-se no Velho Continente.
As chances de voltar à seleção mexicana, pela qual disputou sua última partida há cerca de quatro anos, são pequenas para um jogador que já foi visto como o futuro da Tricolor, ainda mais se levando em conta a renovação proposta por José Manuel de la Torre. Mas o próprio atacante parece conformado e mais disposto a alcançar novamente o protagonismo em âmbito nacional. E a importância de Bravo para o Atlas vem sendo notável: com 4 gols e 2 passes para gol, soma participação direta em mais da metade dos tentos anotados pelos Zorros, que vêm conseguindo um desempenho surpreendente.
Na segunda posição ao lado do América, há apenas um ponto do líder Tigres, o clube é o que mais somou pontos nas últimas seis rodadas (15 em 18 disputados), em uma série vitoriosa na qual “La Furia” superou adversários outrora visto como instransponíveis, batendo o reforçado Pachuca, o gigante América e, no último fim de semana, o atual campeão continental Monterrey. Mais do que isso, os triunfos vieram por placares apertados, mas com futebol convinvente.
A atual campanha da Academia surpreende, ainda mais se levarmos em conta as decepcionantes temporadas recentes. As cinco vitórias atuais já equivalem ao total de triunfos somados em toda a temporada passada (2011/12), onde os Zorros precisaram de 36 rodadas para alcançá-las, contra apenas sete no Clausura 2013. Vale dizer, também, que em três dos último cinco “torneos cortos” o Atlas não atingiu os atuais 16 pontos nem mesmo após 18 rodadas. Nas únicas duas edições nas quais superou essa pontuação, o clube Rojinegro alcançou 23 (Clausura 2011) e 20 (Clausura 2012) pontos, marcas que não permitiram ao Atlas nem mesmo disputar a Liguilla.
Playoffs, aliás, que já parecia um termo distante do clube de Jalisco. Lá se vão seis anos (e 11 torneios) sem que um dos clubes mais tradicionais da primeira divisão azteca alcance o mata-mata nacional. Ainda que a última passagem do Atlas pela Liguilla tenha se encerrado prematuramente e com uma sonora goleada, ficar de fora da “Fiesta Grande” do futebol mexicano durante tanto tempo, mais do que derrubar a média de pontos do clube na briga contra o descenso, afundou também a moral em Guadalajara.
As chances de Liguilla são grandes, mas ainda não estão entre as principais preocupações do Atlas, principalmente enquanto as possibilidades de rebaixamento não forem zeradas. Os benefícios do bom desempenho atual também podem ser percebidos na tabela de quocientes para as próximas temporadas. As distâncias para San Luis, Puebla e até Atlante diminuíram consideravelmente, fato importante levando-se em consideração que o clube recém-chegado da Liga de Ascenso varia bastante sua pontuação e tradicionalmente sofre para permanecer na elite, mas nada garante que um novo León não possa aprontar em 2013/14 e restringir a disputa contra a queda aos clubes que já estão na Liga MX.
Apesar da fila de mais de 60 anos sem obter o título mexicano, e de somar três passagens pela segunda divisão nesse período, o a Academia mantém-se como uma das equipes mais tradicionais do futebol azteca, sendo a quinta equipe com mais partidas e vitórias e quarta em número de gols marcados na historia da Primera División. Isso sem mencionar a posição que os Rojinegros ocupam como arquirrivais do maior campeão nacional. A tradição, contudo, não apaga as péssimas temporadas seguidas que vem mantendo o time na briga contra a Liga de Ascenso. E por uma dessas ironias do destino, é sob o comando de um antigo ídolo rival que o Atlas começa a se reencontrar.
Curtas
– Seleção da 6ª rodada Trivela: Rodolfo Cota (Pachuca), Paul Aguilar (América), Juninho (Tigres UANL), Paulo da Silva (Pachuca) e Jorge Torres (Tigres UANL); Jorge Marcelo Rodríguez (Jaguares), Lucas Lobos (Tigres UANL) e DaMarcus Beasley (Puebla); Emanuel Villa (Tigres UANL), Félix Borja (Puebla) e Rafael Márquez Lugo (Chivas Guadalajara); T: Manuel Lapuente (Puebla);
– Seleção da 7ª rodada Trivela: Miguel Pinto (Atlas), Javier Cortés (Pumas UNAM), Leandro Cufré (Atlas), Juninho (Tigres UANL) e Efraín Velarde (Pumas UNAM); Ángel Reyna (Pachuca), Luis Montes (León) e Edwin Hernández (León); Raúl Jiménez (América), Luis Gabriel Rey (Jaguares) e Omar Bravo (Atlas); T: Tomás Boy (Atlas);
Costa Rica
– Apesar de perder os 100% de aproveitamento após um empate sem gols frente ao Santos de Guápiles, o Cartaginés manteve a excelente folga na ponta do Campeonato de Verano da Primera División, com 19 pontos em 7 partidas. Na vice-liderança, com 12 pontos e um jogo a menos, aparece o Municipal Pérez Zeledón, que superou o Herediano por 2×0;
– No Clásico de Costa Rica, a atual campeã Alajuelense bateu o Saprissa por 3×1, alcançou 8 pontos em 6 partidas e assumiu o sétimo posto na tabela, ultrapassando justamente o arquirrival, que também soma 8 pontos, mas possui saldo de gols inferior;
El Salvador
– Com uma vitória sobre o Alianza no Clássico Centro-Ocidental, o FAS manteve a campanha perfeita e a liderança do Clausura da Liga Mayor, agora com 12 pontos em 4 partidas. Dois pontos atrás aparece o Juventud Independiente, que derrotou o Once Municipal e manteve a invencibilidade;
– Quatro times somam 7 pontos e dividem o terceiro posto da competição: Alianza, Santa Tecla, Luis Ángel Firpo e Isidro Metapán, atual campeão nacional;
Guatemala
– Imparável: mesmo atuando fora de casa, o atual campeão nacional Comunicaciones venceu o Suchitepéquez por 2×0 e manteve a “racha ganadora”, com 4 vitórias em 4 jogos e nenhum gol sofrido na Liga Nacional;
– Maior campeão nacional, o Municipal segue na lanterna e em péssima fase (apenas um ponto somado), sendo derrotado no último fim de semana pelo Xelajú, que soma 9 pontos e divide a segunda posição com Heredia, que superou o Universidad, e Halcones, que bateu o Malacateco;
Honduras
– Atual campeão nacional, o Olímpia sofreu uma virada no duelo contra o Real España e perdeu a chance de isolar-se na ponta do Clausura da Liga Nacional;
– Os Merengues somam 12 pontos em 6 partidas, mesma pontuação de Marathón, que não passou de um empate frente ao Motagua, e Victoria, outro a empatar seu duelo na rodada, contra o Atlético Choloma;
Panamá
– Na liderança do Clausura da Liga Panamenha, o San Francisco arrancou um importante empate contra o Tauro e alcançou 14 pontos em 7 partidas. O modesto Río Abajo bateu o lanterna Chorrillo e alcançou a vice-liderança, com 12 pontos, dividindo o posto com o Sporting San Miguelito, que superou o Plaza Amador.