México

Fuerzas básicas mexicanas

Lugar comum no mundo do futebol, o investimento nas divisões de base é comprovadamente o melhor meio de evolução de determinado esporte em qualquer país. No futebol, com uma competitividade cada vez maior, há muito esse se tornou o caminho para o crescimento de campeonatos e seleções. Grande parte das federações nacionais contam com campeonatos na base, mas poucos ainda demonstram a estruturação e o investimento feito nas camadas jovens do futebol azteca.

Apesar de sempre contar com bons investimentos e destaques nas categorias de base, foi somente a partir da década de 1990 que a Femexfut, a Federação Mexicana de Futebol, estruturou e organizou com capacidade ímpar campeonatos de jovens atletas de dar inveja a maior parte dos países americanos. Os resultados no âmbito mundial vêm melhorando e já podem ser notados com mais destaque nessas categorias.

O vice-campeonato no mundial inaugural da categoria sub-20 (quando o mesmo ainda era sub-19), em 1977, obtido após a derrota nos pênaltis na final para a União Soviética, pode ser pouco utilizado como parâmetro comparativo, dada a ainda incipiente organização de torneios e confederações da categoria na época. A própria competição foi disputada por países convidados, mas já servia para dar mostras do talento mexicano a ser explorado.

No sub-17, após fracassos e campanhas pouco empolgantes, o sucesso chegou com o título mundial de 2005 no Peru, conquistado com duas incontestáveis vitórias na semifinal (4×0 na Holanda) e final (3×0 sobre o Brasil), e revelando a geração de Giovani dos Santos e Carlos Vela.

Nos torneios continentais, mesmo com a pouca margem de comparação, pelo baixo nível dos demais países rivais na Concacaf, a dominância nos campeonatos das categorias de base sempre demonstraram o potencial azteca. Sede do próximo Mundial sub-17, a partir de julho, a seleção mexicana da categoria conquistou sete títulos Concacaf, enquanto na versão sub-20 levou 12 troféus.

Chamados de “Fuerzas Básicas”, os torneios menores são divididos nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20. Todos os times que disputam a Primera División são obrigados a manter times em todas as camadas. As duas últimas possuem um formato semelhante ao utilizado no profissional e seguem o mesmo calendário, com as partidas sendo jogadas antes da categoria principal. A vantagem é a possibilidade de contato maior do público com possíveis futuros ídolos, vivência de situações de jogo e menos gastos.

Outra vantagem é a possibilidade dos times profissionais utilizarem, quando preciso, seus jogadores mais jovens, com os mesmos já com ritmo de competição e “aquecidos” para enfrentar os rivais.

Em ambas as categorias, os grandes destaques ficam por conta de América e Atlas. As Águias lideram o Fuerzas Básicas sub-17, com 35 pontos, seguidas por Pumas, com 31, e Atlas, com 27. No sub-20, a ponta é ocupada pelos Zorros, com 24 pontos, um a mais que os Canários e três acima do Tigres.

Vale também destacar o quarto lugar ocupado pelo Guadalajara nas duas categorias. Como as Chivas não aceitam não mexicanos em seus quadros, seus times de base, continentalmente reconhecidos, são a maior fonte de futuros atletas.

Na competição sub-17, vale apontar a excelente defesa Rojinegra, formada por Jesús Alfonso, Santiago Hernández, Carlos Yahir e José Pablo Sánchez, que sofreu seis gols em 10 partidas na competição.

Enquanto isso, o grande destaque da categoria sub-20 curiosamente vem sendo um estrangeiro: o paraguaio Gustavo Adrián Rojas, proveniente da base do Pachuca, já marcou 10 gols em nove partidas no Clausura.

Seu histórico inclui ainda 12 gols marcados no último Apertura e outros 12 na Liga da primeira parte do ano de 2010. Apesar da campanha irregular dos Tuzos, que ocupam somente o oitavo lugar, ele lidera o melhor ataque do torneio, com 26 gols.

Já na categoria sub-15, com um calendário diferente das demais, em três partidas jogadas, apenas três clubes continuam com 100% de aproveitamento: Guadalajara, Morelia e Atlas.

Além dos campeonatos, o incentivo passa também por regras que exigem a participação dos jovens jogadores do país nos times profissionais. Instituída a partir do campeonato Apertura 2005, a chamada “Regra 20/11” exige que os times da Primera División coloquem em campo jogadores com menos de 20 anos e 11 meses por uma cota mínima de 1000 minutos nas 17 rodadas da primeira fase da competição.

Caso o clube não atinja o tempo mínimo, perde três pontos na classificação final. Até hoje, apenas três clubes sofreram a punição: Jaguares de Chiapas, no Apertura 200 e Club San Luis e Querétaro, no Apertura 2006. O objetivo é fortalecer as camadas mais jovens, dando confiança aos jovens jogadores e melhorar como um todo o nível do futebol azteca e da El Tri.

Esse último objetivo pode ser considerado o norte de todo o projeto. Fortalecer a seleção principal e destacar o futebol mexicano mundo afora não é tarefa fácil, mas uma ideia perfeitamente notável, dado o talento e a paixão dos mexicanos por futebol. Capitalizar essa admiração para colher frutos no futuro parece ser o caminho do comando azteca. E o caminho seguido tem tudo para ser a melhor opção.

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Equipe Trivela

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