México

Felinos mansos

O puma é sagrado para os incas. Entre tantas alegorias envolvendo o felino, os nativos dos altiplanos peruanos e bolivianos falavam sobre o modo de o animal atacar. Assim que define seu alvo, o puma arma o bote, se mexe para trás para pegar impulso e saltar. Seria um sinal de que, antes de tentar algo ousado, é preciso recuar para tomar impulso e ter mais chance de sucesso.

Mais ao norte dos Andes, um outro puma terá de aprender a usar o recuo como forma de ganhar força para o salto. No Apertura mexicano, os Pumas começaram muito mal a defesa de título. Aliás, “muito mal” é até delicado se considerado o tamanho do desastre que tem sido o time da Unam nesse semestre. Em cinco jogos, os universitários conseguiram cinco derrotas, um gol marcado e 13 sofridos. Nunca um campeão mexicano começou tão mal o campeonato seguinte.

É difícil imaginar que o time atual foi campeão há dois meses. A equipe tem atuado sem alma, aceitando passivamente a derrota como se fosse algo inevitável. A defesa está bagunçada e o ataque parece incapaz de causar algum dano ao adversário. O nível de competitividade dos Pumas é nulo.

Isso fica evidente nos resultados até o momento. Das cinco derrotas, três foram por 3 a 0 (Cruz Azul em casa, Toluca e Estudiantes Tecos fora). O mais surpreendente é que a equipe atual é a mesma do primeiro semestre. Não houve venda ou compra nos jogadores do time titular e ninguém desfalcou o time por contusão ou suspensão.

Como o título do Clausura não foi acidente, mas o resultado natural para um time forte, que tem bons jogadores em todos os setores (Bernal no gol, Palacios, Verón e Velarde na defesa, Leandro Augusto e Castro no meio-campo, Palencia e Dante López no ataque) e um técnico que conhece muito bem o clube e o elenco. O fato de não haver mudanças na base reforça a tese de que o Pumas entrou no campeonato sem o preparo adequado. Se não for de concentração, é de pré-temporada mal feita do ponto de vista físico, técnico e/ou tático.

A situação não é definitiva, porque o Campeonato Mexicano classifica para a Liguilla 8 dos 18 participantes. Ou seja, ainda é possível se classificar. Mas a situação já causa alguma agonia no clube. Já se fala na Ciudad Universitária em deixar de lado o Apertura para priorizar a Concachampions. De fato, já parece ser uma visão realista. Mesmo depois de apenas cinco rodadas.

Pizza de peru

Dentro de campo, o futebol sul-americano está com suas forças cada vez mais concentradas em Brasil e Argentina, ainda que outros países tenham seus brilhos fugazes. Fora de campo, há mais democracia. Se ruindade na cartolagem fosse campeonato, haveria um enorme equilíbrio entre os países. Nessa semana, foi a vez de o Peru mostrar que está forte nessa “competição”.

A primeira polêmica administrativa já é antiga, mas teve novo episódio. Em junho, logo após a rodadas das Elimiantórias para a Copa de 2010, o sindicato de jogadores peruanos anunciou que boicotaria a seleção devido à desorganização da FPF (federação peruana). O levante só seria suspenso se houvesse mudanças radicais na entidade.

Qualquer um sabia que era só jogo de cena e que, uma hora ou outra, os atletas voltariam atrás. Pois, nesta semana, a poucos dias de novo jogo do Peru pelas Eliminatórias… o sindicato voltou atrás. A direção anunciou a mudança de planos na última quinta. Para justificar a decisão, afirmou que a federação aceitou 90% das exigências dos atletas, ainda que não tenha dito o que foi acertado “para não entorpecer o diálogo”.

Outra polêmica que tomava conta dos debates futebolísticos no país era um boicote dos árbitros a Sporting Cristal e Melgar. No último fim de semana, Juan Carlos Oblitas, técnico do Cristal, acusou os árbitros de prejudicarem sistematicamente seu clube depois de uma derrota para o Melgar. Na quarta, foi a vez de o time de Arequipa chiar. Na partida contra o Universidad César Vallejo, houve uma confusão em campo e o árbitro Héctor Pacheco sofreu corte no supercílio esquerdo, supostamente em golpe do tesoureiro do clube mistiano.

Como reação, o sindicato de árbitros ameaçou não enviar apitadores para as partidas de rimenses e arequipeños. Os Sporting Cristal já pediu desculpas e teve o perdão. O Melgar ainda não se resolveu, pois os árbitros exigem a destituição do tesoureiro (o clube não aceita a acusação de que ele tenha agredido Pacheco) e uma suspensão ao estádio da Universidad Nacional de San Agustín, em Arequipa.

Em comum, a crise de clubes com árbitros e de jogadores com a federação mostram a completa falta de comando no futebol peruano. Todas as partes, quando possível, fazem chantagem para fazer valer suas vontades. E a imagem de confusão total fica cada vez mais nítida para o torcedor. Não à toa, o Peru não consegue mais ser minimamente competitivo.

Zebra colombiana

Já virou costume na Colômbia algum time pequeno surpreender e se meter entre os líderes. Eventualmente, esses pequenos até conquistam um título. O curioso é que, a cada campeonato, surge um time diferente: Cúcuta, La Equidad, Tolima, Deportivo Pasto, Boyacá Chicó… No Finalización 2009, é a vez de o Atlético Huila dar seus sustos.

Os opitas nunca foram protagonistas. Mesmo no Apertura 2007, quando ficaram com o vice-campeonato, o Huila chamou a atenção. Naquele ano, o time lutou contra o rebaixamento até a última rodada, se classificou para os quadrangulares semifinais no sufoco e acabou chegando à decisão sem dar pinta de que venceria o Atlético Nacional.

Pois, dessa vez, a equipe começa o semestre de modo bem convincente. Após seis rodadas, os opitas têm cinco vitórias e um empate, abrindo já quatro pontos de vantagem para o vice-líder (Independiente Medellín). Para isso, praticam um jogo muito rápido, usando contra-ataques para chegar a Córdoba, artilheiro da equipe e do campeonato até o momento.

Claro que há uma enorme distância entre esse bom início de campanha do Atlético Huila de um favoritismo para o final da competição. Primeiro, porque é sabido que os bambuqueros não têm um elenco dos mais completos. Segundo, porque o regulamento do Campeonato Colombiano, com quadrangulares semifinais e final, favorece quem está bem em novembro, independentemente do que tenha feito em agosto.

Mas o terceiro motivo é a tabela. Até o momento, o Huila ainda não foi devidamente testado contra adversários mais tradicionais. Venceu o Independiente Santa Fe em casa e empatou com o Millonarios em Bogotá. Fora isso, conquistou resultados interessantes (como vencer Cúcuta e Tolima), mas contra equipes que não exercem tanta pressão pelas torcidas que possuem.

Por isso, o próprio técnico Guillermo Berrío mantém um discurso humilde. Neste domingo, os opitas enfrentam o Independiente Medellín, que precisa da vitória para seguir na vice-liderança e para melhorar sua situação na luta contra o rebaixamento. É um bom teste para ver o que esse Atlético Huila pode fazer.

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Equipe Trivela

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