México

Embalo inicial

Após perder para Rio Claro e União São João em jogos-treino de pré-temporada, a sensação é que o Palmeiras começaria 2009 mostrando muita fragilidade. A própria diretoria sabia disso, mesmo sem dizer abertamente. Tanto que desembolsou R$ 2 milhões para antecipar a chegada de Keirrison do Coritiba. Menos de um mês depois, o clima entre os palmeirenses é absolutamente oposto. Com seis vitórias em seis jogos oficiais no ano, o Alviverde está na fase de grupos da Libertadores e tem o melhor aproveitamento do Paulistão até o momento.

O futebol surpreende pela velocidade e entrosamento de um grupo que se conheceu há poucas semanas. Cleiton Xavier e Diego Souza têm formado uma boa dupla de armação, com o primeiro tento mais liberdade para chegar ao ataque e finalizar. Keirrison é um jogador de referência ofensiva como poucos, pois tem velocidade para se movimentar, sabe trabalhar como pivô e tem frieza na finalização. Na defesa, Edmilson chegou jogando bem, enquanto que seus companheiros não comprometeram até agora.

Claro que o Palmeiras, do dia para a noite, deixou a condição de time desmontado para favorito. Ficou evidente que, ao contrário do pensamento inicial, a equipe tem potencial e conta com jogadores que podem montar uma estrutura interessante. No entanto, ainda é preciso verificar até onde essa base consegue manter o ritmo apresentado nas últimas semanas.

Isso não significa que o bom futebol apresentado até o momento tenha sido em vão. Na fase de grupos, o Alviverde está no grupo mais duro da Libertadores, com o Sport (uma asa-negra nos últimos anos), o Colo-Colo e a atual campeã LDU Quito. Entrar com o embalo e a confiança do Palmeiras é fundamental, até porque as duas primeiras partidas são contra LDU e Colo-Colo, que só fizeram um jogo oficial com o time titular no ano.

Com uma boa arrancada, o time pode até se dar ao luxo de tropeçar no Sport em Recife que terá alguma folga para a reta final da fase de grupos, onde o ritmo da equipe pode diminuir. Ou seja, pensando em toda a Libertadores, o time de Vanderlei Luxemburgo ainda é “apenas” um forte concorrente. Mas já se tornou favorito a passar no grupo mais difícil da competição.

Uma coleção de (ir)responsáveis

A cena é tristemente familiar aos brasileiros, particularmente os baianos. Um pedaço do piso da arquibancada superior cede, abrindo um enorme buraco no qual caem várias pessoas. Algumas morrem. A tragédia ocorrida no último domingo no Defensores del Chaco lembra muito a da Fonte Nova em 2007, mas chama a atenção especialmente pela quantidade de agentes que poderiam evitá-la.

O estádio pertence à APF (federação paraguaia). A reação óbvia seria culpar a entidade pela falta de manutenção da construção. No entanto, é a prefeitura de Assunção que dá ou não autorização de uso para a edificação. A Conmebol, como gerenciadora do futebol sul-americano, vistoriou e aprovou a arena para jogos continentais. A Fifa também mandou fiscais para o bairro de Sajonia para liberar o local para partidas das Eliminatórias da Copa.

Mesmo com tanta gente verificando o estado de conservação do Defensores del Chaco, ninguém percebeu nada. E, no caso, se tratava de um problema estrutural bastante grave e fácil de identificar. Para chegar a essa conclusão, basta saber que o piso da rampa de concerto armado – que dava acesso à arquibancada superior – ruiu apenas com a passagem de oito policiais (todos despencaram 7 m até o piso inferior, dois morreram e os demais ficaram feridos) em uma partida de seleções regionais. Ou seja, não houve grande carga para o piso ceder.

Não é difícil entender como o Defensores del Chaco foi liberado mesmo tendo uma estrutura tão frágil. No Paraguai, não há outro estádio do mesmo porte. Fechar a arena de Sajonia representaria um desgaste político razoável. A federação paraguaia ficaria contrariada por ter de gastar um bom dinheiro na reforma de seu patrimônio e por se ver obrigada a enviar a seleção paraguaia para estádios acanhados, como o Feliciano Cáceres de Luque ou o Ciudad del Este da cidade homônima, nas Eliminatórias. Os clubes que participam da Libertadores (Libertad, Guaraní e Nacional) também ficariam descontentes, pois teriam de mandar suas partidas em La Olla, pequena casa do Cerro Porteño.

Para as autoridades “responsáveis” pela verificação e liberação do Defensores, foi muito mais fácil pensar do ponto de vista político e fechar os olhos para os problemas do estádio. Foi o mesmo processo que se manteve a arena aberta mesmo depois de torcedores do Cerro Porteño utilizarem pedaços de concreto como arma para atingir jogadores do Cruzeiro em jogo da Pré-Libertadores de 2008.

Um caso como esse é inadmissível, até porque é fácil de controlar. Por mais pobre que seja o Paraguai ou outros países da América do Sul, as Eliminatórias e da Libertadores geram grande receita em bilheteria e televisão. A Conmebol poderia perfeitamente criar uma lista de exigências mínimas para os estádios que receberão jogos de suas competições. As construções que não estiverem regularizadas poderão ser reformadas tendo como garantia para o financiamento a arrecadação com os jogos. Em casos de obras mais demoradas, certos setores de arquibancadas podem ser fechados temporariamente.

Nada disso foi feito. O resultado viu-se no último domingo. No final das contas, o qeu tanto queriam evitar se tornou obrigatório: o Defensores del Chaco foi fechado indefinidamente, a APF terá de fazer obras de urgência para deixar o local pronto até junho para o jogo do Paraguai contra Chile e Argentina nas Eliminatórias, os clubes paraguaios terão de jogar em La Olla pela Libertadores e o início do Campeonato Paraguaio foi adiado em uma semana.

Em resumo, não adiantou nada tapar o sol com a peneira. Só serviu para adiar o inevitável, mas levando a vida de duas pessoas no caminho.

Chapéu do Panamá

O Torneio Uncaf (Unión Centroamericana de Fútbol) terminou de modo surpreendente. A Costa Rica, principal potência da região, e Honduras, segunda equipe mais tradicional e dona da casa, tiveram de ver o Panamá dar mais uma prova de sua ascensão e comemorar o título.

O mais notável do título panamenho é que a equipe não pôde contar com três de seus jogadores mais experientes: os atacantes Blas Pérez e Roberto Brown e os zagueiros Felipe Baloy (ex-Grêmio) e José Anthony Torres. No total, apenas seis dos 20 convocados para o torneio atuam fora do país.

A principal figura da equipe foi o goleiro Jaime Penedo. Também se destacaram os meias Nelson Barahona e Gabriel Torres (o único da equipe que atua em uma liga mais tradicional, pois está no América de Cali). Com um time quase caseiro, os Caneleros apostaram em uma estratégia defensiva para conquistar um título inédito.

A frieza foi fundamental para suportar a pressão dos favoritos. Nas semifinais, um gol de Ricardo Phillips foi suficiente para assegurar a vitória por 1 a 0 contra os hondurenhos. Na decisão, os costarriquenhos dominaram as ações, mas não conseguiram passar pelo bloqueio panamenho e ficaram no 0 a 0. A definição veio nos pênaltis: 5 a 3 para os Caneleros.

Depois do vice-campeonato da Copa Ouro 2005, o Panamá ganha força como candidato a estreante na próxima Copa do Mundo. Uma façanha para um país em que o futebol precisa dividir a preferência da população com o beisebol.

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