México

Em pleno clássico, um torcedor do América narra o gol do Cruz Azul para o amigo cego

Cruz Azul e América do México disputaram um dérbi especial neste sábado. Mais do que a afirmação na zona de classificação aos mata-matas do Apertura, este provavelmente foi o último Clássico Jovem disputado no Estádio Azul, a casa dos Cementeros. Construído em 1946 e com capacidade para 36 mil torcedores, a praça esportiva foi ocupada por diferentes clubes da Cidade do México (incluindo América, Necaxa e Atlante) até se tornar a sede dos celestes em 1996. No entanto, os dias do velho gigante estão contados. Ao final do ano, o estádio será demolido, para dar lugar a um centro comercial. E apesar da derrota por 3 a 1 para os maiores rivais, o Cruz Azul deixou um gol eterno ao dérbi, por aquilo que proporcionou do lado de fora do campo.

A torcida do Cruz Azul não aceita a ideia de deixar o Estádio Azul para se mudar em definitivo ao Azteca, mas ainda assim ofereceu uma bela despedida. As bandeiras e as camisas se espalhavam pelas arquibancadas. Apesar da enorme estrutura circular, os torcedores se aproximam bastante do gramado, 25 metros mais baixo que o nível da rua. Além disso, o entorno da velha casa, em um bairro residencial, costuma gerar uma atmosfera calorosa nos dias de jogo, sobretudo no clássico. O que não mina, por exemplo, a relação amistosa que prevalece entre os dois lados. A rivalidade ferrenha fica apenas nas provocações e nas gozações. Neste sábado, por exemplo, muitos torcedores do América se misturavam aos Cementeros nas tribunas.

Carlos Quintero e Oribe Peralta abriram vantagem ao América durante o primeiro tempo. Mas a imagem fantástica viria durante o gol de Edgar Méndez, descontando para o Cruz Azul já aos 34 da etapa final. Um jovem torcedor das Águias narrava a cobrança de pênalti para um amigo cego, torcedor celeste. E, mesmo se contendo pelo momento, transmitiu a emoção ao rapaz ao seu lado. A vibração de um contrastava com o comedimento do outro. Prevalecia o sentimento forte pelo futebol. Ao final, Mateus Uribe ainda fechou a conta para o América em 3 a 1.

Tanto América quanto Cruz Azul estão na zona de classificação aos playoffs do Campeonato Mexicano. Para que o Clássico Jovem reviva no Estádio Azul, os dois rivais deverão se encontrar nos mata-matas. Por tudo o que se viveu neste sábado, fica a torcida para um último adeus.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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