Discriminação?
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No mesmo dia em que deveriam ser disputados os confrontos envolvendo times mexicanos na Copa Libertadores, veio o anúncio da federação de futebol asteca de que a última rodada do Torneio Clausura local será realizada com a presença de torcedores nos estádios. Após a notícia da redução do alerta do vírus da gripe suína de laranja para amarelo, as autoridades não perderam tempo e entraram em contato também com a Conmebol para garantir que as partidas de ida das oitavas-de-final do torneio sul-americano poderiam ser jogadas no país, na próxima quarta-feira, sem qualquer temor.
Para que isso venha a ocorrer, no entanto, São Paulo e Nacional ainda teriam que concordar em viajar até o México. Até o fechamento desta coluna, não há nenhum indício de que isso virá a acontecer. O tricolor paulista já afirmou, por meio de seu diretor de futebol, que essa situação desagrada o clube e que uma decisão nesse sentido poderia soar irresponsável. Da mesma forma parecem se portar os uruguaios, que, além de não verem com bons olhos essa possibilidade, possuem uma orientação médica contrária a esse caminho.
Independente da decisão que se tomará em relação a esse imbróglio, um ponto já parece claro: a demora na definição dos locais das partidas gerou um desgaste que coloca, mais uma vez, em xeque a participação dos clubes mexicanos na competição. Um dos envolvidos diretos na confusão, o presidente do San Luis, Eduardo Del Villar, já chegou a confessar, em entrevista, ser a favor de as equipes do país abandonarem o campeonato. A declaração não encontra eco nas Chivas, mas, em Guadalajara, também é consenso a opinião de que os times astecas não foram bem tratados por seus anfitriões.
Como convidados, argumentam que a situação teria sido conduzida de uma outra forma se ela envolvesse um dos filiados da Conmebol. Apontam o dedo para a Argentina, que enfrenta um surto de dengue e de onde veio uma manifestação contrária à sequência mexicana no torneio por parte do Boca Juniors. O Nacional, adversário do San Luis nesta fase, é outro clube que apoia a exclusão dos mexicanos da competição. Seu treinador, Gerardo Pelusso, fez questão de tornar esse ponto de vista público dias atrás.
São atitudes que, em nada, ajudam na resolução dessa situação – ainda que seja necessário se posicionar em relação ao caso da gripe suína. É preciso adotar um tom mais sereno nessa conversa. Afinal de contas, se os jogos não forem ocorrer no México – como ainda não foi confirmado, serão disputados nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar que ofereça condições ideais. Não se pode deixar prevalecer, nesse momento, interesses técnicos enquanto um assunto tão delicado, que tem motivado, inclusive, discussões diplomáticas, está se desenrolando.
Tal postura só contribui para que se reforce no México a ideia de que a participação de seus clubes na Libertadores só é importante sob o ponto de vista comercial. Mesmo que ela acrescente bastante sob esse aspecto por abrigar um dos principais mercados do maior patrocinador do torneio, o Banco Santander, não se pode negar que a chegada dos times astecas fortaleceu o campeonato. Até então, brasileiros e argentinos vinham praticamente monopolizando a competição.
Do céu ao inferno
15 de outubro de 2008. O Chile enfrenta a Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, vence por 1 a 0 e derruba o treinador Alfio Basile. A partir dali, se iniciaria, entre os alvicelestes, uma campanha pela contratação de Diego Maradona como substituto de “Coco”. Semanas depois, o desejo de imprensa e torcedores seria atendido pelos dirigentes. Ao mesmo passo em que isso ocorre, o autor do gol que desencadeou esse movimento, Fabián Orellana, começa a cavar a sua cova em Santiago.
Considerado, naquela altura, uma das principais revelações do futebol chileno, tornou-se conhecido no país pela bela parceria formada com Carlos Villanueva no Audax Italiano. Após a saída de seu colega para a Inglaterra, assumiu o papel de referência da equipe e seguiu atuando bem, atraindo o interesse de clubes de fora – entre eles, o Palmeiras. Veio, então, a convocação para o Torneio de Toulon e o atacante foi mais uma vez destaque. Contra a Argentina, ele só coroou seu crescimento e, infelizmente, ao contrário do que se esperava, deu início à sua derrocada.
Com o gol marcado, Orellana passou a ser personagem de inúmeras reportagens em jornais chilenos. Sua infância virou assunto e até mesmo seus parentes e amigos ganharam voz para falar sobre o jogador. Tamanha badalação não foi digerida da forma correta pelo atacante, que, desde então, deixou a modéstia de lado e adotou uma postura mais agressiva em suas atitudes. A situação só piorava na medida em que ele tinha suas expectativas frustradas.
Primeiro foi a negativa do Audax em negociá-lo com a Udinese no início do ano. Depois, o fato de não ter sido liberado para disputar a Libertadores por empréstimo. Longe dos holofotes, Orellana não fez mais mistério em relação a seu descontentamento e protagonizou uma série de confusões dentro e fora de campo. Agora afastado da equipe por motivos disciplinares, tem reclamando bastante de sua condição e, embora sem o mesmo talento, faz cada vez mais jus ao apelido de “Robinho branco”.
Voltando para perturbar?
Com Peñarol e Nacional em dificuldades, o futebol uruguaio viu, nos últimos tempos, situações inimagináveis em outras épocas. Dentre elas, a classificação do pequeno Fênix para a Libertadores de 2003. Com um futebol envolvente, marca de seu então treinador, Juan Ramón Carrasco, o clube surpreendeu os grandes do país e fez o seu debute no torneio sul-americano. Depois disso, voltou a viver um período de vacas magras, sendo rebaixado para a segunda divisão.
Nessa temporada, o time, que, cinco anos atrás, apresentou jogadores como Germán Hornos, batalhava para retornar à elite e conseguiu. Com três rodadas de antecipação, os alvivioletas celebraram a promoção na segundona uruguaia, ao empatar em 1 a 1 com o Durazno, dentro de casa, nesse fim de semana. Na soma dos torneios Apertura e Clausura, a equipe chegou aos 58 pontos e só pode ser alcançada, na classificação geral, pelo Cerrito, segundo colocado e que também garante vaga no escalão principal.
Como destaque de sua campanha, o Fênix apresentou o atacante Mauro Guevgeozian, artilheiro do campeonato com 19 gols. Outro que também aparece bem posicionado na tábua de goleadores é Federico Aguilera, com 11. Os dois foram fundamentais para que o time, aparentemente ainda fiel aos mandamentos de JR Carrasco, se destacasse pela força de seu ataque, o mais positivo da competição. Agora, o objetivo é se manter na primeira divisão.
Sem retorno
Nas últimas três temporadas, foram 36 milhões de dólares investidos no time e nenhum retorno. Sem disputar uma final desde 2003 e enfrentando uma seca de títulos que já dura quase 20 anos, os Tigres decidirão a sua permanência na primeira divisão mexicana nesse fim de semana. Precisam vencer o Morelia, dentro de casa, para afastar de vez o fantasma do rebaixamento ou, então, torcer por uma derrota do Necaxa contra o América. Só dependem de si. Se isso será suficiente para assegurar o seu lugar na elite, só saberemos no sábado.
O momento não é dos melhores. A equipe comandada pelo ex-treinador da seleção argentina, José Pekerman, possui uma defesa consistente, mas sofre com a falta de pontaria de seu ataque. Um dos nomes mais experiente do elenco felino, Francisco Fonseca, é um dos alvos preferidos da torcida do clube. Contratado junto ao Benfica por quase cinco milhões de dólares em 2007, o atacante, assim como outros reforços caros trazidos nos últimos anos, não consegue justificar o investimento em sua contratação.
No momento em que os Tigres mais precisam de seu futebol, a resposta em campo não tem sido satisfatória. Com a crise econômica que assolou o mundo e atingiu em cheio a Cemex, fabricante de cimento que comanda o clube, esperava-se que, na ausência de novas investidas no mercado, nomes como Fonseca e Omar Bravo assumissem a responsabilidade de conduzir o time em sua campanha no Torneio Clausura. Ledo engano. Com atuações decepcionantes, só fizeram agravar uma crise que já se encontrava consolidada fora das quatro linhas. Nos próximos dias, terão a chance de, ao menos, amenizar um pouco essa situação.