México

Cão-peão

A bola já havia sido levantada nos previews dos últimos três torneios curtos nesse mesmo espaço: desde que alcançara a elite do futebol mexicano, o Tijuana se destacara pelo projeto sólido e maduro, com vistas a render frutos rapidamente, focado em altos investimentos em jogadores de nome e acostumados a disputar a Primera División azteca. Surpresa maior foi o time ter ficado de fora da Liguilla logo em seu primeiro torneio na elite (Apertura-2011), resultado, talvez, do ainda incipiente entrosamento entre os bons nomes que compunham o elenco canino. Uma temporada e meia na principal divisão do país, contudo, foi suficiente para o clube levantar seu primeiro título nacional. E de forma indiscutível.

Um título que premia jogadores, comissão técnica e Jorge Hank Rhon, empresário e político da cidade fronteiriça que capitaneou o grupo de investidores que apostou no sucesso do jovem time ainda na divisão de acesso. Grande parte dos investimentos foi feito por meio do Grupo Caliente, de propriedade de Rhon, e um dos principais responsáveis pela construção do estádio que leva o nome do grupo. Bem como a injeção de capital por meio de patrocínio que permitiu a chegada de grandes jogadores ao time.

O sucesso dos Xolos não veio, entretanto, sem alguns percalços. Detido em uma operação da polícia federal poucos dias antes da estreia do clube na principal divisão mexicana, ainda em junho de 2011 e ameaçado de desfiliação pela Femexfut devido aos problemas com a justiça, a direção dos perros passou para o filho de Rhon, Jorge Alberto Hank, que precisou se desdobrar para manter o foco no desenvolvimento esportivo do time e realizou o sonho de seu pai: ver o time no degrau mais alto do futebol nacional.

Na janela de transferências de julho, o clube perdeu seus dois principais jogadores: o meia uruguaio Egidio Arévalo, principal articulador de jogadas do time na última temporada, foi para o futebol italiano, enquanto o artilheiro argentino José Sand foi vendido ao Racing, da Argentina. Para substituí-los, os rojinegros trouxeram o jovem meia equatoriano Fidel Martínez e outro experiente argentino para ocupar a vaga de centroavante: Alfredo Moreno. Uma mistura de experiência e juventude que deu o tom da boa campanha dos cães na elite.

Os contratados juntaram-se a nomes de respeito que compuseram o elenco na chegada à divisão principal, entre eles o bom goleiro Saucido, o zagueiro argentino Gandolfi e os experientes meias Leandrinho e Fernando Arce. Outros nomes pontuais, como o zagueiro paraguaio Pablo Aguilar, se encaixaram a perfeição ao esquema tático dos Xolos.

O pouco tempo de existência dos Xolos, fundados em 2007, não oferecia ao clube frequentes revelações em suas “Fuerzas Básicas”, de forma que a composição do elenco teve de ser feita no mercado. Surgiu daí uma das grandes vantagens do clube: contratações a preços módicos de promessas que ainda não havia vingado no futebol azteca e/ou jogadores ainda em busca de confirmação. Edgar Castillo, após quatro temporadas apagadas, voltou à boa fase exibida no Santos que o levara à seleção norte-americana na lateral esquerda.

Mas o principal ressurgimento foi, sem dúvidas, do atacante Duvier Riascos. Contratado pelo América junto ao Shanghai Shenhua, após uma temporada prolífica no futebol chinês, o colombiano teve passagem apenas regular pelo Puebla, antes de transferir-se para a Baja Califórnia. No Clausura, ainda sob a sombra de Sand, começou a crescer de produção, mas foi com a chegada de outro argentino (Alfredo Moreno), que “Culebra” explodiu, tornando-se o principal goleador dos Xolos, seja na fase regular, seja na Liguilla.

O comando técnico do time é outro fator que deve ser levado em consideração. A saída de Joaquín del Olmo, artífice do acesso em 2010/11, dando lugar a Antonio Mohamed, surtiu efeito imediato. Mais do que o sucesso, o comando do grupo de jogadores parece ter caído melhor nas mãos do Turco. Não que del Olmo não seja um bom treinador, mas sua rápida passagem por UNAM, Veracruz e Correcaminos parece deixar claro que seus melhores trabalham acontecem em times de poucos recursos. Ambos são jovens (Del Olmo tem 43 e Mohamed 42), mas El Turco já acumula uma conquista continental (Copa Sul-Americana pelo Independiente) e agora um título nacional.

Com um elenco distante das pressões dos grandes, mas repleto de nomes “experimentados” no equilibrado campeonato mexicano o Tijuana teve como principal virtude o equilíbrio. Com apenas uma derrota na primeira fase e uma na Liguilla, os Xolos não tiveram nem o melhor ataque nem a melhor defesa, mas manteve uma regularidade impressionante, não marcando em somente duas das 23 partidas disputadas (sendo que, em apenas uma, saiu derrotado).

Distante do ímpeto ofensivo do León ou da solidez defensiva de Cruz Azul e América, os Perros mostraram algo que nem mesmo potências aztecas conseguiram: maturidade. E tudo isso com apenas cinco anos de existência. Agora é a hora de comemorar e preparar-se para voos mais altos em âmbito continental.

Curtas

– Seleção Trivela da final do Apertura da Liga MX: Cirilo Saucedo (Tijuana), Juan Carlos Núñez (Tijuana), Javier Gandolfi (Tijuana), Pablo Aguilar (Tijuana) e Edgar Castillo (Tijuana); Richard Ruiz (Tijuana), Fernando Arce (Tijuana), Cristian Pellerano (Tijuana) e Lucas Silva (Toluca); Édgar Benítez (Toluca) e Duvier Riascos (Tijuana); T: Antonio Mohamed (Tijuana);

– Com uma arbitragem desastrosa, o La Piedad superou o Dorados por 3×1 na final da Liga de Ascenso e garantiu o título do Apertura da segunda divisão mexicana, mesmo após perder a partida de ida por 1×0 em Sinaloa;

– O título também garante o clube Rebocero na decisão da temporada da Liga de Ascenso, aonde disputará com o vencedor do Clausura a única vaga na elite do futebol azteca em 2013/12;

Costa Rica

– No duelo de ida das semifinais do Campeonato de Invierno da Primera División, o “Clássico do Bom Futebol” entre Herediano e Saprissa terminou empatado em 1×1, em Heredia. Na outra perna, o primeiro jogo entre Limón e Alajuelense acontece nesta quarta-feira, em La Sabana;

– Os duelos de volta acontecem no próximo domingo;

El Salvador

– Os jogos de ida das semifinais do Apertura da Liga Mayor foram disputados no último fim de semana. Líder da fase de grupos, o Isidro Metapán conseguiu um ótimo triunfo ao bater o atual campeão Águila, em San Miguel, e joga podendo até perder por um gol em casa, na partida de volta;

– No “Clássico Popular”, FAS e Alianza ficaram no empate por um gol e deixaram a decisão para o próximo encontro, em San Salvador, quando os Albos jogam pela igualdade;

Guatemala

– Muitas reviravoltas e grande goleadas marcaram as quartas de final do Apertura da Liga Nacional. O líder e favorito Comunicaciones arrancou um empate do Marquense e venceu facilmente em casa (3×0) para confirmar a vaga. Na semifinal, os Cremas enfrentarão o Heredia, que depois de ser surpreendido pelo Halcones na primeira partida (1×3) deu o troco e goleou em casa (5×1) para avançar;

– Na outra perna, o Municipal obteve a vaga com dois empates frente ao Suchitepéquez (1×1 e 3×3), enquanto o Malacateco goleou o Xelajú por 5×0 em casa e, mesmo perdendo por 3×0 na volta, ficou com a vaga nas semifinais;

Honduras

– Com gol do brasileiro Douglas Caetano, o Olímpia bateu o Atlético Choloma em casa e recuperou-se do revés na primeira partida da semifinal, ficando com a vaga na decisão do Apertura da Liga Nacional. Os atuais campeões nacionais enfrentarão o Victoria, que arrancou novo empate frente ao Motagua (2×2 em casa) para ficar com a vaga;

– Albos e Lecheros já se encontraram duas vezes em decisões nacionais, com uma vitória para cada lado. Enquanto o Olímpia, atual bicampeão, busca seu 26º título, o Victoria ainda corre atrás de sua segunda conquista;

Panamá

– Com uma tranquila goleada por 4×1 frente ao Chepo o Árabe Unido sagrou-se campeão do torneio Apertura, conquistando seu 10º título da Liga Panamenha, apenas um a menos que o maior vencedor, Tauro;

– De quebra, os árabes garantiram vaga na próxima edição da Liga do Campeões da Concacaf, em 2013/14.

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