México

Bote fé no velhinho

O América de Cali decepciona no Finalización colombiano. Com um futebol frágil, não venceu nenhuma partida nas sete primeiras rodadas e tenta fugir das últimas posições. Mas deu sinal de vida nas últimas duas rodadas. Primeiro, empatou com o vice-líder Independiente Santa Fe. Depois, venceu o dérbi caleño contra o Deportivo Cali. Nessas duas partidas, um fator em comum: gol de De Ávila.

Ver o nome de Antony de Ávila aparecer em notícias do América de Cali dá uma sensação de déjà vu. Ou de que os escarlatas estão com um técnico novo. Outra possibilidade é que surge um garoto com o mesmo nome do antigo ídolo. Mas a possibilidade mais inusitada é a verdadeira: o clube vallecaucano contratou o atacante de 45 anos.

Para quem não se lembra, El Pitufo – apelido dado pelo fato de ter apenas 1,63 m de altura – foi um dos ícones da geração colombiana das décadas de 1980 e 90. Não tinha a mesma fama de Valderrama, Rincón, Asprilla e Higuita, mas esteve presentes em vários momentos importantes daquele momento do futebol de seu país. Defendeu a seleção cafetera nas Copas de 1994 e 98 e foi titular do América nas campanhas dos vice-campeonatos da Libertadores em 1985, 86, 87 e 96 (considerando que defendia o Barcelona-EQU em 1998, foi “pentavice” da Libertadores, um recorde absoluto).

Foi com base nesse currículo que os escarlatas resolveram tirá-lo de seus dez anos (isso mesmo, uma década) de aposentadoria. Talvez a identificação do antigo ídolo poderia servir de referência para o resto do time dar sinal de vida e ter um final de ano mais digno.

Pois o jogador tem sido útil do ponto de vista técnico. Depois de entrar no segundo tempo contra Deportivo Pasto e Boyacá Chicó, o atacante foi titular contra o Santa Fe. Fez o gol do 1 a 1. No último fim de semana, começou jogando contra o Deportivo Cali. Abriu o caminho para a vitória por 3 a 1.

O desempenho surpreende, mas já causa dúvidas. Torcedores e imprensa reconhecem o bom trabalho físico que o jogador fez, incluindo aí a manutenção da forma enquanto esteve parado. No entanto, não dá para considerar natural que um atleta de 45 anos se destaque tanto. Já se vê no sucesso de De Ávila a prova de que o futebol colombiano está em péssimo momento técnico.

Há um fundo de verdade nisso. Mas não se pode tirar o mérito de um jogador que volta à ativa após dez anos e, em suas duas primeiras partidas como titular, dois clássicos, faz gol.

Rebanho desagregado

O primeiro semestre dos Chivas de Guadalajara foi sabotado pela dificuldade em controlar os ânimos no elenco. E o segundo já vai pelo mesmo caminho. Após 8 rodadas do Apertura, o Rebaño Sagrado venceu apenas uma partida, empatou duas e perdeu as outras cinco. Um desempenho que coloca o time nas últimas posições e, claro, longe do grupo que luta pela classificação ao mata-mata.

A diretoria assume publicamente o problema. Jorge Vergara, dono do clube, afirmou que a situação é grave e prometeu medidas drásticas. A primeira foi o afastamento do meia-atacante Alberto Medina, “rebaixado” para o Chivas B por indisciplina. O ambiente só piorou.

A gota d’água foi o resultado do último fim de semana, com derrota por 4 a 0 para o San Luis. O técnico Francisco Ramírez foi demitido e, para seu lugar, foi contratado Raúl Arias. Medina foi reintegrado, até porque há consenso que sua saída foi inócua. A reação imediata foi positiva, pois a inexperiência de Ramírez – ex-jogador recém-aposentado – foi apontada como um dos fatores para o descontrole do elenco.

As próximas partidas serão muito significativas. Contra adversários em momento ruim, como Jaguares e Pumas, é possível os Chivas conquistarem bons resultados mesmo com um técnico ainda implementando seu estilo. Mas, se não houver uma recuperação, não seria estranho se o clube resolvesse passar por profunda reformulação no final do ano.

Bolívia imita Peru

Em julho, os jogadores peruanos anunciaram que boicotariam a seleção enquanto não fossem tomadas medidas para melhorar a situação do futebol do país em médio prazo. Algumas atitudes foram tomadas (mais maquiagem do que algo efetivo) e a greve caiu pouco antes dos compromissos de setembro pelas Eliminatórias. Pois, agora, é a vez de os bolivianos apostarem nessa tática.

Nesta semana, os jogadores da Bolívia pediram dispensa de futuras convocações enquanto Evo Morales e a FBF (federação boliviana) não implementarem medidas para desenvolver o futebol local. O movimento é liderado pela Fabol (Futbolistas Agremiados de Bolívia), espécie de sindicato de jogadores, mas que também congrega os profissionais que atuam fora do país.

De prático, a entidade exige que a FBF seja constituída por um comitê em que jogadores (profissionais e amadores), árbitros e técnicos tenham presença. Além disso, pede que o governo ajude a desenvolver os trabalhos nas categorias de base, além de fiscalizar melhor as movimentações financeiras dos clubes. O que não significaria dar apoio às declarações de Evo Morales, que disse pensar na estatização do esporte na Bolívia.

O levante ocorre dias após a Bolívia ser matematicamente eliminada da Copa de 2010. O próprio técnico da Máquina Verde, Erwin “Platini” Sánchez, disse que o país precisa de profundas mudanças para reverter a trajetória descendente da última década.

Batata quente

A última vez que a Costa Rica não se classificou a uma Copa do Mundo foi em 1998. Naquelas Eliminatórias, os Ticos foram superados por Estados Unidos, México e a surpreendente Jamaica de René Simões. Onze anos depois, os costarriquenhos estão novamente ameaçados. E resolveram buscar o técnico brasileiro para impedir que a seleção tenha de disputar a repescagem contra uma equipe sul-americana (que pode até ser a Argentina).

Simões assume um time que perde fôlego, está envelhecido e, principalmente, em crise interna. Ciente das dificuldades, o treinador pediu 15 dias antes das partidas para iniciar a preparação da equipe. O que já criou um problema.

Teoricamente, os clubes teriam aceitado o prazo. Mas Saprissa e Cartaginés contradisseram a federação e informaram que não cederão seus atletas nesse prazo. No caso do Monstruo Morado, o motivo seria até justo: compromissos na Concachampions.

Com um grupo formado basicamente por jogadores que atuam em seu país, ver as primeiras “dissidências” no acordo de liberar atletas com antecedência é um sinal perigoso para o brasileiro. Até porque ele terá apenas dois jogos, separados por três dias, para fazer os resultados que os costarriquenhos precisam para ultrapassar Honduras e ficar em terceiro lugar no hexagonal final.

Ainda é prematuro, mas o cheiro de repescagem fica ainda mais forte.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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