As chances da LDU
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A LDU Quito eliminou Estudiantes San Lorenzo, América e Fluminense antes de vencer a Libertadores. Ou seja, passou só por times de Argentina, México e Brasil, as três maiores potências clubísticas da América Latina. Mesmo assim, os Blancos ficaram marcados como um time fraco e que venceu o principal torneio das Américas na sorte. A vitória sobre o Pachuca na semifinal do Mundial de Clubes parece ter mostrado para o público brasileiro que, afinal de contas, o time até que tem seus méritos. Mas seria suficiente para vencer o Manchester United?
Se a decisão do Mundial tiver qualquer encaminhamento lógico, os Red Devils vencem sem muitas dificuldades. Os ingleses são superiores técnica e psicologicamente, além de provavelmente terem a torcida a seu favor no Japão. No entanto, o simples fato de ser um jogo de futebol dá alguma esperança aos equatorianos. Desde que eles façam a parte deles, pelo menos.
A estratégia básica é se inspirar em São Paulo de 2005 e Internacional de 2006. Ou seja, ter consciência que partir para um jogo aberto aumenta e muito as chances de derrota (como ocorreu com o Boca Juniors ano passado). O ideal é deixar que o adversário tome a iniciativa, estar preparado para absorver essa pressão e ter algum esquema de contra-ataque treinado.
Para adotar essa postura, Edgardo Bauza terá de ter especial atenção com a marcção na intermediária. O goleiro Cevallos é extremamente inseguro – sobretudo em chutas de longa distância – e os blancos não podem correr o risco de ele ser muito acionado. Assim, é preciso congestionar desde a intermediária, evitando que Cristiano Ronaldo, Scholes, Anderson e qualquer um que tenha possibilidade de arrematar de fora da área.
Outro problema é que o Manchester United, se tiver dificuldade na frente da área, tem várias opções para atacar pelas pontas. Na direita, Cristiano Ronaldo e Rafael (se for titular) avançam bem. Cristiano Ronaldo também dá as caras na esquerda, onde pode fazer companhia a Evra e Giggs. Tudo isso para chegar a Rooney, Tevez ou Berbatov, atacantes que se dispõem a encarar uma briga mais física por espaço na área.
O melhor jeito de bloquear isso seria armar duas linhas de quatro bastante próximas. Assim, a primeira linha congestiona a intermediária e a segunda faz a cobertura pelas laterais e fica encarregada de marcar os atacantes. Além disso, o time precisaria ter dois atacantes rápidos (Bolaños e Navia ou Bieler) para puxar os contra-ataques. Eles teriam de contar com a ajuda de um meia (Manso, no caso) que se disponha a correr muito para desfazer a linha de marcação quando o time recuperar a bola para acionar a dupla de frente.
Mesmo se fizer tudo certinho, a LDU ainda corre um enorme risco de perder. Afinal, o Manchester United é tecnicamente muito melhor. Até uma situação desesperada, de cruzamentos aleatórios na área, favorece o time inglês, que tem média de altura muito maior que a dos equatorianos. A chance dos Blancos são reduzidíssimas, mas o pouco que existe está na determinação em fazer seu papel corretamente. Depois disso, é contar com a sorte.
Pachuca sonolento
O Pachuca era visto como mais forte candidato a furar a hegemonia de América do Sul e Europa nas finais de Mundial de Clubes. No entanto, o time mexicano decepcionou. Suou para vencer o Al Ahly (que perdeu até do Adelaide United) e caiu diante da LDU. Aí ficou exposta a deterioração do atual trabalho dos Tuzos.
A equipe de Enrique Meza construiu a fase mais gloriosa de sua história (dois títulos internacionais e dois nacionais em um ano e meio) com um sistema de jogo bastante claro: tocar a bola pacientemente enquanto procura uma brecha na defesa adversária. No entanto, a fluidez desse esquema já foi perdida em meados de 2007, o que ficou evidente na péssima campanha do Mundial de Clubes do ano passado e pela 12ª posição no Apertura deste ano.
Sim, é verdade que o time do estado de Hidalgo conquistou o título da Concacaf em 2008. mas muito disso se deve ao fato de ter sido uma edição tecnicamente muito fraca, com equipes norte-americanas em mau momento e sem grande concorrência mexicana (o outro representante azteca era o Atlante, que vinha em péssima fase no campeonato local). Um sinal disso é que os Tuzos tiveram, na final, o Saprissa da Costa Rica.
Contra o Al Ahly, o Pachuca voltou a mostrar um estilo de jogo já sem sentido. A equipe trocava passes, mas não sabia mais como concluir as jogadas. Christian Gimenez era um raro ponto de lucidez na equipe, mas jogava praticamente sozinho. Tanto que o time teve quase 70% de posse de bola e chegou ao intervalo perdendo por 2 a 0. No segundo tempo, os mexicanos se encheram de brios e, na base da raça e da força, empataram (e viraram na prorrogação) contra um time egípcio claramente cansado.
Contra a LDU, o panorama não foi tão diferente. O que mudou é que os equatorianos estavam mais concentrados na marcação e tinham mais recursos para segurar a vantagem no segundo tempo.
Para 2009, o Pachuca precisa iniciar um novo trabalho. Caso contrário, voltará a ser um time médio no cenário mexicano.
México: Toluca campeão, no sufoco
A coluna esteve muito próxima de cair do cavalo. Depois de analisar a derrota em casa do Cruz Azul por 2 a 0 para o Toluca no jogo de ida da final do Apertura mexicano, era difícil não colocar um enorme favoritismo nas costas dos vermelhos. Pois, na partida de volta, os cementeros se encheram de brios e devolveram o marcador. Só cederam o título na disputa de pênaltis.
De certa forma, a derrota em casa foi importante para a Máquina Cementera jogar bem em Toluca. O time azul é muito bom no papel, mas sofre com a sina de perdedor que o persegue na última década. Desse modo, o fato de praticamente perder o título em casa deixou o time solto, sem responsabilidade. Ficou muito mais fácil jogar de acordo com seu potencial.
A grande figura dos cruzazulinos foi César Villaluz, integrante do time campeão mundial sub-17 do México em 2005 e um talento que cada vez mais se confirma. O meia comandou as ações e carregou seu time para o ataque. Surpreendentemente confiante e com jogadas fluentes, o Cruz Azul pressionou o Toluca e fez dois gols com justiça.
A situação começou a se complicar aos 27 minutos do segundo tempo. Villaluz se contundiu ao receber um chute na cabeça (pênalti não marcado que causou concussão cerebral no jogador, que foi levado ao hospital) e os cruzazulinos ficaram com um jogador a menos. Somando isso ao desgaste de ter de tomar a iniciativa desde os primeiros minutos, faltou pernas aos capitalinos para buscar o terceiro gol.
Na prorrogação, o Toluca esteve mais próximo ao gol do título, mas estava assustado com o bom desempenho do adversário. Assim, as duas equipes pareceram aceitar que a decisão fosse para os pênaltis. As duas equipes acertaram as sete primeiras cobranças. Almazán acertou o travessão, mas a bola caiu nas costas de Yosgart Gutiérrez e entrou. Em seguida, Alejandro Vela (autor do primeiro gol azul no tempo normal) chutou para fora. Título do Toluca.
O clichê é dizer que o título, qualquer que seja seu conquistador, é justo. De certa forma, foi pelo excepcional desempenho do Toluca no jogo de ida, na Cidade do México. No entanto, ficou evidente que os mexiquenses venceram seu nono Campeonato Mexicano mais por ser estável. Na primeira fase, Atlante e San Luis mostraram ser melhores. No mata-mata, o Cruz Azul voou e acabou pecando por um único jogo em que atuou abaixo da média. Os diablos ficaram sempre por fora, esperando os outros saírem de seu caminho. Não é o meio mais brilhante de ser campeão, mas funcionou.
Pizza de Peru
Como era esperado, não deve dar em nada a suspensão da Fifa à FPF (federação peruana). Como já se ensaiava desde o final de novembro, quando a entidade internacional anunciou que o Peru estava fora das competições internacionais por ingerência do poder público na federação local, o IPD (Instituto Peruano de Deportes, ligado ao governo) e a FPF sentaram à mesa para fazer o que fosse necessário para agradar a Blatter e aliados.
O Estado e Manuel Burga, presidente da FPF, assinaram um documento no qual afirmam já terem entrado em acordo e que não há mais tentativa do IPD de tirar o dirigente do cargo. Com isso, a única exigência que a Fifa faria já estaria atendida e, neste fim-de-semana, já poderia ser anunciado oficialmente o fim da suspensão ao Peru.
Curioso é que, de prático, o tal entendimento entre governo e federação peruana não rendeu nada além do papel assinado. Burga já disse que aceita antecipar em um ano o fim de seu mandato (de 2011 para 2010), uma medida aceita pelo IPD. No entanto, não houve acerto oficial para que isso ocorra. Ou seja, não ocorreu nada além de resolver burocraticamente uma questão para acabar com a irritação da Fifa.
Libertadores 2009
Vamos atualizar como ficará a edição 2009 do torneio mais importante das Américas. A cada semana, vão entrando os times que já estão definidos (em itálico, os clubes que entraram na tabela nesta semana):
PRIMEIRA FASE (PRÉ-LIBERTADORES)
Colômbia 3 x Peñarol (URU)
Argentina 5 x Sporting Cristal*
El Nacional (EQU) x Nacional (PAR)
Deportivo Cuenca (EQU) x Deportivo Anzoátegui (VEN)
Palmeiras x Real Potosí (BOL)
México 3 x Universidad de Chile (CHI)
SEGUNDA FASE
Grupo 1
LDU Quito (EQU)
Chile 2
Sport
Vencedor de Palmeiras x Real Potosí
Grupo 2
Argentina 3
Guaraní (PAR)
Deportivo Táchira (VEN)
Vencedor de Deportivo Cuenca x Deportivo Anzoátegui
Grupo 3
River Plate (ARG)
Nacional (URU)
Universidad San Martín (PER)*
Vencedor de El Nacional (EQU) x Nacional (PAR)
Grupo 4
São Paulo
Defensor Sporting (URU)
Colômbia 2
Vencedor de Colômbia 3 x Peñarol
Grupo 5
Cruzeiro
Universitario de Sucre (BOL)
Deportivo Quito (EQU)
Vencedor de Argentina 5 x Sporting Cristal*
Grupo 6
Lanús (ARG)
Everton (CHI)
Caracas (VEN)
México 2
Grupo 7
Grêmio
Aurora (BOL)
Boyacá Chicó (COL)
Vencedor de México 3 x Universidad de Chile (CHI)
Grupo 8
Argentina 4
Libertad (PAR)
Universitario (PER)*
San Luis (MEX)
* Como a federação peruana está suspensa pela Fifa, os clubes do país não estão assegurados na Libertadores 2009. A Conmebol sorteou as vagas do Peru como “vacantes” e definirá a situação dos clubes do país até o fim do ano.