México

Adiós, Blanco

Junho de 1998, Copa do Mundo da França. Cuauhtémoc Blanco estava preso na marcação sul-coreana. Acuado na ponta esquerda e aparamente sem saída, o atacante mexicano prende a bola entre sus duas pernas, como se fosse um “Pogobol”, e a impulsiona entre dois defensores. A bola passa e o mexicano corre atrás, finalizando um drible para lá de inusitado, conhecido como Cuauhtemiña.

Foi o primeiro momento em que o mundo prestou atenção de fato para aquele atacante de aspecto levemente rechonchudo, mas muita habilidade e alguma irreverência. Para os mexicanos, Blanco já era uma estrela em ascensão, sobretudo depois de conquistar o prêmio de melhor jogador da temporada 1997/8. Uma promessa que, para os padrões locais, foi mais do que atendida.

Dez anos e três meses depois daquela jogada em Lyon, Blanco se despediu de El Tri. Foi no último minuto da partida contra a Jamaica pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Com 35 anos, “Temo” deixa a seleção alviverde com 100 partidas (sexta maior marca) e 34 gols (quarto maior artilheiro da seleção mexicana, atrás apenas de Borgetti, Hermosillo e Luis Hernández). Além disso, é, ao lado de García Aspe, um dos únicos mexicanos a marcar gol em mais de uma Copa do Mundo e está ao lado de Ronaldinho Gaúcho como o maior artilheiro da história da Copa das Confederações, com nove gols.

Apesar das marcas razoavelmente relevantes, Blanco significava muito mais para os mexicanos do que os números podem sugerir. O atacante se tornou símbolo do América na última década e é considerado o melhor jogador do país desde que Hugo Sánchez pendurou as chuteiras.

Uma prova disso foi o furor que fez sua transferência do América para o Chicago Fire. O atacante foi celebrado pela torcida americanista e chegou na MLS como um reforço fundamental para toda a liga. Na lógica dos dirigentes norte-americanos, Beckham (que foi contratado pelo Los Angeles Galaxy na mesma época) daria legitimidade internacional ao torneio, enquanto que Blanco serviria para consolidar definitivamente a competição na comunidade mexicana.

Agora, os gols e o Cuauhtemiña serão exclusividade da torcida do Chicago Fire. Os mexicanos sentirão saudades.

Bolívar sob nova gerência

Em uma notinha discreta no final de dezembro, esta coluna já avisara que o empresário Marcelo Claure era o novo presidente do Bolívar. Bem, por trâmites burocráticos, tal mudança de direção se arrastou por meses e só agora será efetivada. O que não melhora a vida da Academia para esta temporada, mas dá boas indicações para 2009.

Claure é diretor-geral da Brightstar (empresa norte-americana de tecnologia) e um dos executivos latinos de maior sucesso nos Estados Unidos. Ele é bem visto no mundo do futebol por ter sido diretor da federação boliviana em meados da década de 1990, quando La Máquina Verde conseguiu se classificar para a Copa do Mundo pela primeira vez (nas outras participações, em 1930 e 50, a Bolívia não enfrentou as Eliminatórias).

A chegada definitiva do executivo se dará com a criação da Bolívar Inversiones Sociedad Anónima, empresa que administrará o Bolívar a partir de 20 de setembro, quando ocorrerá uma assembléia de sócios na qual serão estabelecidos os detalhes – como tempo da parceria – do funcionamento desse novo modelo de gestão. Claure será o presidente e sócio majoritário da S.A.

Para manter um pouco do contato com a atual diretoria, Guido Loayza (atual presidente) ficará como diretor de futebol e das divisões inferiores. O princípio dessa continuidade de parte da atual direção é que o problema não é o gerenciamento do futebol, mas a dificuldade em administrar o clube de modo empresarial.

O Bolívar está afundado em uma crise financeira nos últimos três anos. O clube, que tinha o melhor elenco da Bolívia e chegou a ser vice-campeão da Copa Sul-Americana, perdeu vários jogadores sem ganhar nada, pois atrasou vários meses de salário. No momento, o clube tenta se reestruturar com um grupo barato, mas enfrenta dificuldade diante do crescimento de equipes pequenas, como Real Potosí, La Paz e Universitario de Sucre.

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Equipe Trivela

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